Falar em Emilio Pucci remete diretamente a uma estampa geométrica ultracolorida. Sim, é ele mesmo: o estilista italiano que ficou conhecido como “o príncipe das estampas” e criou um estilo único, reconhecido e imitado até os dias de hoje. Porém, é importante salientar que a sua contribuição foi muito além.
De origem nobre, Pucci nasceu em 1914, na cidade italiana de Nápoles e carregava o título de marquês de Barsento. Ele pertencia a uma das famílias mais importantes da aristocracia italiana e estava acostumado ao requinte e à sofisticação da vida florentina. Nas suas criações, a união entre o antigo e o espírito moderno e arrojado ajudou a criar uma imagem fascinante que logo atraiu a imprensa e o fez conquistar muitos admiradores.
Apaixonado por tecidos sintéticos e por esportes, Pucci se lançou ao sportswear desde o início da carreira. De certa forma, o designer italiano revolucionou a moda dos anos 50 com um conceito inédito da união entre o traje formal e o esportivo. Sua intenção era libertar a mulher das vestimentas pesadas e incômodas, facilitando o dia a dia daquelas que começavam a entrar no mercado de trabalho. Ele já havia se tornado, ainda nos anos 50, um fenômeno de moda.
No início dos anos 60, Emilio Pucci e sua mulher Cristina, jovem baronesa com quem se casou em 1959, formavam um dos casais mais conhecidos de Capri a Nova York, passando por Paris e Londres. Suas roupas e os mais diversos acessórios, como bolsas, sapatos, chapéus e lenços, foram usados e fotografados por Lauren Bacal, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy, Marilyn Monroe, entre outras estrelas e personalidades.
Nessa época, ele criou uma revolucionária linha de roupas íntimas em seda strecht que não comprimiam o corpo feminino, o que era comum ainda nesse período para apertar a cintura e evidenciar os seios. A partir daí, surgiram outros desafios, como a criação de uma coleção de porcelana de mesa e, em 1965, a criação de um guarda-roupa completo para as aeromoças da Braniff International, uma extinta companhia aérea texana. E, entre tapetes, louças e toalhas de banho, Pucci desenhou, em 1971, o emblema da missão Apolo 15 para a Nasa e, em 1977, o modelo e o interior do Ford Lincoln Continental.
Sua imagem de moda vanguardista o colocou entre os grandes estilistas nas décadas de 60 e 70. Em época de contestação e libertação femininas, suas roupas de tecidos pintados, estampados e bordados, produzidas com materiais inovadores, privilegiavam a identidade da mulher de seu tempo. Ele criou vários tecidos, como o jérsei de seda, patenteado por ele, assim como o Emilioform, tecido composto por 45% de xantungue e 55% de nylon.
O gosto de Pucci pelo seu ofício o fez, ao lado de sua filha Laudomia, transformar seu negócio em laboratório de pesquisa. Depois de um período de baixa, antes de morrer, em 1992, o italiano ainda assistiu a um retorno inesperado do seu trabalho. Usadas por personalidades como Paloma Picasso e Isabella Rossellini, suas criações ocupavam novamente as páginas das revistas e jornais de moda. E assim segue até hoje.
Fotos: Júlio Sian.
Produção de Moda: Pamella Turatti, Marcela Versiani e Marina Casemiro.
Convidada: Cristiane Hikiji Nogueira, médica.
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