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Harmonia e talento Componente do Quarteto Brasileiro de Violões, o ribeirãopretano Gustavo Costa conquista o Grammy Latino

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O ano de 2011 foi, sem dúvida nenhuma, especial para o violonista Gustavo Costa. Ao lado de Everton Gloeden, Tadeu do Amaral e Luiz Mantovani, o ribeirãopretano conquistou o maior prêmio da música internacional — o Grammy Latino de melhor álbum de música clássica, com o CD “Brazilian Guitar Quartet plays Villa-Lobos”, um feito cobiçado por todos que se dedicam ao universo musical.

Não são poucas as razões para o quarteto se orgulhar da conquista. A primeira é que o feito coloca em evidência, em âmbito mundial, a beleza da obra do brasileiro Heitor Villa-Lobos. A outra razão é que, através do CD do quarteto, o violão, instrumento comumente desvalorizado nos redutos eruditos mais conservadores, apesar de sua tradição remontar da Renascença, a exemplo da “vihuela”, terá a possibilidade de mostrar seus encantos. Já o terceiro motivo é que, entre todos os brasileiros que concorreram e ganharam o Grammy em 2011, somente eles — o Brazilian Guitar Quartet ou Quarteto Brasileiro de Violões — e a banda Pato Fu conquistaram o prêmio por categoria, ou seja, foram considerados os melhores no âmbito continental, não apenas em relação aos conterrâneos brasileiros.

No caso de Gustavo, especificamente, há, ainda, outra razão: poucos ribeirãopretanos conseguiram se destacar em grandes prêmios de música. Antes dele, Bia Mestrinér, em 1996, foi indicada ao prêmio Sharp, atual Prêmio Tim, na categoria Cantora Revelação MPB pelo disco Bia Bossa-Nova, feito em parceria com Roberto Menescal, e Filó Machado, em 2000, foi indicado ao Grammy na categoria “Latin Jazz”, com o CD “Cantando um Samba”. “Por um lado, fiquei extremamente feliz com a premiação, mas no âmbito nacional houve pouca repercussão. De modo geral, a grande mídia deu destaque apenas à música pop e aos artistas que conquistaram prêmios nas categorias específicas de música brasileira”, ressaltou o violonista Gustavo Costa.

Mas, em contrapartida, o trabalho do quarteto teve boa repercussão na mídia internacional. Um exemplo foi a crítica publicada na revista canadense “The Villa-Lobos Magazine” sobre o trabalho vencedor do Grammy: “há uma variedade de ritmos contagiantes, melodias graciosas e às vezes tristes, momentos de angularidade modernista e beleza transcendental, em algumas das melhores obras de câmara do Villa (...). Este disco é altamente recomendado!”.

Talvez, a grande diferença esteja no fato de o Quarteto Brasileiro de Violões ser muito reconhecido no cenário internacional: o grupo foi criado em 1998 e apenas dois anos depois já divulgava sua música em outros países. Após mais de 300 concertos na Europa, na Ásia, na Oceania e nas Américas, com os violões de seis e de oito cordas, tornou-se renomado, mas como “Brazilian Guitar Quartet”. “Na verdade, ficamos um pouco decepcionados. É muito diferente o tratamento que temos nos Estados Unidos e aqui. Lá, somos considerados um dos três maiores quartetos de violão do mundo, juntamente com o Los Angeles Guitar Quartet e Los Romeros”, afirma o violonista. Em média, o grupo realiza três turnês ao ano.

O músico ressalta a surpresa que teve ao participar de concertos com o grupo no exterior: o nome “Brazilian Guitar Quartet” atrai gente de fora do meio erudito para as séries de música de câmara, em salas quase sempre lotadas. “Nunca me senti tão realizado profissionalmente”, revela Gustavo.

O músico compõe o quarteto há apenas dois anos, passando a fazer parte do grupo no momento exato do início da gravação do CD que conquistou o Grammy. Tadeu e Everton, fundadores e idealizadores do quarteto, são de outra geração. Everton chegou a dar aulas para Gustavo nos festivais de Campos do Jordão. Antes da entrada de Gustavo, o quarteto já havia lançado quatro CDs, dois dedicados à música brasileira — “Essência do Brasil” (considerado uma das melhores gravações de 1999 pela Audiophile Audition) e “Encantamento” (2001) — e dois com arranjos inéditos de obras do repertório universal: “4 Suites Orquestrais de Bach” (2000), e “Suite Iberia, de Isaac Albéniz” (2006).

Talento e esforço
Apesar de ter começado a tocar violão aos 14 anos, o que é considerado tarde para as pessoas que fazem parte do meio, a veia artística sempre pulsou em Gustavo, que mostrava, desde pequeno, bastante talento para a pintura. A pessoa que mais influenciou sua decisão pela música foi o irmão Eduardo Costa, que se entregou à arte, mas é aficionado pelo rock. Ele percebeu que Gustavo gostava de música e sugeriu que tentasse tocar algum instrumento. “Comecei tendo aulas de violão popular com Vicente Celestino, depois me interessei pelo erudito e fui estudar com Geraldo Ribeiro de Freitas. A partir daí, a música se tornou o centro da minha vida, não pensava em outra coisa, só tinha dúvida de que poderia atuar profissionalmente como músico”, ressalta o violonista, referindo-se à dificuldade de viver da música. Mas Geraldo transmitiu segurança a Gustavo, que começou a ficar mais atento aos profissionais do meio, até chegar à conclusão de que a carreira na área era totalmente viável.

Graduou-se na Unesp de São Paulo, cidade que deu ao violonista a oportunidade de gravar o primeiro CD “Tocata Brasileira para pinho e arame”, em 1998, em duo com Gisela Nogueira, ele no violão tradicional e ela na viola de arame. Depois, Gustavo seguiu para a Alemanha, onde cursou pós-graduação por três anos, cumprindo mais dois anos na França, ambas as especializações com ênfase em performance. Suas primeiras premiações foram recebidas na Espanha, em concursos internacionais, mas deparou-se com um mercado de trabalho fechado a estrangeiros. Além disso, já havia se comprometido com a instituição financiadora de seus estudos na Alemanha (KAAD) a ministrar aulas em seu país de origem, fatores que o trouxeram de volta ao Brasil.

Apesar de ter conquistado a titulação mais alta em performance na Alemanha, o currículo germânico era exclusivamente voltado à prática interpretativa, o que incentivou Gustavo a complementar sua formação cursando mestrado na ECA-USP, sob orientação Rubens Ricciardi. “Logo que concluí o mestrado, passei no concurso da USP e comecei a dar aulas em 2007. Retornei três vezes à Espanha para participar do Concurso Internacional Andrés Segovia de La Herradura, onde conquistei, em três anos consecutivos, o segundo prêmio”, conta Gustavo.

Para o ano que se inicia, o quarteto prevê mudanças: está em busca de um novo empresário nos EUA; colocará em prática um projeto já aprovado através de Lei Rouanet que prevê apresentações do repertório do CD, tendo como contrapartida aulas e palestras ministradas pelo grupo, que já está trabalhando no novo CD, com lançamento previsto para o final de 2012. “Será um CD dedicado à música espanhola, provavelmente intitulado “Spanish Dances”. Os planos e projetos devem trazer um bom retorno ao grupo, afinal, são poucos os quartetos que têm o privilégio de iniciar uma nova fase tendo como ponto de partida a conquista de um Grammy.

Texto: Carla Mimessi
Fotos: Julio Sian
Produção: Pamella Turatti, Marcela Versiani e Marina Casemiro

* Publicado em 20/01/2012

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