Ao contrário de 2011, um ano marcado pela ligeira desaceleração da economia em Ribeirão Preto, empresários de diversos segmentos traçam perspectivas positivas para o ano que começa. Acostumados a superar os desafios operacionais com criatividade, eficiência e muito trabalho, Alexander Wolf, Rui Flávio Chúfalo Guião, Ana Carolina Soares de Carvalho, José Carlos Carvalho e João Marcelo de Andrade Barros projetam um crescimento econômico acelerado não apenas na cidade, mas em todo o país.
Com cerca de três mil projetos de construção aprovados pela Prefeitura de Ribeirão Preto em 2011, o setor da construção civil foi um dos mais aquecidos nos últimos cinco anos. Os empreendedores que atuam diretamente na área estimam que o número será ainda maior este ano. A elevada procura por imóveis de todos os padrões, novos ou usados, deve-se, em grande parte, ao Governo Federal, que aumentou a faixa de renda das famílias que podem se beneficiar do programa Minha Casa Minha Vida. Nas cidades com mais de 250 mil habitantes, o teto de rendimentos passou de R$ 4,9 mil para R$ 5,4 mil.
Com 26 anos de atuação no mercado de incorporação imobiliária de Ribeirão Preto, a Habiarte Incorporação e Construção soma mais de 40 empreendimentos entregues. Nos últimos cinco anos, foram lançados 15 projetos residenciais e comerciais, com sete já entregues, totalizando um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 900 milhões. À frente das diretorias financeira e comercial da empresa desde 2008, João Marcelo de Andrade Barros vê o ano de 2012 com bastante otimismo. Entre diversos fatores, o executivo enumera os juros mais baixos, a manutenção da oferta abundante de crédito, a inflação dentro da meta e o compromisso do governo brasileiro em manter o país com uma taxa de crescimento vigorosa como os principais motivos, apesar dos problemas vividos atualmente pela Europa na esfera econômica. “Há bastante espaço para novos lançamentos e tambem para a valorização dos imóveis”, reforça João Marcelo.
O executivo explica que, por causa do alto índice de déficit habitacional entre as classes de baixa renda, as classe C e D também são foco da construção civil na cidade, mas os projetos lançados possuem menos visibilidade em função de não terem grandes campanhas publicitárias e por estarem localizados em bairros menos conhecidos. Segundo Marcelo, o desafio que as empresas enfrentam no desenvolvimento de projetos dentro do programa Minha Casa Minha Vida atualmente é encontrar terrenos com preços que se encaixem dentro da viabilidade financeira do empreendimento. O executivo destaca um dos principais gargalos do setor: a falta de mão de obra especializada, cuja formação não acompanhou o ritmo dos lançamentos nos últimos anos. João antecipa que a Habiarte tem vários empreendimentos no plano de negócios para os próximos 10 anos e espera lançar, ainda este ano, de três a quatro projetos de alto padrão na Alta Fiusa.
Cautela no comércio
O setor do comércio e de serviços é outra importante mola propulsora do crescimento econômico da cidade. Mas José Carlos Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP) ressalta que o momento exige cautela, por se tratar de um ano de eleições municipais. “Espero que os brasileiros, e os ribeirãopretanos, em especial, votem conscientes e escolham candidatos sérios, com a ficha limpa, que não fazem falsas promessas e que tenham capacidade para contribuir com o desenvolvimento da cidade de forma eficiente, responsável e sustentável”, frisa o presidente.
A ACIRP representa os mais diversos setores da economia em todos os bairros da cidade. Com 6.200 associados, a Associação se propõe ao desenvolvimento econômico e social dos empreendedores e do município, estimulando o desenvolvimento contínuo da classe empresarial da região. “Além da recuperação do crescimento econômico, o setor espera manter o nível de emprego e de renda”, acrescenta Carvalho.
Para o presidente, é necessário que o poder público entenda que, sem planejamento de médio e de longo prazos, nada é possível. Para Carvalho, é preciso parar de planejar a cidade apenas até o final do mandato em vigência. “Além disso, precisamos de um Poder Legislativo atuante na fiscalização do Poder Executivo e também disposto a discutir as principais leis que impactarão no dia a dia dos cidadãos com a sociedade e com as entidades representativas de classe.
