Qual a avaliação sobre os três primeiros anos de sua gestão?
Muito positiva. Em primeiro lugar, quebramos um tabu ao permitir que uma mulher assumisse a Prefeitura de Ribeirão Preto, uma cidade tradicional, criada e administrada durante anos por coronéis. Nos últimos 50 anos, a cidade teve apenas seis prefeitos. Mas a maior vitória foi viabilizar obras que antes ninguém havia feito. Refiro-me a projetos centenários, como o caso das obras antienchentes. Reportagens relatam que desde 1909 Ribeirão Preto convive com as enchentes. Este governo solucionou o problema, não em sua totalidade, porque a obra não terminou, mas teve coragem de resolver o drama de mais de 100 anos de moradores e de comerciantes. Outra ação foi a volta da Agrishow, que já havíamos perdido. Insistentemente, consegui manter a Agrishow. A Cidade do Agronegócio tornou-se a primeira Feira em volume de vendas na América Latina e a segunda em importância no mundo. São 15 km de ruas e de avenidas de uma Feira que recebe 53 países e consegue, em uma semana, vender R$ 1,8 bilhão, o que equivale ao orçamento da cidade. O Shopping Iguatemi também estava indo embora quando eu assumi o governo. A documentação não saía. Foi preciso conduzir passo a passo a volta do empreendimento para cá, o que pouco se comentou. A falta de vagas na área da educação para crianças acima de quatro anos foi zerada. Estamos trabalhando para zerar o déficit para menores de quatro anos. A Havan — conhecida rede de departamentos no sul do país — também está vindo para Ribeirão Preto. O shopping na área central, do lado da Rodoviária, também sairá. Serão mais de 3 mil empregos. Haverá um shopping fantástico com quase 200 lojas, terminal de ônibus, faculdades, prédios comerciais e estacionamento para 4 mil carros. Estamos fazendo a licitação do transporte público depois de 27 anos, com passe livre para 100 mil estudantes da rede pública. O Hospital Santa Lydia é outra conquista. A população de Ribeirão Preto ganhou um hospital depois de 154 anos. Isso é para se comemorar. Estamos construindo banheiros no centro, um dos maiores pedidos da população. São ações que julgo de extrema importância para a cidade, na medida em que trazem empregos, renda e benefícios para os ribeirãopretanos, razão principal do nosso trabalho. Tivemos um salto em conquistas e a cidade chegou, hoje, a 4ª posição do ranking nacional de qualidade de vida, conforme levantamento feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Assista trechos da entrevista com a prefeita:
Quais foram as obras mais importantes do seu governo?
Destaco o Hospital Santa Lydia. É a primeira vez que Ribeirão Preto tem um hospital municipal. Depois de 154 anos, a cidade pode comemorar a conquista de um Hospital com 110 leitos. Outro passo foi a implantação do Cidade Limpa, que, até então, todos achavam impossível, inviável. A abertura da rotatória da João Fiusa com a Presidente Vargas foi outra conquista que solucionou um trânsito que há muito tempo incomodava a população. Além disso, a duplicação da Henry Nestlé, que era solicitada pela população há 20 anos, saiu do papel. Essa ação valorizou a Zona Leste, onde há novos empreendimentos, como um atacadão e novos conjuntos habitacionais. A conquista do viaduto da avenida Henry Nestlé com a Guadalajara também foi importante. Outras realizações são as academias ao ar livre, a ciclovia, a ciclofaixa de parque a parque e em toda a extensão da Via Norte (são quase 7 Km). Estão em andamento estudos para implantação da ciclofaixa em outros locais. A revitalização do Centro de Ribeirão Preto, já na primeira etapa. O Palace, que foi inaugurado 10 vezes mas nunca havia sido entregue, foi finalmente aberto. Foram três anos de conquistas e de soluções de problemas históricos. Urbanizaremos toda a Via Norte, valorizando a região com a implantação de ciclovias e áreas para caminhada.
Alguns projetos anunciados em campanha, como o Doutor Móvel e a licitação do transporte coletivo, demoraram a sair do papel. Por quê?
O Doutor Móvel era um projeto inédito no país e foi necessário desenhar o modelo com a infraestrutura necessária. Desenvolvemos um ônibus com tecnologia, local para depósito de lixo específico, leitura de Raio-X, coleta de exames, internet e comunicação direta. O projeto foi doado pela Rontan, empresa patrocinadora do ribeirãopretano Hélio Castroneves, não teve nenhum custo para a cidade e hoje serve de modelo para outros municípios brasileiros. Já a licitação do transporte público só foi possível agora porque existia uma questão judicial que a administração teve que acatar. Somente depois do término da ação foi possível concluí-lo. Este será um grande projeto, com tecnologia, agilidade e modernidade: frota nova, acessibilidade e a volta dos terminais de ônibus para o centro.
