
Procurando peças para assistir em Sampa, me deparei com esta pérola: Pororoca, de Zen Salles, no Teatro do SESI na sede da FIESP (Av. Paulista, 1313 - São Paulo - capital). O espetáculo é resultado do projeto do Núcleo de Dramaturgia do SESI - British Council, que tem selecionado pessoas para trabalharem com grande nomes do teatro brasileiro e inglês.
O autor, Zen Salles, é maranhense e traz um texto original que fala da cultura do seu povo. Como já dizia Lév Tolstói: "Seja Universal, fale de sua Aldeia". No texto ele explora diversos aspectos universais da natureza humana, com uma beleza ímpar. Guardem o nome deste autor, pois ele vai ainda aparecer muito na dramaturgia nacional. Você vai se emocionar, rir, pensar e ainda leva para casa muita coisa para refletir. Foi uma agradável surpresa, pois o mais fácil ao ir a São Paulo é não arriscar, buscando peças com autores, diretores e atores consagrados.
O texto evoca as transformações na vida de uma comunidade com a passagem do fenômeno natural da Pororoca. A palavra tem origem indígena e significa "onda destruidora". A pororoca é mais comum no Amazonas, mas no Maranhão ocorre unicamente no Rio Mearim, onde se passa esta tragicomédia. O fenômeno se dá quando o rio encontra o mar e neste impacto há a formação de uma onda que volta no sentido contrário ao percurso do rio, levando muitas vezes destruição e vidas.
Vale o destaque, além do autor, para os atores. Grandes nomes estão surgindo a despeito das vozes do apocalipse que sempre afirmam que não surge nada bom nesta safra nova, seja no teatro ou em outros campos das artes. Costumo chamá-los de viúvas do Chico e Caetano (e olha que eles estão vivos). Como sempre, vale a pena lembrar que, quem quer coisa boa, tem que procurar.
O diretor do espetáculo é Sérgio Ferrara, já com muitos e bons trabalhos no seu currículo. Fruto do grande celeiro de Antunes Filho, este diretor já coleciona diversos prêmios e reconhecimentos. Certamente sua contribuição foi fundamental para o resultado de Pororoca.
O grande problema: a peça fica só até dia 27 de fevereiro em São Paulo. A grande vantagem: é de alta qualidade e de graça! Corra!!! Como eu sempre digo, algumas vezes não precisa gastar dinheiro para ter acesso a coisas de qualidade internacional.
O espetáculo está em cartaz de quinta a domingo, sempre às 20h. A retirada de ingressos começa às 12h, na bilheteria do teatro.
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