História esquecida nos trilhos

Maria Fumaça Phantom, localizada na Vila Tibério, fez parte de uma das histórias mais importantes de Ribeirão Preto: a era do café e é uma das três últimas remanescentes do gênero, mas atualmente é usada como abrigo para moradores de rua e usuários de drogas.
Doada ao município pelas Indústrias Matarazzo em 1912, a locomotiva foi fabricada na Alemanha e preserva apenas as siglas “US. Amália” em suas laterais direita e esquerda.
Exposta sobre 30 metros de trilho, desde os primeiros anos da década de 1970, a Maria Fumaça Phantom está perdendo suas características, pois do local já foram levadas peças de cobre, ferro e aço.
Para a historiadora do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, Tânia Registro, todo monumento nasce com o objetivo de fazer lembrar algo, assim, a Maria Fumaça tem essa função, marcar ou assinalar algum acontecimento ou personagem da história da cidade. “A locomotiva da Praça Schmidt, tem o significado de perpetuar a lembrança de que um dia a estrada de ferro e o trem foram importantes para Ribeirão Preto. A estação e todo um complexo arquitetônico e logístico da antiga Companhia Mogiana existiam no entorno onde está hoje a locomotiva”, explica.


Tânia lembra que por meio da estrada de ferro chegaram diversos imigrantes para trabalhar nas fazendas de café e no comércio local. Também foi o meio de escoamento da produção de café para o porto de Santos e outras regiões. A estrada de ferro fez circular mercadorias, pessoas e notícias. “A velha locomotiva é um vestígio de um tempo passado, assim como todos os demais monumentos espalhados pela cidade. Cada um deles é um vestígio, um fragmento de uma grande história”, conta a historiadora.
Depoimentos
Segundo o atendente de telemarketing, André Luiz Ribeiro, monumentos como a Maria Fumaça deveriam ser preservados pelo poder público e pela população. “Acho que antes de qualquer restauração na Maria Fumaça é preciso que toda a população de Ribeirão Preto tenha consciência dos cuidados com essas obras, caso contrário qualquer mudança não valerá de nada”, comenta.
A dona de casa Maria Fernanda Silva acrescenta que além da Maria Fumaça outros monumentos da cidade devem ser conservados. “Ribeirão Preto tem muita história pra contar através dos monumentos, na minha opinião todos eles deveriam ser mais cuidados pela população”, ressalta.
De acordo com os moradores e comerciantes da Vila Tibério a Maria Fumaça é uma das características do bairro e a restauração é um pedido de todos. “Há 10 anos tenho uma loja aqui no bairro e sei que muitas pessoas preferem ir a outro lugar por causa dos andarilhos que ficam na praça da Maria Fumaça e acredito que com a restauração no local todos os comerciantes vão sair ganhando”, revela o eletricista Antônio José da Silva.


“As maiores críticas que recebemos aqui são em relação a praça onde fica a Maria Fumaça, já que ela é geralmente frequentada por usuários de drogas e moradores de rua. Falta cuidado dos moradores e pessoas que estão próximas ao local, mas é importante entidades responsáveis darem o primeiro passo”, comenta o atendente Márcio Perez.
O atual estado da Maria Fumaça Phantom é alvo de críticas dos moradores do bairro que também pedem a limpeza do local. “A partir do momento que a praça da Maria Fumaça for restaurada cabe aos moradores e comerciantes do bairro preservar esse patrimônio cultural”, frisa Antônio José.
Tânia conta que a Maria Fumaça Phantom pode ajudar a população a pensar criticamente além de ser lembrança dos velhos tempos. “Acredito que a principal razão de preservar a Maria Fumaça é que estes monumentos estão ali para nos dizer que um longo percurso foi trilhado até aqui. A Phantom está ali para nos lembrar da nossa responsabilidade, fazer um presente melhor e consequentemente uma cidade melhor no futuro. Ao meu ver, todo cidadão pode preservar os monumentos da cidade exigindo das autoridades políticas publicas de manutenção e divulgação, denunciar depredações e visitar os monumentos também é exercer cidadania”, conclui a historiadora.

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Texto: Pâmela Silva
Fotos: Carolina Alves