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Hoje é 18 de Maio de 2012 - Ano 26 - Edição 608

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Blog Recortes

Monica Davi monica.davi@gmail.com
Empresária, produtora cultural, editora do blog Hoje é Dia de Irmã e colaboradora da RM
  • O estado é de procrastinação

    Postado em 19 de Janeiro de 2012 às 13:01 na categoria Crônicas

    ProcrastinandoMal do novo milênio? Não. Certamente não! Veja bem, lá nos idos de 1900 e pouco, Fernando Pessoa em seu poema chamado Adiamento, revelou corajosamente essa coisa de adiar, de deixar para amanhã, melhor, deixar para depois de amanhã. Digo corajosamente, porque tem que se ter coragem para assumir que procrastinamos. É ou não é verdade?

    Tudo começou quando me deparei com a Mônica Waldvogel e o Dan Stulbach assumindo, num programa de TV, que também procrastinam. Claro que me diverti com as histórias de procrastinação deles, mas acabei refletindo sobre o assunto e cheguei a conclusão de que eu também sou praticante da procrastinação. Admito isso sem orgulho nenhum, hein, que fiquei claro!

    A enrolação que fazemos quando temos uma tarefa chatérrima na nossa lista de afazeres é coisa perversa, com o tempo a gente vai se aperfeiçoando em procrastinar. Veja só, eu mesma já usei vários subterfúgios para adiar uma coisa ou outra. Inúmeras vezes protelei atividades maçantes acreditando em desculpas bestas que inventava pra mim mesma. Já elegi outras coisas urgentes pra fazer antes. Já me permiti desacelerar o ritmo às vésperas de um feriado. Pois bem, não tem jeito, temos mesmo é que nos meter com pretextos. Mas aí a coisa toda vai tomando uma proporção e a gente acaba acreditando naquilo tudo. Reconheço que até já imaginei o seguinte: “Nossa, eu poderia pegar uma gripe, ficar com febre, toda dolorida, fungando, de cama, sem poder fazer nada. Quando soubessem do meu atraso na entrega do trabalho todos entenderiam o motivo. Ela estava doente.” Constato, portanto, que sou minha própria sabotadora.

    Ora, tão mais fácil, tão mais simples, tão mais honesto assumir que definitivamente não estamos a fim de fazer isso ou aquilo e pronto, ficamos livre da culpa. Culpa? Nossa, de repente me deu uma dúvida. Será que procrastinar é pecado? Não sei, mas retomo a ideia inicial de que isso não é mesmo coisa do passado. Afinal, será mesmo que hoje procrastinamos porque estamos ainda mais atarefados do que outrora? Você também procrastina?  E seu avô, também procrastinava? Bom, eu acabei de escancarar aqui que sou adepta de tal prática. Vou ver até se começo a tomar Procrastinol para me curar desse desvio de conduta. Será que ele dá algum efeito colateral dos bons? Podia, né?!

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  • Trilogia dos Prazeres de Fim de Ano

    Postado em 03 de Janeiro de 2012 às 18:01 na categoria Crônicas

    Entre as coisas de que gosto bastante, mas muito mesmo, na passagem do ano, nessa época de recesso fervilhante, é eleger algumas coisas favoritas e saboreá-las enquanto espero pelo ano novo. Curto esses dias normalmente chuvosos, quentes e com uma excitação de expectativa no ar, me deliciando com um livro, uma música e algum cheirinho gostoso. Nenhum deles surgiu assim aleatoriamente, quero dizer que não inventei que seriam assim, eles aconteceram de um jeito bacana e decidi então repetir anualmente, secretamente, ninguém sabe disso, pelo menos não até agora. Cada um dos prazeres tem uma historinha bem boa que fiquei com vontade de contar. Acompanhe a Trilogia dos Prazeres de Fim de Ano... rs.
    Ah tá, comecei o ano cheia de inspiração... escreveeendo que só!

