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Amor maternal Marília Castelo Branco fundou a Associação Síndrome do Amor que dá apoio à famílias de crianças com síndromes genéticas severas que vêm de todo o Brasil

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O amor de mãe é um sentimento sem fronteiras. Às vezes severo, às vezes meigo, mas sempre muito afetivo, é fruto de um 'instinto' que as torna sempre super-protetoras. Foi esse sentimento que levou Marília Castelo Branco a fundar a Associação Síndrome do Amor (ASDA), um local de apoio às famílias de crianças com síndromes genéticas severas que vêm de todo o Brasil.

A história de amor de Marília começou com o nascimento de Thales, um bebê de baixo peso, grave problema cardíaco e com a suspeita comprovada de Síndrome de Edwards, ou trissomia do 18.  “Quando o Thales nasceu eu já era mãe de dois adultos. Me casei com 15 anos e o Thales foi fruto de um segundo casamento. Eu sabia o que era amor de mãe, na verdade achava que sabia”, conta Marília. “Os filhos que eu tinha podiam, de várias formas, atender às expectativas que eu, como toda mãe, tinha em relação a eles, mas o Thales não. Ele não falava, não andava, não podia se alimentar sozinho e não iria nem viver muito. Ainda assim eu amava, amava, amava”, emociona-se. 

As expectativas dos médicos eram de que Thales teria somente 30 dias de vida mas, o amor, o cuidado e dedicação de Marília, prolongaram um pouco a vida de seu filho. “O sentimento e a sensação positiva que ele me causava, e ainda causa, era tão grande que tive a necessidade de compartilhar. O início foi muito difícil e eu me sentia quase que na obrigação de contar pra outras mães que isso mudava, que a gente podia ser feliz, até mais do que antes”, conta a fundadora da ASDA.

Thales, superando as expectativas de vida que lhe deram, ficou ao lado de sua mãe por um ano e meio. E para Marília foi tudo tão transformador que a constatação mais marcante, ela acredita que tenha sido a de que o amor é mais forte do que a morte. “Hoje sou impedida da presença do meu filho e isso é frustrante, mas um dos aprendizados foi compreender que existe uma vontade maior que a minha. Meu filho se mantém vivo dentro de mim e na energia que a lembrança dele me traz. Essa energia é um poderoso combustível para multiplicar a esperança e semear isso para todos os lados”, diz.

Síndrome do Amor
A ASDA (Associação Síndrome do Amor) surgiu da necessidade que Marília sentia em buscar informações, trocar experiências, desabafar e procurar forças pra seguir em frente. Marília então, assim que Thales nasceu em 2004, criou uma comunidade na rede social Orkut, que cresceu rápido. Em 2007 as mães, através da rede social, fundaram a associação. Mas foi quando a associação ganhou, do casal Cristina e Orlando Collucci, o direito de uso de um imóvel, que o sonho pôde se realizar. Hoje o espaço cedido é a sede da Associação, a Casa do Cuidador “Thales Castelo Branco Cassiano”.

O amor
“O amor pra mim hoje é algo muito mais sério. A gente acha que quando se ama, tem que sanar a dor do ser amado. Há momentos em que o sofrimento é inevitável, ele também é parte da vida, e quando amamos suportamos acompanhar a pessoa amada, mesmo sofrendo, a ponto de não abandoná-la. Quem ama de verdade, com responsabilidade e comprometimento permanece ao lado da pessoa amada, porque sabe que a vida é composta de ondas”, confessa Marília, que diz sempre ter acreditado no amor desde menina. “Agradeço ter vivido a ponto de ver as pessoas começarem a perceber que é ele, o amor, a única ‘arma’ que temos para salvar o mundo. E, embora eu adore a ideia de celebrar a semana do amor, acredito que esse sentimento seja um exercício diário. Porque amar não é simplesmente sentir. Amor é atitude!”, finaliza.

Esta matéria integra uma série especial,"As várias formas de amar", feita pelo portal da Revide em comemoração ao Dia do Amor que é celebrado todo dia 14 de fevereiro.

Clique aqui para ler também a matéria "Amor pelo que se faz"
Clique aqui
para ler também a matéria "Amor incondicional"

Revide Online
Texto: Bruno Silva
Fotos: Acervo pessoal

* Publicado em 20/02/2012

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