Chacinas de animais; uma cadela constantemente embriagada e violentada pelo dono, com o fígado destruído pela bebida; um cachorro com 40% do corpo com queimaduras de 3º grau, resultado de um banho de óleo fervente; Maradona, um pit bull dócil, brutalmente espancado e violado a pau e prego; cavalos esgotados que agonizam nas ruas, cheios de feridas, devido ao trabalho pesado sem a contrapartida da alimentação e dos cuidados apropriados. Essa é a realidade com a qual voluntários de ONGs dedicadas à preservação da vida animal se deparam todos os dias.
Semelhantes a outras histórias de atrocidades sofridas por animais em todo o mundo, estas aconteceram em Ribeirão Preto. A primeira, no Alto do São Bento; a segunda. no Jardim Paulista; a terceira, no bairro Manoel Penna; a quarta, no Jardim Novo Mundo, e a quinta ocorrência, bastante comum, já teve como cenário diversos bairros da cidade.
As ONGs de defesa aos animais têm, basicamente, o mesmo perfil: dão assistência a todos os tipos de animais; cobram da Prefeitura ações relacionadas ao gênero; promovem o controle populacional realizando castrações; conscientizam a população sobre a importância da guarda responsável; oferecem serviços ambulatoriais e de encaminhamento à adoção.
A Cãopaixão existe há dois anos. Presidente da ONG, Ana Cláudia Garcia Vicente afirma que as pessoas têm adquirido um número cada vez maior de animais, mas não se preparam para recebê-los. “As pessoas levam os bichinhos para a casa, mas se esquecem que os animais exigem cuidados e atenção. As agressões sempre aconteceram, mas hoje, a diferença é que, graças à internet e ao destaque dado pela mídia, a ficamos sabendo. As pessoas não têm noção de que bater no animal é crime”, ressalta.
É justamente em função dessa constatação que as ONGs protetoras dos animais têm se mobilizado. Um exemplo foi o evento “Crueldade nunca mais”, realizado na Esplanada do Theatro Pedro II, no dia 22 de janeiro. Viviane Alexandre, diretora da Associação Vida Animal (AVA), que atua há 15 anos em defesa dessa causa, acrescenta que a lei 9605/98 trata de crimes ambientais e prevê de três meses a um ano de detenção e multa. “Mas, na prática, o agressor acaba sendo enquadrado na lei de pequeno potencial ofensivo e paga por seu crime com cesta básica. Nos mobilizamos para conseguir a aprovação de penas mais severas para pessoas que cometem maus tratos”, acrescebta Viviane. Muitos desses fatos ocorrem porque, ao levar um animalzinho para casa, as pessoas se esquecem que estão adotando um ser que adoece, sente dor, fome, frio e envelhece. Quando percebem isso, perdem a paciência, acabam maltratando e querendo se desfazer dele, condenando-o ao abandono.
Patrícia Pavia Liceras, diretora e veterinária do Projeto Murilo Pretinho, que atua há quatro anos, estima que, segundo o Instituto Pasteur, existam, hoje, 100 mil cães e 40 mil gatos em Ribeirão Preto. Levantamentos demonstram que, para cada pessoa que nasce, vêm ao mundo 15 cães e 45 gatos. Estudos apontam que se nada for feito, no futuro, haverá mais animais do que pessoas nas cidades. “É por isso que temos de conscientizar a população sobre a guarda responsável. As pessoas não entendem que o nosso trabalho não é voltado só àqueles que gostam de animais e querem protegê-los. Na verdade, nosso trabalho é feito para a própria comunidade, é uma questão de saúde pública”, conclui. Denuncie os maus tratos, ligando para a Delegacia de Proteção aos Animais pelos tels.: (16) 3610.6067 e 181 (denúncia anônima).
Os Mandamentos da Posse Responsável de Cães e Gatos
1. Para adquiri-los, veja se a família está de acordo, se pode mantê-lo e quem pode cuidar dele nas longas ausências.
2. Privilegie a adoção em abrigos públicos e privados e evite comprá-los por impulso.
3. Verifique se as características físicas e as necessidades psicológicas do animal combinam com o espaço disponível e com o que você pode proporcionar.
4. Nunca os deixe soltos na rua. Cães precisam passear, mas na coleira e com alguém que
possa contê-los.
5. Forneça abrigo, alimento, vacinas, visitas constantes ao veterinário, banhos, escovação e exercícios regulares.
6. Dê atenção, carinho e ambiente adequado.
7. Eduque-os, se necessário, adestre-os, mas respeite suas características.
8. Recolha e jogue os dejetos em local apropriado.
9. Identifique-os com plaquetas e registre-os no Centro de Controle de Zoonoses.
10. Evite crias indesejadas, castrando machos e fêmeas.
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