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Folia com adrenalina Em vez de seguir a programação típica do Carnaval brasileiro, muitos ribeirãopretanos aproveitam o feriado para praticar esportes de aventura

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Por todo o país, não faltam localidades paradisíacas para quem faz questão de manter um contato bem próximo com a natureza. Na região de Ribeirão Preto, por exemplo, cidades como Delfinópolis e Altinópolis ou a Serra da Canastra transformam-se no palco preferido de muita gente que gosta de trocar a folia típica do Carnaval por um cenário deslumbrante e muita paz. Ainda mais se esse cenário vier acompanhado de uma boa dose de adrenalina.

Corrida de aventura, canoagem, trekking, trilha 4x4 são algumas das possibilidades. Não importa o esporte, desde que ele ajude a colocar de lado a correria e o estresse do dia a dia para dar lugar à tranquilidade e ao bem-estar.

Nesta época do ano, o celular e o telefone se tornam supérfluos para Caio Affonso, Andrea Berzotti, Sanner Moraes e Leonardo Guerra. Esses quatro ribeirãopretanos, que compartilham características como concentração, força de vontade e curiosidade, costumam tirar férias da cidade e da tecnologia para embarcar em uma rota de esportes e desafios.

Sem destino
Apesar de já ter passado pela Serra da Canastra, por cidades como São José do Barreiro, Delfinópolis, São João Batista do Glória, São Tomé das Letras e muitos outros destinos, Caio Affonso ainda não sabe qual será o seu destino do Carnaval. “Muitas vezes decidimos a trilha durante a semana, pois o 4x4 possibilita os mais diversos tipos de passeio”, conta o apaixonado por trilhas e carros.

O corretor de seguros descobriu essa paixão há um ano, quando decidiu que deixaria a moto de lado, mas a aventura permaneceu em sua rotina. “Abri mão da moto, mas não consegui manter distância da adrenalina, das boas risadas, dos amigos e das lindas paisagens do caminho. Foi quando descobri as trilhas de 4x4”, conta o trilheiro, integrante do grupo Oscarafeia, que reúne amigos que compartilham o gosto pelos destinos off-road.

Para Caio, o mais interessante desse hobby é o fato das viagens serem feitas, muitas vezes, na companhia da família, além da descoberta de novos amigos. “As trilhas, geralmente, são feitas em grupo; não se recomenda sair sozinho por caminhos pouco conhecidos. O ideal é contar com pelo menos três carros. Assim, caso aconteça qualquer emergência por causa dos terrenos acidentados, dos rios e das nascentes que atravessamos, o suporte será rápido. O trajeto pode ter um nível de dificuldade leve, médio ou pesado. Muitas vezes, nos locais onde circulamos, a comunicação com outros trilheiros é essencial”, explica. Além disso, de acordo com o corretor, qualquer pessoa pode participar, desde que tenha um veículo 4x4.

Entre amigos
Andrea Berzotti sempre apreciou o contato com a natureza e de viagens desafiadoras, a lugares mais distantes e inusitados. “Nunca gostei de viajar e ficar parada. Caminhar e conhecer paisagens diferentes sempre me encantou. Mas foi quando comecei a praticar a Corrida de Aventura que o contato com a natureza me fisgou de vez. Em competições, passamos por situações deliciosas, como atravessar riachos, subir e descer morros e remar. Nesses percursos, as paisagens são inesquecíveis”, lembra a jornalista e professora universitária.

Depois de encarar horas de congestionamento nas estradas e de conhecer o Carnaval de Salvador, Andrea escolheu um destino de sossego para este feriado: a Chapada dos Veadeiros. Segundo a jornalista, cada fase da vida, independente da idade, comporta um estilo de folia diferente. “Cada época tem seu roteiro. Continuo gostando de Carnaval, mas hoje fujo de locais com muito tumulto. Ainda assim, pode ser que um dia eu escolha desfilar em uma escola de samba no Rio de Janeiro”, argumenta.

O destino escolhido por Andrea une seu estado de espírito à paixão pela natureza. “Achei o lugar paradisíaco. Alto Paraíso de Goiás, por exemplo, tem muitas cachoeiras, rios cristalinos, piscinas naturais e minas de quartzo, além de possibilitar uma infinidade de esportes. Essa diversidade atraiu minha atenção. A Chapada dos Veadeiros também é conhecida por um misticismo. A região é o coração magnético do país por estar sobre uma das maiores concentrações de cristal de quartzo do mundo. Com certeza, vou voltar energizada”, anima-se a aventureira, que pretende praticar muito trekking durante o Carnaval.

