Todos os dias enfrentamos inúmeros desafios e somos colocados diante de várias possibilidades de escolhas. Estes desafios e escolhas são determinantes para que tenhamos sucessos ou fracassos em atitudes corriqueiras.
Há pessoas que aprenderam a enfrentar a vida com leveza, bom humor e tranquilidade; há outras que tornam tudo muito pesado, perdem a calma com frequência e são de um humor insuportável.
As mesmas situações podem ser encaradas de formas tão diferentes que, se refletirmos um pouco, conseguiremos avaliar os resultados dos dois tipos de comportamentos. Vamos chamar de leve o conjunto de atitudes que ajudam a resolver os problemas, agregam pessoas, promovem a cooperação e ainda imprimem a alegria nas relações interpessoais. Vamos chamar de pesadas as ações e palavras que complicam, criam mais problemas, irritam os outros, promovem as discórdias e geram tantos desencontros.
Em um mesmo dia, encontrei duas amigas que estavam com pedreiros em casa, realizando pequenos reparos. A amiga leve me disse: “estou com pedreiros em casa, eles fazem muita sujeira, mas logo acaba. A reforma está ficando ótima. Eles me dão trabalho, mas vai compensar quando tudo estiver pronto”. A amiga pesada esbravejou: “não aguento mais os pedreiros, está insuportável, está um caos. Eu nem deveria ter iniciado a reforma, não vale a pena. Estou ficando neurótica, nem consigo mais conversar com meus filhos.”
Em outro dia, na mesa de uma festa, uma senhora dizia: “eu quebrei a perna. Não existe coisa pior, vou precisar ficar com gesso durante um mês. Os médicos são uns chatos. Estou com um grande incômodo e eles não me receitam nada. Pior de tudo é este calor. Já pedi para todos saírem de perto para não levar patadas”. Outra pessoa, na mesma mesa, imediatamente entrou na conversa: “eu também quebrei a perna no início do ano. Realmente, o gesso incomoda, mas aproveitei o repouso para ler livros e ver os filmes que estavam na lista de espera da minha vida. Juntava todo mundo ao meu redor e realizávamos encontros animadíssimos.”
Encontrei um ex-aluno acompanhado pela mãe. Perguntei como andava a vida. O rapaz logo respondeu: “estou morando em São Paulo, tudo lá é longe, difícil, aquela cidade é um inferno. Odeio a comida da faculdade.” Lembrei-me que meu filho foi para São Paulo aos 17 anos para fazer faculdade. Ele me dizia: “São Paulo é gigante, tem tudo, estou passeando, indo ao cinema e ao teatro. Descobri uns lugares ótimos. Aprendi a fazer comida, venha me visitar, vou fazer macarrão para a família toda.”
Haveria um número imenso de situações semelhantes, que poderiam ser encaradas de diferentes formas. As perguntas que fazemos nos obrigam um repensar:
Como construímos nosso cotidiano?
Como treinamos o nosso o olhar para desenvolver a capacidade de adaptação?
O século XXI imprime uma velocidade intensa em nossas vidas. Assim, como ensinamos nossos filhos a observar e a extrair o melhor de cada momento?
Como provemos o desejo de organizar a vida com entusiasmo?
Se plantarmos morango, colheremos morango. Se nada plantarmos...
Que o céu azul desta manhã, nos estimule a descomplicar nossos atos.
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