O número de motocicletas circulando pelo Brasil ultrapassa 18,2 milhões, segundo a Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Com esta imensa quantidade, quem deseja se diferenciar recorre à customização — ou personalização — das motos. “Acho que a moto tem que ter a cara do dono, precisa ser única”, diz o tatuador Márcio Nascimento, que customizou sua Honda Shadow 750 e sua Suzuki Intruder 125.
Customizar uma motocicleta significa dar a ela elementos que estejam de acordo com o gosto ou com a necessidade do cliente. Segundo José Antonio Brussolo, proprietário da Brukutu Moto Chopper, loja especializada em customização de motocicletas, é necessário um consenso entre o mais próximo do que o cliente quer e o que é possível ser feito. “Quando o cliente possui uma moto e pretende modificá-la, ele geralmente já tem em mente o que quer. Ao nos apresentar a ideia, analisamos o que é tecnicamente viável e, então, fazemos o orçamento”, explica José Antonio, que normalmente trabalha com duas motos por vez.
A customização de uma motocicleta demora, em média, seis meses. “O tempo depende do projeto, da quantidade de fornecedores envolvida, do total de itens que sofrerão modificação, entre outros fatores. O problema é que, geralmente, as atividades não são paralelas, e, sim, complementares”, revela José Antonio. A moto de Márcio levou seis meses para ficar pronta. “Mudei praticamente tudo, desde a pintura até a seta. Ao compará-la, a minha moto quase não se parece com a versão original”, comenta o tatuador. O representante comercial Nestor Dutra mudou apenas o escapamento de sua custom — tipo de motocicleta ideal para viagens longas, pois prioriza o conforto, com a maioria das peças cromadas e brilhantes, copiando o design das motos antigas — para uma versão cromada mais esportiva. “Somente esta mudança já deixou a moto do jeito que eu queria”, diz Nestor, integrante do Sombras Moto Clube, sobre sua Suzuki M800.
Márcio conta que gastou por volta de cinco mil reais para customizar sua motocicleta. “Não acho que seja muito, pois é o preço que se paga pela exclusividade”, declara. “Já tive cliente que gastou 25 mil reais para transformar uma moto, mas com peças importadas”, comenta José Antonio, lembrando que o investimento varia de acordo com as peças e com a mão de obra. Nestor investiu entre 600 e 700 reais no escapamento cromado.
Qualquer modelo de motocicleta pode ser customizado. “Hoje, não existe mais uma portaria do Departamento Estadual do Trânsito (Detran) que regulariza customização total de veículos. Porém, a moto não pode perder totalmente sua característica porque está difícil regularizar a documentação quando foram feitas muitas modificações. O ideal é personalizar um modelo importado, para que não seja necessário alterar a documentação”, recomenda José Antonio. Entretanto, deve haver cautela durante o processo de customização, para que não haja perda do caráter original da peça. “Os cuidados a serem tomados se referem à segurança do piloto, à dirigibilidade, estabilidade, alinhamento do chassi, sistemas de freios, entre outros itens. As características visuais não interferem na segurança, mas apenas no design final”, comenta. Segundo ele, as motos mais procuradas para a customização são as antigas, quando o dono deseja dar outra “roupagem”. Entre os modelos mais customizados estão Shadow 600, Shadow 750 e Intruder 1400. As motos Midnigth, Dragstar e Boulevard 800 também passam por pequenas modificações com frequência.
Texto: Marina Rezende
Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão
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