A professora já fez muitas viagens de aventura na companhia do irmão, uma paixão que está no DNA da família. “Quando era criança, meu pai vivia subindo e descendo morro nas praias durante as férias.

Aprendi isso com ele. Mas a corrida de aventura surgiu na minha vida por causa de um convite da equipe Lebreiros. Amei o esporte depois que realizei uma prova. No ano passado, abandonei um pouco as competições por causa da falta de tempo para treinar. Mas, em 2012, estou de volta”, comemora a jornalista. Andrea valoriza o contato com a natureza, o novo e o diferente. Caminhar por horas para se deparar com uma cachoeira ou com uma praia pouco conhecida não é problema para ela, desde que esteja equipada com água e filtro solar.

Corrida de aventura
Acostumado a doses elevadas de adrenalina, Leonardo Guerra escolheu um grande desafio para este Carnaval: concluir a Patagonia Expedition Race, uma prova onde os equipamentos valem a vida. Trata-se de uma das corridas de aventura mais selvagens do mundo, completada por poucos atletas, que tem
na natureza inóspita seu maior adversário.

Geralmente, a corrida de aventura é praticada em quartetos. Os integrantes do grupo precisam realizar diversas modalidades simultaneamente. Canoagem, trekking, mountain bike e orientação através de mapa cartográfico são os desafios propostos. “A Patagonia Expedition possui um trajeto de aproximadamente 700 quilômetros e é considerada a Corrida de Aventura mais perigosa e difícil do mundo. Em dez anos, nenhum brasileiro conseguiu completar essa prova. Pretendemos ser a primeira equipe do país a conseguir essa vitória”, adianta o aventureiro.

Durante o Carnaval, Leonardo vai cruzar a Patagônia, passando por geleiras, rios, florestas, montanhas e importantes pontos geográficos, como o Estreito de Magalhães, o Canal de Beagle e a Cordilheira Darwin. “Para participar desta prova, equipes do mundo inteiro precisam enviar um currículo à organização, checado minuciosamente. Caso algum dos participantes não tenha experiência comprovada suficiente, a equipe fica impedida de participar do roteiro por motivos de segurança”, explica o aventureiro.

O coordenador de Service Desk é atleta de corrida de aventura desde 2004, mas em 1989 passou a dedicar-se ao ciclismo. “As provas de ‘endurace’ (de longa duração) são, para mim, uma espécie de encontro com Deus. Essas atividades proporcionam um contato direto com o que há de melhor e de pior em você mesmo, seus anjos e seus demônios. Não sei explicar por que passamos a gostar de uma atividade tão sofrida, de longa duração, que faz sentir calor, frio, sono, fome, sede e dor. Mas cruzar a linha de chegada tem um sabor irresistível. Só quem já sacrificou sua vida pelos treinos que antecedem as provas consegue entender essa sensação”, declara Leonardo.

Feriado vertical
No calendário de Sanner Moraes de Oliveira não constam feriados, mas oportunidades para novas aventuras. O Carnaval é uma das datas que Sanner costuma programar um novo desafio. Em 2012, a folia será de muito trabalho para ele. “Sou sócio fundador do Grupo Brasileiro de Canionismo (GBCAN) e, em abril, promoveremos o Encontro Internacional de Canionismo, em Delfinópolis e na Serra da Canastra. Aproveitaremos o Carnaval para fazer uma vistoria completa dos cânions que farão parte do encontro”, adianta.

Natural de Furnas, em Minas Gerais, Sanner começou a explorar a natureza ainda na adolescência. “Depois que mudei da minha cidade natal, senti muita necessidade de viajar para explorar a imensidão de possibilidades que a natureza oferece. Em 1996, depois de ver uma foto do meu irmão mais velho, que é bombeiro militar, no alto de um prédio praticando rapel, percebi que, através dessa técnica, poderia chegar a locais de difícil acesso”, lembra o designer e promotor de eventos esportivos e de turismo de aventura.

Para o aventureiro, voar, escalar, atravessar por quilômetros a crista de uma serra ou embrenhar-se nas entranhas de um cânion são atividades que proporcionam uma intimidade única com a natureza. “Muitos preferem baladas sofisticadas e resorts com muito requinte, mas eu fui gostar logo de aventura. A natureza, por sua fauna, flora, geografia e hidrografia, faz com que tenhamos a verdadeira dimensão de sua magnitude e cria uma vontade de interagir que, mesmo com certos riscos calculados, dá um enorme prazer”, explica o apaixonado por modalidades verticais.

Texto: Mariana Secaf | Fotos: Julio Sian
Produção: Marcela Versiani, Marina Casemiro e Pamella Turatti

* Publicado em 16/02/2012

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