“Existe o direito à cidade. O direito do cidadão de viver em harmonia com sua cidade” — Henri Lefvre.
No início do século XX, um mosquitinho chamado Aedes aegypti invadia várias partes do nosso querido país. E o século XX caminhou com uma velocidade de conhecimentos espantosa. O homem chegou à Lua. A Guerra Fria animou os debates acalorados, o Muro de Berlim caiu, a China espalhou seus produtos pelo mundo. Sobrevivemos aos estragos da Ditadura Militar no Brasil, berramos pelas Diretas Já, tiramos um presidente da República do cargo. O cinema, a música, a literatura, a ciência e a política foram se expandindo. A comunicação, a informação e a tecnologia quebraram paradigmas e mudaram as relações interpessoais.
Despencamos no século XXI. Um operário, como chefe maior da nação, projeta o Brasil no cenário internacional. Elegemos uma mulher presidenta — ou presidente (até isto nós discutimos). Vamos sediar a Copa do Mundo. As redes sociais caminham mais rápidas do que os aviões a jato.
E olha só quem reaparece triunfal, forte e soberano! Aquele mosquitinho... Lembram-se do Aedes aegypti? Dando gargalhadas da inteligência humana, debochando da nossa fragilidade, zuando e zunindo em nossos ouvidos, ele ressurge. Retoma seu posto de galã. Vai democraticamente instalando-se nas casas recheadas de vasos com águas paradas, hospeda-se nos quintais cheios de cantos com lixos, entulhos e quinquilharias. Vive confortavelmente nos bueiros sujos, nos terrenos baldios e nas praças públicas.
Multiplica-se e ocupa o espaço aéreo da nossa cidade, com a impunidade dos cidadãos, que não estão preocupados com os gastos e com a saúde pública. Postos de saúde lotados para atender corpos doloridos, febres, molezas e outros sintomas. Empresas e escolas funcionam com menos pessoas em suas equipes. Gastos com remédios, soros, consultas multiplicam-se a cada momento.
Vamos cuidar do nosso lixo, limpar os terrenos, limpar os vasos, não varrer sujeira para os buracos, não jogar copos plásticos, garrafas plásticas, papéis e outros objetos pelas ruas. O rio é fonte de vida e não depósito de lixo.
Precisamos de pessoas mais conscientes que limpem e zelem pelos quintais, mantenham as piscinas limpas, não deixem garrafas acumulando água e ajudem a cuidar das praças públicas.
Em nome do bom senso, da inteligência humana e da cidadania, vamos refletir em torno de uma única questão. O que será preciso fazer para que os cidadãos, o poder público e as instituições privadas entendam que a dengue só existe porque nossa falta de educação nos permite espalhar o lixo e a sujeira por todos os cantos?
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