A volta às aulas é acompanhada sempre de uma velha preocupação dos pais: a do peso ideal para a mochila dos filhos, pois o sobrepeso, com o passar dos anos, causa má postura, pode acarretar em dores na coluna e alterações no caminhar, problemas de difícil solução. Em alguns casos mais críticos, as mochilas pesadas podem até lesionar as placas de crescimento dos ossos atrapalhando o desenvolvimento da criança.
“O peso influencia no crescimento, pois a criança que se encontra em desenvolvimento irá adquirir uma má postura e tensões musculares levando ao desalinhamento postural, com isso, a criança terá consequências físicas mais graves do que motoras, pois sua postura será conhecida como “postura desleixada” onde o pescoço se projeta para frente junto com os ombros levando à lordose da coluna torácica. No caso do desenvolvimento motor a pessoa irá se adaptar a sua condição atual, sendo que grupos musculares podem entrar em graus deficitários”, explica o fisioterapeuta Marcelo Neves Nicoleti.
Segundo a pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) 85% das pessoas tem, tiveram ou terão dores nas costas provocadas por problemas na coluna. Mas poucos sabem que essa dor pode estar relacionada ao peso da mochila que a pessoa usou na escola.
A fisioterapeuta Dayana Santos Brito de Paula conta que sua filha Giovana, já usou mochilas nas costas e durante esse período passou a reclamar do peso. “Atualmente ela usa mochila com rodinhas, mas já optei pelo modelo que é colocado nas costas e durante os três meses de uso minha filha se queixava de dores na coluna, por esse motivo resolvi procurar algo prático e que não a prejudicasse”, afirma.
O excesso de peso nas mochilas é um problema que merece atenção, além de dores nas costas, ele resulta em patologias como artrose precoce, má postura, escoliose, hiperlordose entre outros.
“O maior problema é a postura que irá levar a alterações da coluna, essas alterações podem ser para toda a vida, praticamente todos nós já vimos algum idoso corcunda e muitas vezes essas alterações podem ter sido desenvolvidas de quando eram crianças, no caso do ‘corcunda’ ou seja, com lordose a criança poderá desenvolver dores nas costas, alterações na respiração pelo fato da alteração do gradil costal, alterações das costelas entre outros”, conta o fisioterapeuta.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que o peso da mochila não pode ultrapassar 10% do peso da criança, ou seja, uma pessoa de 30 quilos não pode carregar mais do que três quilos de material. Ainda segundo essa pesquisa, atualmente as crianças carregam mochilas que pesam de 30% a 40% do peso indicado.
A professora do Ensino Fundamental I, Larissa Menara conta que esta sempre atenta aos materiais usados pelos alunos, e como indica a conduta escolar, os alunos carregam nas mochilas apenas os materiais usados para realizar as tarefas de casa.
A orientação de pais e professores sobre o peso ideal da mochila das crianças é de extrema importância para a saúde e a rotina escolar. Mochilas de rodinhas, pastas e armários são algumas opções para diminuir o peso e evitar problemas futuros.
Acompanhar a rotina escolar dos filhos é a melhor forma de ajudar a corrigir o excesso de peso. “Podemos ajudar fazendo com que as crianças organizem suas mochilas dia a dia com os materiais que serão realmente úteis para o dia seguinte, ou seja, se elas vão ter aula de matemática, português e ciências, devem levar apenas os materiais destas aulas”, conclui o fisioterapeuta Nicoleti.
Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves
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