    Prazer 1. Livro
    Como nos outros prazeres, com esse também não foi diferente, a coisa toda começou meio que por acaso. Num dia em meados de dezembro o táxi já estava me esperando, quando resolvi que tinha que levar um livro para minhas férias de verão na praia. Apressada, corri os olhos pelas prateleiras do escritório de casa e peguei um livro sem saber muito sobre o que se tratava. Na época morava com meu pai, ele e minha madrasta adoram livros e sempre mantém a disposição uma porção deles. Eu quis devorá-lo rapidamente, mas resolvi que não, afinal o tal livro precisava durar as férias todas. Então li aos poucos, depois do almoço, na rede ou na cadeira de praia, no meio do jardim sombreado e enquanto o sol estava muito forte para ficar na areia ou dentro da água. O livro se revelou um presente que curti nos últimos dias de 2004. Lia, olhava o mar, pensava na vida, suspirava um pouco. Uma delícia. A partir daí sempre leio alguma coisa no fim de dezembro. Mas como disse, tem que ser assim, meio aleatório. Para curtir esse último reveillon, cheguei no Rio de Janeiro dia 26 de dezembro e sem nem um título na mala, mas ansiosa para que alguma publicação me despertasse o interesse, me captura-se. A estante estreita e comprida do quarto de hóspedes, repleta de livros, logo se revelou uma fonte de possibilidades e sem demora encontrei Rosamunde Pilcher, uma senhorinha inglesa que escreve romances simpáticos em meio de descrições deliciosas da paisagem e do clima do litoral do Reino Unido. Já li uma porção de coisas dela e Os Catadores de Conchas continua sendo pra mim, e na verdade pra um monte de gente também, seu melhor livro. Li Sob o Signo de Gêmeos com céu nublado lá fora, chuvisco persistente e esperando por 2012 no sofá. Perfeito! Ah sim, o livro de 2004 foi As Bênçãos do Meu Avô, de Rachel Naomi Remen. Também recomendo. 

    Prazer 2. Música
    Esses tais Prazeres de Fim de Ano devem acontecer necessariamente sem querer, eles devem me arrebatar, mas um deles sempre acaba me deixando ansiosa. Eleger uma música que seja a cara da passagem de ano sempre me angustia um pouco. Quem me conhece sabe que não sou adepta de ficar escutando rádio, detesto os apresentadores, as propagandas e tudo o mais, tão pouco frequento boates e tal. Acabo curtindo o que já está no meu iPhone, conteúdo velho conhecido só com vozes familiares. Então, descobrir uma música nova não é tarefa assim tão fácil pra mim. Mas eis que o acaso se manifesta e isso é sempre surpreendente e maravilhoso, e salva a minha tradição do Prazer de Fim de Ano que deve seguir a regra de surgir de repente. Dia desses, escutando um CD que ganhei um ano e meio atrás e que nem dei muita bola na época, me descubro vidrada por Girando na Renda, de Roberta Sá. Minha maninha caçula deve estar de saco cheio, mas é inevitável, no carro ouço a música repetidamente, acaba e recomeça sem parar e eu acompanho cantando e requebrando os ombros. Puro ziriguidum. Irresistível. A minha música desse fim de 2011! Mas essa história toda com música de fim de ano começou em uma viagem longuíssima de carro. Entre outras coisas me distraía com música, já que o destino nunca chegava, a viagem nunca acabava. Ouvindo a canção Já Sei Namorar, do CD Tribalistas, me lembrei de momentos divertidos com uma amiga muito querida e resolvi vez ou outra repetir a música e ser tomada por uma onda de alegria instantânea com a paisagem do sul do Brasil passando rápido pela janela. Conclui: preciso fazer isso todo fim de ano. 

    Parte 3. Cheiro
    Esse prazer começa no fim de dezembro, mas dura muito. Dizem que nossa memória olfativa é poderosa e que somos capazes de lembrar de coisas da infância só sentindo algum cheirinho familiar. Eu me identifico com essa constatação científica, por isso esse terceiro Prazer de Fim de Ano é pra mim o mais gratificante. Tudo começou quando eu ganhei de presente de Natal da minha maninha do meio, uma sacola com uma porção de coisinhas cheirosas e deliciosas. Das comemorações em família parti direto para o réveillon no Rio de Janeiro, onde passei os últimos dias de 2009 me besuntando com hidratante Granado, “sabor” Salomé, que tinha acabado de ganhar. Delícia. O frasco era grande e o creme durou bastante. Ao longo do ano, depois de cada sessão escorregadia e perfumada, me lembrava da temporada carioca e uma sensação de férias ensolaradas me envolvia subitamente. Puro deleite. Nesse fim de ano a coisa também aconteceu como eu bem gosto, sem querer. Adoro passar um perfuminho à noite depois do banho, mas tem que ser coisa leve, tipo lavanda, bem fresquinha, nada caro nem sofisticado e o meu frasco está bem no final. Depois de um passeio pela loja da Granado aqui no Rio minhas últimas noites de 2011 foram dominadas pela brisa saudosista da Água de Alfazema da Phebo. Delícia!

