Professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Orlando de Castro e Silva é uma daquelas pessoas que, antes mesmo de ingressarem em determinada carreira, tem estabelecida suas metas. Natural de Marília, São Paulo, conta que, ainda estudante de Medicina, já sabia que se especializaria em fígado. Como monitor de anatomia, passava horas no laboratório simulando cirurgias do sistema digestivo e do fígado. “Naquela época, havia poucos trabalhos sobre o tema. O primeiro transplante aconteceu nos Estados Unidos, em 1967 e, desde então, acompanho a evolução”, afirma o especialista. No início da carreira do médico, os diagnósticos ainda eram difíceis. “A situação melhorou com os equipamentos de diagnóstico por imagem”, lembra. No final do segundo ano de residência em cirurgia, Orlando foi convidado a continuar na Faculdade, iniciando pós-graduação na área, com foco nos recursos para transplante e tratamento de doenças do fígado.
No ano seguinte, foi contratado como docente. “Fiz mestrado e doutorado e, em seguida, mudei para São Paulo, onde já se fazia transplantes de fígado. Passei algum tempo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde me aperfeiçoei em cirurgias hepáticas e entrei definitivamente em contato com os transplantes”, recorda o especialista, que trabalhou na Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, por três anos. Em 1992, voltou a Ribeirão Preto e prestou concurso de Livre Docência na FMRP-USP.
Cidadão riberãopretano desde 2007, é o atual chefe do Departamento de Cirurgia e Anatomia e da Divisão de Cirurgia Digestiva e Transplante de Fígado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), além de ser o coordenador do Grupo Integrado de Transplante de Fígado da mesma instituição, atividades que desempenha para manter o alto nível do transplante de fígado na cidade.
O primeiro procediento do gênero feito no HC de Ribeirão Preto aconteceu em maio de 2001. “Deu certo, o que foi muito importante para a credibilidade do grupo. O paciente logo recebeu alta hospitalar. No mesmo ano, fizemos quatro transplantes. Nos primeiros três anos, foram 13. Quando ficamos sem equipe de anestesistas, viajamos a Coimbra, em Portugal, para aprender e vivenciar essa prática”, explica o médico, que atuou na Universidade de Coimbra. Também esteve em Barcelona, na Espanha, campeã mundial em número de transplantes por milhão de habitantes. “Os espanhóis possuem um sistema de captação de órgãos muito bom, modelo diferente do que eu aprendi em São Paulo”, observa.
Segundo Orlando, não é fácil implementar uma prática inovadora como o transplante de fígado em uma instituição, principalmente por se tratar de um procedimento multidisciplinar. “Visitamos vários centros no Brasil, maiores e menores do que o nosso, e percebemos que as dificuldades eram as mesmas”, aponta.
Além disso, foi a partir de 2004, ano que se tornou professor titular da FMRP, que houve um aumento substancial do número de transplantes. “Eram cerca de 40 ao ano, durante três anos seguidos, com resultados comparáveis aos bons centros do mundo”, acrescenta o especialista, frisando que assim também ocorreu até 2010, quando a Central de Transplantes do Interior correu o risco de ser desativada. “As listas de receptores eram separadas entre capital e interior, mas havia a intenção de unificá-las em São Paulo. Por liminar, a central permaneceu em Ribeirão Preto, onde foi criada.
Posteriormente, a lista foi unificada, com um critério de pontuação de gravidade acima de um determinado valor estabelecido pela Secretaria Estadual de Saúde”, conta o médico. A mudança diminuiu a quantidade de transplantes realizados em Ribeirão Preto, de 40 para 16 ao ano.
O transplante de fígado é financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Após o diagnóstico, o paciente é encaminhado a um grupo de transplantes, onde calcula-se o índice de Gravidade para Doenças Terminais do Fígado, pela fórmula MELD, sigla em inglês de “Model for End-Stage Liver Disease”, que considera apenas alguns fatores. “O MELD precisa atingir 15 pontos para que o transplante seja realizado. Mas isso não significa que pacientes com índices mais baixos não sejam graves”, explica Orlando, que não concorda integralmente com o critério. “Em São Paulo, o MELD é muito alto. Com a unificação da lista, é natural que os receptores da capital sejam, de certa forma, priorizados. É preciso cobrar um tratamento adequado, justo e igualitário da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, afirma o médico.
Prática médica
O HC-FMRP-USP tem os alicerces e as condições para realizar cirurgias de alta complexidade como transplantes de fígado. Entre novembro de 2010 e novembro de 2011, a equipe ganhou três prêmios: Dr Eduardo Carone Filho, durante o I Fórum Internacional de Transplantes da Faculdade de Medicina – USP; Departamento de Cirurgia e Anatomia da FMRP-USP, no XII Congresso Brasileiro de Cirurgia Experimental e Sociedade Brasileira para o Progresso da Pesquisa em Cirurgia (Sobradpec); e pelo Melhor Pôster, no XII Congresso Brasileiro de Cirurgia Experimental. Além disso, a Liga de Cirurgia e Transplantes, órgão ligado ao Centro Acadêmico Rocha Lima, da FMRP, que conta com a participação de estudantes, desenvolve um papel importante, não só na conscientização da população, mas também junto aos diversos profissionais da saúde e junto ao poder público.
Nenhum comentário para esta matéria.
Mesmo com previsão de ser 15% menor, a safra 2012/2013 será a 6ª maior em 25 anos
A Revide prepara uma edição especial que apresenta homens e mulheres de destaque
Confira os representantes da música que estarão na Feira do Livro
Aliança Gastronômica de Ribeirão Preto busca profissionalização do setor alimentício
Salão do Imóvel e Feirão da Caixa criam condições especiais de compra
O veludo firma-se como tecido da temporada e reina nas araras das lojas
O canionismo é um esporte seguro que valoriza o trabalho em grupo