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Amor incondicional A fidelidade dos animais numa relação com os homens é apaixonante

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Ao ganhar o primeiro bichinho de estimação uma relação intensa e um forte laço de amor e amizade são criados. Esse sentimento, muitas vezes, incompreensível para outras pessoas, se transforma em lindas histórias de amor.  Para Maria Cristina Dias, jornalista e presidente da AVA (Assossiação Vida Animal), os “amantes” dos animais as vezes são taxados como loucos. “Mas o que é o amor?”, indaga a jornalista. “Amar é amar. Não importa a quem. Um irmão, irmã, namorado, marido. É amar a todos com a mesma intensidade. O amor, sendo um sentimento, acaba sendo explicitado nas pessoas mais próximas, nas pessoas do seu convívio. No meu caso são com os maus animais”, explica.

A jornalista e protetora dos animais tem quatro cães e sete gatos em casa e lembra com carinho de seu primeiro animalzinho de estimação. “Uma galinha carijó! Quando eu morava no sítio da minha família em Cajuru, meu pai criava porcos, cavalos e galinhas, e a única forma de tentar evitar que as galinhas e os porcos fossem mortos era adotando-os pra mim. Mas meu pai sempre me enganava e acabava dando um jeito de abate-los, mas consegui ficar com uma galinha que dei o nome de ‘China’. Ela ficou comigo até morrer bem velhinha”, conta a jornalista.

A galinha carijó “China” foi a primeira relação de amor e amizade com um animal que Maria Cristina teve e lembra que a forma como a ave reagia era surpreendente. “Podem não acreditar, mas ela era a minha protetora e até tinha ciúmes de mim. A ponto de voar pra cima de quem se aproximasse”, lembra.

O amor incondicional dos animais pelos seus donos é, na opinião da jornalista, o que os tornam tão encantadores. “O meu amor não é incondicional. O amor do ser humano não é incondicional. Peço desculpa à minha raça, mas não aprendemos a amar incondicionalmente. Os animais sim. Amam incondicionalmente”, ressalta Maria Cristina que, aos 15 anos de idade, adotou o seu primeiro cão, a cadela Suzy.

“Cresci cercada por animais e, quando fiquei mais velha, já exercendo a função de jornalista, eu vi um anúncio de uma senhora que doava um animal. A forma que essa senhora tratava o bichinho me chamou a atenção. Ela se referia ao animal como se fosse a uma pessoa”, conta. A senhora que doava o cão era Nair Carrera, na época professora e hoje aposentada. Para a jornalista, a professora Nair foi muito importante para a causa animal de Ribeirão Preto. “Foi ela quem doou o prédio para que pudesse ser estabelecida a sede da primeira ONG de proteção aos animais da cidade”. “A Nair deve ter hoje uns 92 anos. Eu a conheci através do anúncio em que ela doava o cãozinho. E a minha curiosidade de jornalista me levou a pesquisar sobre aquela nobre senhora”, explica.

A professora aposentada é considerada por Maria Cristina “a primeira dama da proteção animal em Ribeirão Preto”. Nair é associada até hoje à ONG. O gesto nobre de Dona Nair mostrou como pode ser grande o amor do ser humano aos animais. E foi justamente o amor que levou a funcionária pública Sandra Regina Carraro a adotar Dick. Um cão “temperamental” que, após acidentado e sem os devidos cuidados, teve uma pata amputada e em seguida foi rejeitado pelo dono.

“Não tinhamos mais como manter o Dick na AVA e encontramos a Sandra que se mobilizou com a história do cãozinho”, conta Maria Cristina.Sandra já era dona de três cães e dois gatos quando soube do cãozinho Dick. “Soube que o dono o rejeitou depois que ficou sem a pata traseira. E eu que sempre fui apaixonada por animais resolvi adotá-lo”.

O amor de Sandra pelos animais gerou uma história um tanto quanto curiosa. Há dois meses, a funcionária pública foi diagnosticada com um problema renal que, se não tratado, correria o risco de paralisar um dos rins e a solução para aquele momento seria a internação. “Entrei em desespero no hospital e me recusei a ficar internada. E o médico disse pra eu ficar calma que ia correr tudo bem. Mas disse para ele que o motivo de eu não querer ficar no hospital eram os meus bichinhos que estavam em casa”,  conta.

A solução encontrada pelo médico foi medicar Sandra sem interná-la. “Assinei um termo de responsabilidade em que eu me protifiquei a ir ao hospital duas vezes por dia, durante vinte dias, para me medicar”. Também foi o amor de Sandra pelos animais que transformou Dick, que devido aos maus tratos era um cachorro de temperamento dificil e encrenqueiro, em um cachorro afável. “Dick é tudo de bom”, afirma.

A mudança no corpotamento do cachorro adotado por Sandra surpreendeu até a adestradora de comportamento animal Silvia Zambuzi. “O Dick avançava em outros animais e hoje ele até dorme na cama com a Silvia”, conta a adestradora.

Silvia é geógrafa e consultora ambiental e para entender melhor os animais decidiu fazer um curso de adestradores. A geógrafa saiu de São Paulo para vir morar em Ribeirão Preto e hoje trabalha como voluntária na AVA. “O intuito do meu curso não foi nem pra seguir uma carreira profissional. Foi por amor e pelo fascínio que tenho aos animais. Elas não aprendem com a gente. Pelo contrário, eles nos ensinam muito. Sobre lealdade, fidellidade e amor incondicional. Eles te amarão mesmo que você não tenha nada na vida. Nem mesmo onde morar. Tanto que vemos vários moradores de rua com vários cachorros. Com eles você aprende a se relacionar com as diferenças”, se emociona.

A consultora ambiental e adestradora tem dois cães vira-latas que ela adotou e ela diz que a compreensão de mundo desses animais é algo realmente fora do comum. “Eles são incriveis e, a maneira como nos retribuem o amor é explêndida”, conclui.

Essa matéria integra uma série especial,"As várias formas de amar", feita pelo portal da Revide em comemoração ao Dia do Amor que é celebrado todo dia 14 de fevereiro.

Clique aqui para ler também a matéria "Amor pelo que se faz"

E amanhã, tem mais!

Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Julio Sian

* Publicado em 16/02/2012

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