    Esses são os meus três Prazeres de Fim de Ano que curto silenciosamente, sem fazer estardalhaço, só eu e eles, numa espécie de cumplicidade mútua, eu os adoto e eles me fazem companhia nos últimos dias do ano. Como eles reaparecem ao longo do ano, a sensação de férias, de expectativa e de relaxamento retoma junto com eles e posso gozar então de pequenas doses de prazer instantâneo e delicioso. Gostou? Faz também ué, mas agora vai ter que esperar cerca de 360 dias para isso!

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  • Desabafos de uma certinha compulsiva

    Postado em 20 de Setembro de 2011 às 12:09 na categoria Crônicas

    Certinhas fazem listas de tudo

    Gente, sou tão certinha que dia desses me peguei girando o potinho de iogurte para seguir a risca a orientação no canto superior direito da embalagem que informava no imperativo “ABRA AQUI”. Meu subconsciente respondeu de imediato “OK, TUDO BEM, ABRIREI AÍ MESMO”. Pô, tô condicionada a obedecer tudo, até embalagem de iogurte. Credo! Decidi mudar. Hoje acordei rebelde. Estacionei o carro na contramão na frente de casa. Tomei o suco direto da caixinha e coloquei de volta na geladeira. Não deixei nem um pedacinho do papel higiênico pendurado pra fora do rolo pra facilitar a vida do próximo cagão. Murilo, posso escrever cagão aqui? É que hoje tô rebelde, entende?

     

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  • Nova York por uma observadora apaixonada

    Postado em 03 de Setembro de 2011 às 21:09 na categoria Crônicas

    Dia desses me pediram um guia de Nova York. Melhor, da minha Nova York. Sobre a cidade já existem muitos guias, mas queriam mesmo a Nova York que eu via, gostava e sugeria. E ainda com um desafio, uma Nova York barata, afinal de contas o solicitante era estudante e como tantos outros, tinha pouca grana para se esbaldar na profusão de consumo cultural, material e gastronômico que a Big Apple oferece aos montes. Pois bem, de início pensei em listar passeios baratinhos, restaurantes bons com preço de fast food, entretenimento gratuito. Seria um trabalhão elaborar tal coisa e já existe coisa parecida nas livrarias, mas ok. Cheguei então à conclusão de que Nova York é principalmente para se ver. Ver tudo. Ver todos. O melhor programa? Olhar com minúcia e curiosidade quem passa por ali. Vai pro High Line Park e olhe quem passa pertinho de você, aos pés de sua espreguiçadeira de madeira. Vai pro Central Park e olhe quem corre, quem passa, quem pára. Vai pra Quinta Avenida e, sentada num hidrante de um prédio qualquer, olhe quem passa e quase esbarra em você. Vai pra um café, você pode comprar um café, e olhe demoradamente quem passa na calçada em frente à janela da sua mesa. Vai pra esquina e enquanto espera o semáforo abrir, olhe quem espera para atravessar a rua também com seus iPhones e BlackBerry’s sendo manipulados por dedos incansáveis. Vai pro metrô, você vai precisar ir de metrô vez ou outra, escolha o carro mais cheio e olhe sem cerimônia nenhuma quem entra, quem sai e quem espera. Sabe a coisa de flâneur de Baudelaire? Então, é isso! Mas mesmo assim, logo mais, vou enviar por e-mail a minha Nova York, com uma lista de endereços e tudo.
    Numa rua de NYC

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  • Notícias do início de um ano letivo

    Postado em 09 de Fevereiro de 2011 às 13:02 na categoria Crônicas

    Começo de ano, janeiro e fevereiro, tudo tão previsível. Os noticiários não se cansam de exibir reportagens sobre compra de material escolar e até fazem sugestões do tipo “para gastar menos, não leve os filhos junto”. As papelarias ficam abarrotadas. Mães pra um lado com senhas nas mãos e listas enormes, rabiscadas. Vendedoras pro outro, cheias de produtos nos braços. E crianças sonhando com o caderno-borracha-estojo-mochila mais lindos do mundo-todo-todinho . O maior frenesi. A opinião geral e categórica é: se você não tem filhos em idade escolar, não vá a papelarias até março. Eu vou! Deixei de ser estudante faz tempo, mas morro de saudades. Então eu vou na papelaria e quero vê-la cheia de mães loucas por um desconto, quero vê-la cheias de crianças loucas por uma coisa inútil, quero vê-la com filas enormes nos caixas, quero vê-la com plaquinhas improvisadas “ESGOTADO”. No meu carrinho? No meu cestinho? Só uma agenda 2011 e uns bloquinhos de post-it. Quem sabe uma caneta marca-texto. Nada mais.