Igualdade na indústria
Otimista por natureza, Ana Carolina Soares de Carvalho, diretora-presidente da Café Utam, acredita que 2012 será um ano positivo, especialmente para a cadeia de produção do café. Entre as principais razões desta aposta estão as mudanças tributárias anunciadas pelo Governo Federal, que irá equiparar as indústrias nacionais e multinacionais em relação à carga tributária exercida sobre o café.
Neste cenário, Carolina espera manter o crescimento de 2011, que foi superior a 10%. “Depois de anos em desigualdade, pagando mais impostos do que as multinacionais, poderemos competir em condição de igualdade. Além disso, o consumo de café fora de casa está em forte crescimento, segundo pesquisas da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o que favorece o nosso segmento de foodservice”, aponta a executiva.
A Café Utam, que teve sua marca e embalagens revitalizadas em 2011, comercializa 14 marcas de cafés, sendo nove torrados e moídos, dois em grãos torrados, um de café solúvel, dois de cappuccinos, sachês personalizados e demais itens destinados à nova linha de “foodservice”. “Nosso café em grãos, o Café Utam Gourmet, foi reconhecido e certificado com o selo Gourmet de qualidade da ABIC, título dado para menos de 90 marcas de café em todo o território nacional”, comemora Carolina.
Veículos em alta
Para o setor automotivo, o ano deverá apresentar um ligeiro aumento nas vendas em relação a 2011, em virtude do incentivo ao crédito e da disposição do Governo Federal em manter o crescimento estimulando o mercado interno. A estimativa é de Rui Flávio Chúfalo Guião, diretor-presidente do Grupo Santa Emília, que no ano passado diversificou seu portfólio de marcas de automóveis. Além de representar as marcas Volkswagen e Toyota, em Ribeirão Preto, o grupo também possui concessionárias da Renault, em São Carlos, Araraquara e Rio Claro; da Citroën, em Uberaba (MG), e da Fiat, em Taquaritinga, Monte Alto e Matão. “Nosso desafio este ano é consolidar esta expansão”, afirma Rui Flávio.
O empresário observa que a queda do segmento foi pontual em algumas montadoras, mas que esse fator não atrapalhou a movimentação comercial do Grupo, já que as marcas representadas já se recuperaram. “Portanto, não sentimos muito a queda. As montadoras têm planos ousados para o Brasil, por isso não vejo uma diminuição na produção”, adianta Rui Flávio, que estima um crescimento médio de 5% no volume de vendas.
Com foco na qualidade, no atendimento, na solução do problema do cliente e na rapidez do atendimento, Rui Flávio ressalta que a Santa Emília quer fidelizar o consumidor. “Queremos reforçar o laço de confiança com nossos clientes. Esta é a nossa principal missão”, adianta o empresário. Para isso, as principais ações de 2012 serão dar continuidade ao aperfeiçoamento dos sistemas de relacionamento e construir a nova concessionária Volkswagen, ao lado da Toyota.
Força no campo
Apostando na força do trabalho e da dedicação de sua equipe, Alexander Wolf, diretor da Wolf Seeds do Brasil, antecipa que 2012 começa com planos de investimentos. Instalada em Ribeirão Preto, a multinacional atua no ramo de sementes para produção sustentável, trazendo soluções para pastagens, adubação verde e gramados esportivos. “As sementes para pastagem são o início de uma grande cadeia produtiva do agronegócio. Por meio dela, temos a carne, o leite e seus derivados, o couro, enfim, uma série de produtos indispensáveis, que consumimos diariamente”, explica o empresário.
A construção da nova unidade, às margens da Rodovia Anhanguera, é um dos principais projetos para este ano e contará com uma estrutura sustentável, trazendo benefícios tanto para os colaboradores quanto para o meio ambiente, contribuindo para grandes resultados junto aos clientes. “Por meio das parcerias firmadas com instituições de ensino por todo o país, iremos implantar nosso sistema em alguns dos mais de 65 países para os quais exportamos, levando para esses mercados sistemas de produção sustentável, como a integração entre lavoura, pecuária e floresta”, enfatiza Alexander.
Entre os principais desafios de 2012, o executivo aponta a adoção de técnicas modernas de gerenciamento agropecuário. Maior lucratividade e produtividade gerarão mais lucro ao agricultor em uma área menor, sem degradar o meio ambiente. “Ajustar-se às transformações, estabelecendo estratégias de qualidade, adaptando-se às exigências dos consumidores e do mercado, é uma das principais missões do agronegócio, conclui Alexander.
Texto: Rose Rubini
Fotos: Julio Sian
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