Pequenas atitudes podem fazer toda a diferença. Essa é a premissa do trabalho desenvolvido pelo aposentado Paulo Francisco Pedrazzi. Apaixonado pela terra e pelas árvores, em especial, ele luta para manter a natureza viva em Ribeirão Preto. Pelas mãos de Paulo, vários pontos da cidade onde o concreto predomina ganharam exemplares de jatobás, ipês, paineiras, entre outras espécies. Ao todo, foram plantadas aproximadamente cinco mil mudas em 35 anos de dedicação ao meio ambiente. A ação começou de maneira despretensiosa. “Desde criança, tinha uma ligação muito forte com a natureza. Comecei com uma pequena horta em casa onde eu passava horas e horas. Depois que cresci, passei a ver o descaso de muitas pessoas em relação ao tema. Ninguém, incluindo cidadãos e autoridades, preocupava-se com a arborização do município e com o cuidado que as árvores necessitam para crescer de forma saudável. Como isso me indignava e, como não via nenhum sinal de mudança, decidi agir por conta própria”, recorda-se.
A primeira árvore plantada não foi esquecida. Paulo semeou um oiti, na Praça Sete de Setembro. Ainda hoje, a espécie de grandes dimensões pode ser vista por quem passa pelo local, ao lado de muitas outras, como o pau brasil, a peroba rosa, o jambo, a caramboleira, a amoreira e o pé de tamarindo, a maioria plantada por Paulo. O aposentado tomou tanto gosto pela atividade que transformou essas ações em uma verdadeira missão. Para isso, comprometeu-se verdadeiramente com a causa. Estudou Botânica e, aos poucos, foi se especializando. Nos livros técnicos e nas revistas, descobriu as condições ideais de cultivo, o melhor terreno para plantar e as maneiras corretas para a poda. Todas as lições teóricas foram aprimoradas com a prática constante. Para conseguir as sementes, ele vai até as matas e armazena as mudas no quintal da própria casa. Atualmente, Paulo conta com cerca de 200.
Com uma memória aguçada e a preocupação de quem realmente se importa com o que faz, Paulo lembra facilmente das datas em que suas árvores foram plantadas, assim como as características principais de cada uma. As que ficam na alameda em frente ao Parque Pref. Luiz Roberto Jábali, mais conhecido como Curupira, por exemplo, são uma homenagem ao piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. As mudas foram colocadas no solo exatamente um ano após a morte do ídolo, que aconteceu em maio de 1994. Quem passa pela avenida Costábile Romano provavelmente não sabe dessa história, mas com certeza se encanta com a beleza da paisagem. “Ocasiões especiais merecem ser comemoradas e não há nada melhor do que celebrá-las com o plantio de uma árvore, algo que vai ficar eternizado”, enfatiza.
Desde que se aposentou, há cinco anos, zelar por suas árvores é a tarefa diária de Paulo. “Sei exatamente quais são as árvores que plantei e tenho o maior cuidado com elas. A vigilância tem que ser constante porque muitas pessoas, ao invés de colaborar, fazem questão de destruir nosso trabalho”, afirma. O esforço, segundo ele, vale a pena. “Tenho o maior orgulho de ver minhas árvores crescerem e se misturarem ao cenário urbano. Acompanho todas as etapas com o maior carinho. Com esse trabalho, percebi que quando a gente realmente quer alguma coisa, nada nem ninguém consegue nos impedir”, declara. Porém, segundo ele, as atitudes isoladas não bastam. Seria interessante ver o governo atuando de maneira mais efetiva no processo de arborização municipal, investindo não só no plantio e manutenção, mas, principalmente, na educação ambiental.
A iniciativa de Paulo não passa despercebida. O agropecuarista Francisco Mele Neto mora nas proximidades da Praça Sete de Setembro e costuma fazer caminhadas frequentes no local. Para ele, o trabalho feito por Paulo é um verdadeiro exemplo. “É um prazer, um privilégio passear em meio a todo esse verde. Entretanto, não basta usufruir apenas. A população precisa cuidar do que tem e cobrar políticas públicas mais eficientes em relação a esse assunto. Ribeirão Preto é uma cidade muito grande e muito quente. Por isso, a arborização é fundamental. O que o Paulo faz é notável. Espero que, com esse exemplo, mais pessoas se conscientizem e que a ação se espalhe e se multiplique”, finaliza Francisco.
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