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Resistência musical Há 20 anos o músico inaugurou um espaço onde pode compartilhar suas músicas com amigos e visitantes

A música faz parte do cotidiano de Helio Penha desde a infância. Criado em meio a viola, piano clássico e cantorias, o músico não poderia ter seguido um caminho inverso. Formou-se em direito, mas optou pela sensibilidade da MPB como fonte de inspiração e renda.

Há 20 anos o músico inaugurou um espaço onde pode compartilhar suas músicas com amigos e visitantes, segundo Helinho, como gosta de ser chamado, o Gula´s e Gole´s é um lugar para preencher a alma e prestar atenção nas nuances das músicas.

Helinho acredita que para se tornar uma pessoa melhor, tem que começar ouvindo coisas melhores e positivas para poder dizer e transmitir coisas boas. Para o músico, a união das palavras com a melodia, tem uma força multiplicada milhares de vezes.

Em entrevista para o portal da Revide, o músico comenta sobre a desvalorização da MPB e sua persistência em levar ao público esse estilo musical.

                                       

- De onde surgiu sua paixão pela música?
Helinho: Vem do meu bisavô paterno, que sumia pelas fazendas vizinhas a cavalo com a viola nas costas e uma troca de roupa, passando por minhas tias do lado materno, todas formadas em piano clássico, e chegando à minha mãe que sempre cantou em casa e nos ensinou (eu e meus irmãos) a prestar atenção nas nuances das músicas enquanto aprendíamos os primeiros acordes.

- A música sempre esteve presente na sua vida em diversos estilos, como você descobriu esse encanto pela música popular brasileira?
Helinho: A paixão pela MBP é porque descobri logo cedo que, ao interagirmos com o ambiente, influenciamos e somos influenciados, portanto temos que ter muito cuidado com isso. Se sou parte daquilo com que me alimento, se a palavra tem força, energia, transformando-se em uma oração, também sou parte daquilo que me deixo escutar e entrar em meu subconsciente.

- Há quanto tempo você toca MPB?
Helinho: Eu comecei em 1998, logo depois de ter entregado o diploma de Direito nas mãos de minha mãe, condição essa, para que eu pudesse me dedicar ao que realmente gosto. Iniciei fazendo os intervalos para o meu irmão mais velho, quando ele tocava pelos bares da região. Em uma dessas apresentações, o dono do bar veio me convidar para fazer uma noite toda sozinho, e desde então continuei levando esse estilo musical para quem quiser ouvir.

- O que não pode faltar no seu repertório?
Helinho: Se essa pergunta fosse feita há alguns anos, a resposta seria: Maluco Beleza, Espanhola, Saigon, Yolanda, Regra Três, Aquarela, Andanças, Papel Marchê entre outras. Hoje a resposta é; tudo aquilo que me dá a certeza de que o público vai gostar e participar junto comigo ao vivo.

- Como é feito o trabalho de sonorização com outros instrumentos durante sua apresentação?
Helinho: Tenho um home estúdio onde crio e gravo minhas coisas, muita paciência e uma incansável busca por timbres novos. Eu me inspirei em bandas como Skank e Pato Fu e passei a usar o notebook no palco no lugar de uma pilha de equipamentos, deixo pronto os sequencers e samplers e uso um vocalist live 4, que é um aparelho que, ligado ao microfone e ao violão, que divide minha voz em até quatro partes, inclusive feminina, somadas à minha voz em primeiro plano.

- Na sua opinião essas tecnologias influenciam na apresentação do músico?
Helinho: Acho que a chave de tudo é conseguir dar expressão, a interação entre músico e máquina tem que ser perfeita, mas nunca de dependência. Hoje as pessoas estão mais atentas, ouvem muito mais, tem mais informação, não se pode achar que se está enganando alguém. Não se deve buscar perfeição com o auxílio digital, e sim, expressão, porque a música não é digitação e sim puro sentimento. A virtualização hoje é uma realidade e o segredo é ‘expressão sem exageros’, dar preferência ao simples.

- Como é compartilhar com seus amigos e o público do Gula´s e Gole´s esse estilo musical?
Helinho: É maravilhoso, porque na maioria das vezes as pessoas estão cantando junto comigo, é uma troca de energia da qual gosto muito. Além disso, o Gula´s e Gole´s é uma proposta pensada para que o público possa se sentir bem, desde o repertório até um belo jardim ao ar livre em contato com a rua de que o ribeirãopretano tanto gosta. O resultado disso é baixar a frequência vibratória, relaxar, descansar de um dia estressante e conhecer seus iguais, sem bagunça, sem discussão, sem gritaria, quem não vibra na mesma faixa se exclui por si só.

- Na sua opinião, por que a MPB não é tão valorizada como foi um dia?
Helinho: Pela insistente e massacrante força da mídia. Manter em evidência letras de conteúdo, artistas inteligentes, pensantes, que contestam o sistema, fazendo a grande massa refletir não é interessante. Existem pessoas inteligentes por trás desta ‘fórmula’ de alienação. Manter um povo atrelado à música apelativa e ao futebol cria gerações de pessoas sem conteúdo, veja o resultado da música com alto volume, não é possível manter uma conversa inteligente, aprender algo mais, pensar pra falar, tudo é monossilábico, e isso vai ser um preço alto a se pagar, e já começa a ser cobrado.

- E o que poderia ser feito para a MPB não se perder em meio às novidades musicais?
Helinho: Na verdade, a MPB nunca vai se perder, daqui a 200 anos, autores como: Cartola, Caetano, Gil, Milton, Chico, Lenine, Benjor, Djavan, Moska, Zeca Baleiro entre outros, estarão tocando em algum dispositivo ultramoderno. Agora, quanto às novidades, pela minha visão, não vão passar desse inverno, mas vão achar outra letrinha outro (a) cantor (a) pra colocar no mesmo batidão e repetir, e repetir, e repetir.

- O que te torna fã desse estilo musical?
Helinho: MPB é só uma sigla que inventaram para tentar definir o que na verdade não precisa de definição, e sim, de sensibilidade. Como músico, eu tenho uma visão mais ampla do que é MPB, vejo que ela engloba ou flerta todo tipo de ritmo, desde a bossa nova ao forró, e é esse caldeirão de ritmos e estilos que forma a melhor música do planeta.  Não tem musica melhor que a nossa, somos invejados, somos um continente enorme e uma mistura de raças que nos torna sem igual. MPB não é o que me prende, e sim, o que me solta.

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação

* Publicado em 11/05/2012

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Comentários

  • Arlene Vasconcelos

    14/05/2012 às 04:05

    Parabénsssssss!

  • Monica

    24/05/2012 às 05:05

    Parabéns! é muito bom saber que temos músicos que pensam e agem dessa maneira; valorizando a qualidade da música brasileira e mantendo" vivos" tantos compositores maravilhosos.

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