Por que a ampliação e as melhorias do Aeroporto Leite se arrastam por tanto tempo?
Faltou vontade política nesses últimos anos com relação ao Aeroporto Leite Lopes. As administrações anteriores aceitavam as desculpas dos órgãos responsáveis. Esta administração não ficou sentada na cadeira. Enfrentei o Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo, responsável pelo Leite Lopes) e, hoje, trabalhamos conjuntamente. Estamos viabilizando o Aeroporto Internacional, não apenas de cargas, mas também de passageiros. Trabalhamos para ampliar a pista em mais 500 metros na extensão da avenida Thomaz Alberto Whately. Serão construídos restaurantes, livrarias, área de descanso e lanchonetes. Isso só foi possível porque brigamos e cobramos muito. O Leite Lopes já está com uma cara diferenciada, é o que mais cresce em número de passageiros no Brasil. O Governo do Estado de São Paulo percebeu a importância e anunciou investimentos. O próprio relacionamento da Prefeitura com a Infraero tem sido positivo. Recebi um ofício da presidenta Dilma Rousseff dizendo que é possível transformar o Aeroporto em internacional também para passageiros. Sonho em ver a cidade fazendo voos internacionais. Entramos com a documentação para que isso seja possível antes da Copa de 2014. A licitação da TEAD Brasil, empresa que ganhou a licitação há mais de 10 anos e nunca construiu, somente depois de muita pressão, o governo do Estado notificou e exigiu a construção conforme contrato. Isso é fato e a cidade sabe. A previsão é que a obra se inicie nos próximos 30 dias.
Um novo aeroporto em Ribeirão Preto está descartado?
Para este momento, sim. O Leite Lopes ainda terá vida, se receber os investimentos anunciados pelo Estado, para mais 50 anos. Isso depende unicamente do ritmo dos investimentos anunciados, como as desapropriações, o local para o pernoite das aeronaves, oficinas, a vinda da Polícia Federal, da Receita Federal e da Anvisa para que as mercadorias possam ser exportadas diretamente do aeroporto ribeirãopretano. Hoje, isso ocorre via Anhanguera, por Campinas ou Uberlândia. A região de Ribeirão Preto é responsável por 7% da exportação brasileira. Os impostos relativos a esse percentual têm que ficar aqui. A cidade vai gerar mais empregos e a região será fortalecida e beneficiada.
Essa administração herdou uma cidade infestada pela dengue. Para 2012, os órgãos de saúde preveem mais 12 mil casos. Isso deve se confirmar?
A previsão divulgada é apenas uma estimativa. Fizemos esforço no município e, até agora, apenas um caso — gostaria que não fosse nenhum — foi registrado este ano. Contamos com a participação da mídia e dos veículos de comunicação. O combate à dengue é uma questão de saúde pública e a Prefeitura não pode trabalhar sozinha. É preciso que todos os cidadãos sejam soldados no combate à dengue. Ainda há uma grande dificuldade para visitar algumas residências — às vezes é preciso entrar com medidas judiciais para fazer o combate de forma eficiente. Sinto que há uma movimentação muito positiva da mídia, junto com a população, nesta luta contra a dengue. Portanto, continuo pedindo à população que nos ajude nessa causa, que receba os agentes da Prefeitura para que possamos vencer essa luta.
Nos três últimos anos, a Prefeitura fechou as contas no vermelho. O déficit de 2011 chegou a quase 100 milhões. Quais as razões para o desequilíbrio financeiro?
Cansei de dizer que recebemos um orçamento maquiado, o que já comprovei com documentos. Existia dinheiro em caixa, mas era “verba carimbada”, enviada especificamente pelo Governo Federal para pagar obras da União. As contas não estavam orçadas como deveriam, como o caso dos 28,5%, do PASEP, entre outras questões.
A Prefeitura precisava parcelar e enfrentar o problema, caso contrário, a administração deixaria de
receber o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Nem por isso deixei de cumprir todas as obras, os cronogramas e as contrapartidas assumidas com o Governo Federal, como por exemplo, as obras de combate à enchente. Trabalhamos para equilibrar esse déficit.
Por conta do déficit, há recursos para investimentos e obras emergenciais?
