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Difundindo Cultura O Café Filosófico da CPFL Cultura já recebeu 650 nomes que abordaram diversos temas relacionados à sociedade contemporânea

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Em julho de 2003, uma equipe coordenada pelo cineasta brasileiro Henrique Goldman - o mesmo diretor do longa metragem “Jean Charles” - “invadiu” a casa do professor Zygmunt Bauman, em Leeds, na Inglaterra. A equipe foi reunida em uma parceria entre o CPFL Cultura e o Seminário Fronteiras do Pensamento. A produção, realizada na casa de Zygmunt, desencadeou em várias ideias de discussões para os Cafés Filosóficos da CPFL que viriam a ser desenvolvidos e analisados nos anos seguintes. “Os cafés filosóficos aconteceram a partir da privatização da empresa, no final da década 90. Quando surgiu a necessidade de atualizar os executivos para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Foi criado um programa de requalificação com temas técnicos e das áreas de humanidades. Pouco a pouco, esse programa - embrião do Café Filosófico - foi crescendo até ser oferecido ao público em geral no formato que hoje conhecemos como Café Filosófico”, explica a jornalista do CPFL Cultura, Maria Claudia Miguel. 

Dentre os assuntos abordados durante as mais de três horas de conversa densa e complexa, o professor e sociólogo polaco Zygmunt Bauman, ressaltou a importância e a urgência da reinvenção dos laços humanos. “Nós nos multiplicamos. Nós, a humanidade no planeta, as conexões, as relações, as interdependências, as comunicações, espalhadas em todo o mundo. Estamos agora numa posição em que todos nós dependemos uns dos outros”. A analise foi retirada de parte da entrevista feita pela equipe de Henrique Goldman, que foi compilada em DVD de brinde pela CPFL. 

A CPFL Cultura, desde então, vem realizando Cafés Filosóficos, com pensadores como Gilberto Gil, o cineasta Bruno Barreto, os jornalistas José Arbex Jr. e Marcelo Tas, o cantor e compositor Lobão e muitos outros. Ao todo, 650 nomes já passaram pela mesa dos Cafés Filosóficos da CPFL Cultura e mais de 400 mil frequentadores participaram de debates, saraus, exposições, cinema e performances teatrais, realizadas  nas cidades da área de atuação da CPFL Energia: Bauru, Caxias do Sul, Santos, São Paulo, Sorocaba e Ribeirão Preto.

A jornalista Maria Claudia Miguel - a Cacau -, conta que os Cafés Filosóficos são realizados uma vez por semana, sempre às sextas-feiras, e organizados em módulos (ciclos). “Cada módulo tem a periodicidade média de um mês (de 4 a 5 palestras), com curadoria que propõe o tema geral, os temas específicos e os convidados. As gravações são na CPFL Cultura com transmissão ao vivo pelo site do programa e depois de roteirizados e editados, são transmitidos pela TV cultura, aos domingos”, explica. 

Para a CPFL Energia, segundo a jornalista, o investimento em cultura tem uma dimensão mais ampla do que apenas patrocinar a produção cultural e artística. “Significa reconhecer na cultura o principal elemento estruturante do mundo contemporâneo”, completa.

Breve análise
“Nós temos grandes dificuldades em adivinhar o que vai acontecer conosco no ano que vem. A vida é dividida em episódios. Temos que selecionar um projeto de vida, temos que prosseguir passo a passo de forma consistente, ano após ano, chegando cada vez mais próximo desse ideal[...] Um ‘viciado’ do facebook me segredou, não segredou, de fato, mas gabou-se para mim de que havia feito 500 amigos em um dia. Minha resposta foi que eu tenho 86 anos, mas não tenho 500 amigos. Eu não consegui isso.Mas na internet é tão fácil, você só pressiona delete e pronto. Em vez de 500 amigos, você terá 499, mas isso será apenas temporário porque, amanhã, você terá outros 500, e isso mina os laços humanos. E é uma situação muito ambivalente e, consequentemente, um fenômeno curioso dessa pessoa solitária numa multidão de solitários. Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo. Uma situação muito confusa”, analisa Bauman.

O sociólogo Zygmunt Bauman é um dos mais relevantes pensadores da atualidade. A sua análise da mudança da solidez dos valores modernos para um mundo líquido, fluido, leve, que se caracteriza pela fragilidade dos laços humanos e pelo medo dos vínculos tem auxiliado a redefinir os velhos conceitos que faziam parte das narrativas da vida humana.

Confira o vídeo da Entrevista do sociólogo Zygmunt Bauman

Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

* Publicado em 14/02/2012

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