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  • Confissões de uma eco-chata

    Postado em 12 de Janeiro de 2011 às 12:01 na categoria Crônicas

    Sou uma pessoa ecológica e gosto disso. Separo o lixo reciclável. Economizo água. Não jogo comida fora. Não desperdiço energia elétrica. Mas dia desses evolui ainda mais... rs. Descobri os prazeres das ecobags!!! Mas antes confesso (sem nenhum orgulho, que fique claro), que não aguentava mais ouvir falar das tais sacolas-amigas-do-planeta. Elas estão por todos os lados e as mais irritantes, pra mim, são as de lona crua com estampa verde de árvore ou coisa parecida! Mas a culpa me impediu de me livrar das que ganhei de brinde (sim, porque nunca comprei nenhuma). No meu surto de arrumação doméstica de começo de ano encontrei as pobrezinhas no fundo de uma caixa e resolvi resgatá-las da inércia. Aí começa minha história de pura devoção às ecobags. Os prazeres, como disse, são inúmeros.
    Prazer 01: Desfilar pelo varejão ou supermercado com algumas delas nos ombros dá um orgulho, a gente fica se sentindo uber-ecológica. De rabo de olho presto atenção se alguém nota minha atitude verde. Passei a olhar as outras donas de casa sem ecobags com certa desconfiança.
    Prazer 02: No caixa, outro prazer sem tamanho é não ter que abrir aquelas sacolinhas-plásticas-irritantemente-difíceis-de-abrir. Assoprar, lamber os dedos, sacudir, as técnicas são diversas e as mocinhas-caixa são experts e muitas vezes nos ajudam na tarefa, mas é puro deleite comparar minha destreza ao guardar as compras na ecobag enquanto os outros ficam as voltas com as tais sacolinhas plásticas.
    Prazer 03: Deixar de fazer várias torções com o corpo do carrinho ao porta-malas, do porta-malas ao carrinho, ou várias viagens do porta-malas à cozinha, da cozinha ao porta-malas, para transportar todas as provisões domésticas rumo ao lar. Com duas ou três ecobags está tudo resolvido. Uma em cada ombro, numa mão outra e na outra mão as chaves de casa. Perfeito!
    Prazer 04: Não ser soterrada pela avalanche de sacolinhas plásticas toda vez que abrir o armário da cozinha. Sim, detesto os tais puxa-saco e prefiro arremessá-las pro fundo do armário.
    Prazer 05: Usar obrigatoriamente saquinhos de lixo brancos, próprios para banheiro nos cestinhos de lixo da casa. Bem bonito, bem chique... rs.
    Ainda falta usar produtos biodegradáveis para limpeza. Mas isso fica para um próximo mergulho verde!
    Opa, um momento, mas aí serei além de eco-chata também biodesagradável? Não sei não!

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  • Curtíssima crônica sobre geléias

    Postado em 14 de Dezembro de 2010 às 10:12 nas categorias Gastronomia, Crônicas

    Adoro geléia! Deve ser uma influência da minha vovózinha que também adora geléia e fazia geléias de morango e goiaba. Gosto de comprar geléia, comer geléia, dar geléia de presente, mas não faço geléias. Apesar de adorar cozinhar, não preparo o doce. Nessa época onde a obsessão por ser saudável domina a cena é no mínimo curioso encontrar alguém que goste e que coma algo cheio de açúcar. A iguaria anda mesmo em baixa. No supermercado que frequento, a prateleira das geléias é mínima e fica em frente aos produtos orgânicos. Tem que ser corajoso para pegar um pote do doce quando do outro lado da gôndola estão os farelos integrais. Dá uma culpa! Não em mim, que fique claro... rs.
    Dia desses, lendo a revista Elle de dezembro, me deparei com um anúncio que me encheu de alegria. Um anúncio de geléia! Como é que fazem um anúncio de geléia numa revista de moda? Fazem. A tradicionalíssima Queensberry, aquela do pote-baixinho-tampa-dourada-conteúdo-delícia, lançou uma linha chamada 100%. O produto contém apenas fruta, não contém açúcar, nem conservantes, nem corantes, nem aromatizantes. A embalagem é toda modernosa, o formato lembra de um certo iogurte de baixos teores. A geléia, que era um doce dos tempos da vovó, pretende atingir um público jovem. Estou com água na boca para provar a novidade mas ainda não encontrei a guloseima em terrinhas ribeirãopretanas.
    Geléia Queensberry
    Ha sim, meu sabor preferido é o de uva!

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