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Leitura obrigatória Professores e alunos questionam a alteração de quatro obras na lista unificada dos livros para os vestibulares da Fuvest e Unicamp

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Os estudantes que vão prestar vestibular nos próximos três anos devem estar atentos às mudanças de algumas instituições. A Fuvest, responsável pelos vestibulares da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou no dia 19 de janeiro  a lista unificada dos nove livros de leitura obrigatória para os próximos vestibulares (2013, 2014 e 2015). A nova lista tem quatro mudanças em relação à anterior, solicitada nos vestibulares de 2010, 2011 e 2012. Saíram “Auto da barca do inferno”, de Gil Vicente, “Iracema”, de José de Alencar, “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, e “Antologia Poética”, de Vinícius de Moraes. As obras foram substituídas por “Viagens na minha terra”, de Garrett, “Til”, de José de Alencar, “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis e “Sentimento do mundo”, de Drummond.

Segundo o escritor Luiz Puntel, professores e escritores têm questionado a mudança. “Os alunos vêm lendo os livros, que estavam há anos na lista, já no primeiro, segundo e terceiro ano do Ensino Médio. Com a mudança de quatro livros, terão que retomar as leituras, e de maneira rápida. Não só eles, mas também os professores da área de literatura. O que se questiona é porque mudaram quatro livros, quase 50% da lista de maneira intempestiva e porque não mudaram um livro há dois anos, outro no ano passado, e outro agora neste ano”, explica.

A estudante Laura Paulino vai prestar vestibular esse ano e já iniciou a busca pelas novas obras. “Já vi a nova lista unificada e achei interessante, mas por enquanto li apenas um dos livros que entraram na lista. Essa alteração muda apenas o ritmo dos estudos, uma vez que eu já havia lido todos os livros da lista antiga”, conta a estudante.

A universitária Luísa Paulino, que está auxiliando a irmã nos estudos, acredita que uma boa pesquisa e uma leitura atenta seja a melhor forma de iniciar a análise dos novos livros. “Conheço alguns dos novos livros e por curiosidade já li alguns deles, na minha opinião, essa mudança é uma forma de renovar o que é cobrado nos vestibulares”, aponta.

Segundo Puntel a alteração de tantos livros não auxilia na metodologia de estudos dos vestibulandos. “Esta mudança não é válida. Mesmo porque saiu Iracema, de José de Alencar, mas entrou Til, um livro que não é nada significativo das obras de Alencar. Outro livro que causa certo desconforto é Viagens na minha terra, de Garrett. Trata-se de um livro de 1.840, que embora “converse” com Memórias Póstumas, de Machado de Assis, que voltou à lista, é um texto mais para estudiosos do que para estudantes. E afirmo que “conversa” porque Machado leu Garrett, que leu Xavier de Maistre e Laurence Sterne. Mas Machado é genial, por ser realista, mas Garrett apenas conta uma história ultra-romântica, que hoje não tem o apelo que necessitaria ter para os candidatos. O terceiro livro é Sentimento do Mundo, de Drummond, que reúne, na verdade, as três primeiras obras de Drummond, com mais de 100 poemas para serem analisados”, explica.

Laura acredita que a determinação do aluno e o foco do professor são fundamentais para que essa alteração não prejudique a rotina de estudos. “Acho que as dúvidas sobre os novos livros vão surgir durante a leitura, como eu já li as obras da lista anterior fica um pouco mais fácil ler e analisar essa nova literatura, agora é me preparar de todas as formas, pois a única coisa que eu não terei é a base das perguntas que eu tinha antes da mudança”, comenta Laura.

“Serão cerca de mais de 700 páginas de leitura obrigatória. As próprias editoras terão dificuldade de agilizar a impressão dos livros, assim como foi com a Antologia de Vinicius de Moraes, que entrou e saiu da lista com uma rapidez que não se entende. Ficou apenas dois anos na lista. Os textos de Alencar e de Garrett não têm um apelo de leitura pelos jovens. O de Alencar é repleto de adjetivações desatualizadas para o leitor do século XXI, e o de Garrett também apresenta uma “datação” do século XIX, que não aguça a curiosidade dos candidatos. É leitura para estudiosos, não para estudantes”, ressalta o escritor.

A relação unificada de livros do vestibular da USP e da Unicamp vale por três anos. As comissões das duas universidades entendem que, assim, os candidatos conseguem ler e analisar as obras durante o ensino médio.

Dica de leitura
O escritor comenta sobre como o aluno pode facilitar a leitura. “A dica é que planeje a leitura, apesar da discussão e análise que os professores da área promoverão”, comenta Puntel.

Para a estudante Laura Paulino, estudar bastante, manter o foco e saber qual o melhor método de estudos é o inicio de uma possível vitória. “Como já iniciei a minha rotina de estudos preciso apenas me adaptar aos estudos diários”, ressalta.

E para quem já passou pela pressão do vestibular, ter certeza do curso e da faculdade que escolheu é o principal. “Não desistir, acredito que essa é a primeira coisa que os futuros universitários devem pensar. Não simplesmente deixar para trás e entrar na faculdade que for mais fácil, às vezes é melhor ficar um ano estudando e entrar no curso que te levará à profissão de uma vida inteira.”, conclui Luísa.

Lista unificada de livros do vestibular 2013 da Fuvest e Unicamp

Revide Online
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves

* Publicado em 14/02/2012

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