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Palavras que confortam Foi pensando em momentos cruciais que um grupo de voluntários se reuniu e criou uma das Organizações Não-Governamentais mais antigas do país, o CVV

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Sozinho ou acompanhado, difícil quem já não tenha se angustiado com o sentimento de solidão: um vazio interior, uma dor silenciosa que confunde e põe em xeque as crenças enraizadas; que agride a autopercepção e reduz a autoestima, até que sobrem apenas as sensações de desamparo e de abandono.

Quando ela se instala, surge, então, a vontade de falar com alguém, de se conectar com o mundo, mas, com quem falar? Às vezes, sem resposta a essa pergunta, muitos se desesperam e chegam a pensar no suicídio como única alternativa aos seus problemas. Foi pensando nesses momentos tão cruciais e definitivos para o ser humano que um grupo de voluntários se reuniu e criou uma das Organizações Não-Governamentais mais antigas do país, fundada em 1962: o Centro de Valorização da Vida (CVV), um serviço gratuito que tem como principal iniciativa o Programa de Apoio Emocional, prestado por telefone, chat, e-mail, correspondência e até pessoalmente.

Em Ribeirão Preto, a ONG tem 33 anos e conta com 70 voluntários, que doam, no mínimo, quatro horas semanais ao atendimento de cerca de mil pessoas, ao mês, que residem dentro e fora do país. Sem vínculos políticos, a entidade se mantém a custa de promoções, vendas de pizzas, bailes, brechós, contribuições espontâneas, doações de associados e dos próprios voluntários, que acreditam em uma sociedade mais justa e fraterna.

Thelma Costa Martins Penna, uma das porta-vozes do CVV, também atende como voluntária há 18 anos. O suicídio de um amigo foi o que a inspirou a dedicar-se ao trabalho voluntário. “Eu achei que não fui capaz de ajudá-lo e quis aprender sobre as razões que levam uma pessoa a desistir da vida. Aqui aprendi que tinha apenas que acolher, conversar sem perder de vista as emoções e a bagagem de vida da pessoa. Esse trabalho me proporcionou uma visão mais ampla do ser humano e me mostrou uma dimensão diferente da minha responsabilidade frente à situação do mundo”, acrescenta.

O paraense Caco Corrêa Neves também é porta-voz do CVV e voluntário há 15 anos. “Vi o anúncio da entidade e decidi experimentar. No começo achei difícil lidar com vidas humanas, mas acabei me identificando com a filosofia”, explica. O trabalho voluntário despertou em Caco uma nova forma de relacionamento com as pessoas de seu convívio. “Hoje fico mais atento ao que as pessoas falam, aprendi a apurar os ouvidos e a perceber que algumas situações aparentemente corriqueiras não são bobagens e têm muito importância”, ressalta. 

Como retorno, os voluntários recebem ligações como, por exemplo, a de uma senhora que entrou em contato com a equipe dizendo que há anos tinha pensado em desistir de tudo, até que soube da existência de um grupo de valorização da vida. Com o telefonema, ela agradecia pelo fato de estar, naquele momento, com o neto no colo.

Uma resposta às angústias

Algumas das palavras de conforto que uma pessoa pode receber ao telefone ao entrar em contato com o CVV são proferidas por Maria Antônia. Depois que os filhos cresceram, finalmente teve a chance de realizar um antigo sonho: ser voluntária. Certa vez, uma amiga que já fazia parte do CVV viajou com Maria Antônia para Santos, mas como tinha plantão de atendimento na ONG de São Paulo, deixou o grupo, retornou à capital e, somente depois de cumprir seu plantão, reuniu-se novamente aos amigos na praia. Aquele gesto comoveu a atual voluntária, que passou a se dedicar à ONG há sete anos. Maria Antônia destaca que é muito ruim precisar conversar e não ter com quem. “Sentimos as pessoas aliviadas depois de falarem conosco. No momento em que ligam, o desabafo é muito intenso. Não fazemos perguntas, apenas facilitamos para que ponham as angústias para fora. A gratificação, segundo Maria Antônia, está em sentir-se útil. “Garanto que nos sentimos valorizados por poder ajudar”, conclui. O CVV se localiza a Rua Mariana Junqueira, 729. Ligue para o tels.: 141 ou (16) 3636.4111 ou entre em contato pelo site www.cvv.org.br.

* Publicado em 16/12/2011

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