Seca histórica
Andar de caiaque ou pescar no rio Pardo, principalmente no trecho em que ele passa por Ribeirão Preto, está com os dias contados. A cidade vive uma das piores estiagens da história. Com a falta de chuva, o leito do rio registrou um rebaixamento recorde nos últimos 73 anos. Esta semana, a régua instalada às margens do Clube Regatas marcava 50 cm, nível mais baixo já verificado desde 1941, como explicou Carlos Alencastre, diretor regional do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Alguns pontos do rio, como na hidrelétrica Itaipava, em Serrana, já estão secos. O rio Mogi-Guaçu também sofre com a maior seca já registrada nos últimos 60 anos. Além de Ribeirão Preto, cidades que captam água destes rios ou de represas, como Pirassununga, Santa Branca, Santa Rita do Passa Quatro e Tambaú sofrem com os impactos da escassez hídrica. Na agricultura, os produtores estimam perdas superiores a 10% e, na pecuária, os animais já começam a receber suplementação no cocho. Dados do Centro de Monitoramento e Mitigação de Seca e Adversidades Hidrometereológicas e do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro), órgãos ligados ao Instituto Agronômico (IAC) do Governo do Estado de São Paulo apontam que, nos últimos 15 anos, este é a terceiro maior período de estiagem, que acontece a cada seis ou sete anos. Não há excedente hídrico e a situação é critica na maioria das localidades do Estado de São Paulo, aumentando também as possibilidades de incêndios.
Foto: Carolina Alves