Tudo o que será feito está no orçamento de 2012. Acontecem casos emergenciais que precisam ser atendidos e que não estavam no orçamento, mas é necessário buscar recursos. Para isso, buscamos apoio do Governo do Estado e da União. Tudo o que está dentro da dotação orçamentária de 2012 será trabalhado. O Governo nos Bairros deu à administração uma diretriz e a dotação orçamentária reflete o que foi definido nas assembleias realizadas em todos os bairros de Ribeirão Preto, com participação maciça da população. Essas reuniões tiveram um papel fundamental para a definição dos projetos. Eu acompanhei pessoalmente todas.
Quais são os principais investimentos para 2012?
Tenho trabalhado desde 2009, junto com o Governo do Estado e com o Governo Federal, pedindo obras para o recapeamento da cidade. Já fiz diversos projetos, indiquei as principais ruas que precisam de recapeamento, fiz um levantamento dos bairros que necessitam de recapeamento – alguns não recebem asfalto há mais de 40 anos, caso dos Campos Elíseos e de algumas ruas da Vila Tibério. Nesses locais, não tem como tapar um buraco, a camada de asfalto é muito fina, é preciso recapear. A administração tem pedido, tanto ao governador Geraldo Alckmin quanto à presidenta Dilma, através do Ministério das Cidades, verbas para melhorar as ruas da cidade. Este é um trabalho que temos feito de forma incansável, mas que até agora nem o Estado e nem a União liberaram.
Qual é o grande acerto e o grande erro destes três anos?
Temos grandes acertos. Os mais importantes são o combate a enchentes, que castigava os moradores há mais de 100 anos; o Hospital Santa Lydia, com 154 anos de espera; a obra de revitalização da área central, um megaprojeto de recuperação, onde os imóveis históricos estavam abandonados e hoje voltam com uma força muito grande por causa de um trabalho que começa agora, mas ainda leva tempo para ser finalizado; e a licitação do transporte público, já que o contrato era muito antigo e não cabia mais na realidade atual. O novo projeto foi elaborado exatamente conforme os pedidos da população. Serão feitos terminais urbanos, oferecidos ônibus novos para o transporte, com tecnologia de primeira, segurança e agilidade. Não considero erro da administração, mas uma decepção até agora, foi não conseguir sensibilizar o Governo do Estado e o Governo Federal para a necessidade do recapeamento de Ribeirão Preto.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores investiga o seu envolvimento na fraude na distribuição de casas populares. Qual a sua resposta a essas denúncias?
Essa comissão não investiga somente meu nome, mas também o envolvimento de órgãos públicos como COHAB, CDHU e CEF. Os projetos da habitação são feitos pela Prefeitura com o acompanhamento do Estado e da União. Também existe um Conselho de Moradia Popular que acompanha passo a passo os sorteios e a aplicação das regras. O Conselho de Moradia Popular foi implantado nesta administração, com a participação da sociedade civil. A Caixa Econômica Federal cumpre legislação da União, dentro do programa Minha Casa Minha Vida. O CDHU cumpre legislação estadual. O meu nome já foi usado outras quatro vezes nesse tipo de golpe de estelionato para vendas de shows do aniversário de Ribeirão Preto e doações para ONGs e entidades sociais. Fiz boletim de ocorrência e todos foram presos. Espero que o mesmo ocorra neste último caso, envolvendo as casas populares. Já tomei todas as medidas jurídicas necessárias e quem usou meu nome será punido. A população tem que denunciar esse tipo de golpe. Se alguém for vender qualquer coisa, em meu nome ou no nome da Prefeitura oferecendo benefícios, chame a polícia imediatamente pelo 190.
A senhora gostaria de fazer um comentário final?
Gostaria de dizer que as obras da Henry Nestlé, a abertura da Álvaro de Lima — que é o prosseguimento da Jerônimo Gonçalves — , o Hospital Santa Lydia e as obras de revitalização do centro foram realizações feitas em parceria com a Câmara Municipal. Agradeço aos vereadores. Graças à economia da Câmara, foram possíveis esses investimentos. Peço à população que ajude a Prefeitura no combate à dengue. Juntos somos fortes. Também peço a população que denuncie descarte de lixo ou entulho da construção civil em praças públicas ou terrenos baldios. A cidade é a nossa casa e devemos cuidar bem dela. E por último, peço ao governador Geraldo Alckmin que libere o meu pedido de verba para recapear a cidade. Ele pode fazer isso por Ribeirão Preto.
Fotos: Julio Sian
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