Resisti muito em escrever sobre bullying. Fico desconfiada quando a mídia sataniza um tema. Toda vez que o país da América do Norte (Estados Unidos) espalha polêmicas pelo mundo afora, penso que querem socializar os seus problemas. Mas fui convidada para dar uma palestra em Orlândia sobre bullying e logo parei para refletir sobre o tema. Tentei traduzir a palavra, não fui muito feliz. Optei por simplificar: refleti sobre perguntas banais.
O que é bullying?
É amolação, agressão, violência, perseguição, irritação.
Por que acontece bullying?
Por intolerância, por falta de paciência na convivência, por não entenderem as diferenças, por desrespeito, por irritações com o outro.
Quem pratica bullying?
Pessoas desequilibradas, crianças e jovens com falta de afeto, seres humanos que recebem mais críticas do que elogios, pessoas com baixa autoestima, crianças e jovens inseguros, pessoas que vivem em lares agressivos, onde pais e mães gritam, falam palavrões e se desentendem, os filhos de mães dramáticas nas atitudes ptraticam o bullying.
Quem sofre o bullying?
Geralmente, os diferentes, os inseguros, os tímidos, os que não se relacionam com os outros, os que não exercem nenhuma liderança no grupo, aqueles que se isolam ou apresentam comportamento muito diferente.
O que fazer? De que maneira a família pode ajudar? Como a escola pode atuar?
Nos lares onde o diálogo é constante, onde pais e mães agem como adultos, onde o limite e a disciplina são rotinas. Lares onde carinho, afeto e a delicadeza de atitudes estão presentes. Nessas famílias é sempre mais difícil encontramos bullying. Escolas que priorizam atitudes éticas, que estimulam a cooperação, que resolvem os conflitos com o diálogo, são mais propícias para convivência saudável.
Na Escola do Amanhã, quando um aluno se desentende com o outro, além da conversa calma e tranquila, propomos que naquele dia cada um dos envolvidos no conflito realize ações de cooperação com o outro. A experiência nos mostra que, após as atitudes positivas serem estimuladas, os alunos se sentem melhores e avaliam as vantagens da cooperação.
Às vezes, converso com alunos que relatam cenas das casas violentas. O pai que bebe além do limite tolerável. A mãe que grita. Os pais que brigam. Os palavrões frequentes. As empregadas tratadas com aspereza. Os exemplos mudam comportamentos, as palavras são ensinamentos apenas.
Entendo que reduzir o bullying desta forma pode não ser muito acadêmico, mas sei também que a alegria, o carinho, a segurança, a autonomia e o aconchego tornam as pessoas mais doces. Percebo que o abandono, o descuido, a mentira e a ausência de comunicação imprimem um sabor amargo à vida. Não tenho nenhuma certeza de que essa reflexão possa diminuir o bullying, mas tenho a impressão que pais e educadores preparados poderão melhorar os comportamentos não desejáveis.