Isabelli, Ana Beatriz, Giovanna e muitos outros jovens compartilham uma paixão muito comum entre os adolescentes: a mania por literatura internacional. As sagas de Harry Potter e Crepúsculo estão entre as tramas que passaram a fazer parte do dia a dia das estudantes, que ficam horas lendo essas e outras histórias. Além delas, consagrados autores também fazem a cabeça de diversos jovens.
A falta de escritores contemporâneos de qualidade fez com que Augusto Delarco, de 17 anos, enxergasse a literatura com outros olhos. “Sempre fui curioso e queria saber como um russo vê o mundo ou um americano analisa um fato. Para isso, fui buscar livros de escritores internacionais, como a ‘A Santa Joana dos Matadouros’, de Bertolt Brecht”, conta o jovem, que já leu todas as obras clássicas nacionais mas atualmente dedica-se a livros estrangeiros nos momentos de lazer. Para ele, há muito tempo não aparecem escritores com uma visão mais romântica e interessante, como Machado de Assis e outros ícones.
O mesmo acontece com Isabelli Schineider, de 15 anos. A mania de leitura começou cedo na vida da adolescente. Aos 10 anos, descobriu o gosto pelas palavras escritas e não parou mais. “O livro ‘A Princesa Feia’ marcou essa fase da minha vida. Depois disso, passei a me interessar mais por literatura. Hoje pesquiso lançamentos, leio obras de diversos gêneros, passo horas nas livrarias para escolher qual será a próxima história a que vou me dedicar”, explica.
Ana Beatriz Barissa, de 16 anos, também é apaixonada por livros. Uma demonstração dessa dedicação está dentro de sua bolsa, que sempre carrega uma obra ao alcance das mãos. Para ela, as histórias servem para relaxar, distrair e aguçar a criatividade.
Entre os preferidos das leitoras estão os livros “Eu Sou o Número 4”, de Pittacus Lore; a série “Percy Jackson”, de Rick Riordan, Agatha Christie e muitos outros que têm uma característica comum: são estrangeiros. “Essas obras são mais leves, com tramas que prendem e um vocabulário mais suave”, explica Giovanna Ponton, de 12 anos. Segundo as meninas, ainda não há novos escritores nacionais com essa mesma linguagem, que provoquem tamanho envolvimento com cada história publicada. “Talvez seja a hora de escritores brasileiros começaram a enxergar o grande potencial dessa área. Adoraríamos ler obras nacionais com o mesmo perfil”, conta Giovanna Scaglione, de 12 anos.
Apesar da preferência, as adolescentes têm consciência da importância da leitura de obras nacionais. “Os livros de Machado de Assis, de Carlos Drummond de Andrade, de Clarice Lispectos, entre outros, são mais complexos, portanto, exigem mais atenção e dedicação. Mas por isso mesmo são essenciais para uma boa gramática e para a ampliação da cultura”, explica Beatriz Schineider, de 12 anos.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Carolina Alves
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