Quando saiu de Ribeirão Preto para voltar à terra natal em 2004, onde viveu somente até completar os três anos de idade, a paulistana Myrthes Monteiro sabia exatamente onde queria chegar: ao estrelato. Cantora nata e bailarina desde a mais tenra idade, a artista não demorou muito a delinear o caminho que a levaria em direção à realização de seu sonho: começou trabalhando com Fernanda Chamma, na Companhia Studio Wolf Maia, onde se especializou no estilo Bob Fosse. Na capital, atuou nos espetáculos “O Fantasma da Ópera”, “Sonho e Fantasia” da Disney e “My Fair Lady”.
Foi em 2004, com uma decisão tomada no ímpeto, que Myrthes mudaria completamente o curso de sua história, com a abertura da pré-seleção para cantores e bailarinos interessados em comporem o elenco do espetáculo “O Fantasma da Ópera”. A bailarina, que não havia se inscrito — estava apenas acompanhando uma amiga que iria participar da audição — decidiu insistir com a produção até que lhe permitissem participar da prova, apesar da inscrição. Resultado: entre 12 mil candidatos foram escolhidos seis, entre eles, Myrthes. Em 2005, participou da seleção para o espetáculo “Rei Leão”, que seria montado na Alemanha. “Em 2007, estava embarcando para lá para ensaiar e participar do musical”, conta a bailarina.
O início em terra estrangeira não foi fácil. “Assim que cheguei, tive que aprender três línguas: o inglês, que era o idioma falado no teatro, o espanhol, para conseguir me comunicar no camarim, e o alemão, que passou a ser minha língua corrente e de interpretação nos palcos”, explica. Outro problema de adaptação que encontrou foi o frio intenso.
Depois de “O Rei Leão”, participou da montagem de “Buddy Holly”, interpretando uma das divas do jazz e, posteriormente, tocando violão e no papel de Maria Elena Santiago, a mulher de Buddy. Depois atuou em “Dirty Dancing”, como cantora solista e, no ano passado, em “Cats”, em que fez os papéis de Jemima e de Victoria — a gata branca — a principal bailarina do espetáculo.
Agora, em novembro, leva para o palco alemão “A Dança dos Vampiros”, que terá direção geral do franco-polonês Roman Polanski, diretor que imortalizou o filme em 1967. No espetáculo, será substituta da atriz que interpreta Sarah, o último trabalho da mulher do diretor, Sharon Tate, que foi brutalmente assassinada quando estava grávida, dois anos depois, por integrantes da “Família Manson”.
A carreira de Myrthes teve um início singelo: na música, com as gravações que fazia em estúdio com o pai, já aos três anos; no teatro, as primeiras atuações se deram no palco do Colégio Anchieta e, na dança, começou a desenvolver seu talento na Academia Garima Augusta e no Estúdio Dânia Amaral. “Na infância, do meu lado artístico é que surgiam as brincadeiras”, relembra.
Hoje, aos 25 anos, tem o reconhecimento não só do meio artístico, sobretudo dos diretores, mas do público. “Sinto que estou caminhando para uma carreira sólida. Eles reconhecem meu potencial tanto para a dança quanto para o canto. Os diretores costumam dizer que sou um conjunto dos dois no palco: uma das melhores cantoras e bailarinas”, Myrthes afirma. Mas, apesar de ser grata por tudo que conquistou até o momento, a artista tem planos audaciosos para o futuro. “Quero ser uma superstar, gravar discos, ser conhecida mundialmente e luto todos os dias para chegar lá”, garante.
Texto: Carla Mimessi
Fotos: arquivo
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