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O tempo é terapêutico

Quem nunca pensou no tempo como o senhor da razão, capaz de nos dar esperança e de curar as nossas feridas? Dizem que ele é terapêutico, se encarrega de curar tudo. O mês de setembro é o meu preferido, por conta da primavera e do meu aniversário. Quando penso na estação das flores, logo me remeto ao ir e vir dos dias, da passagem inevitável da vida: chegou mais uma Primavera! Quando completo mais um ciclo, penso na efemeridade da vida.

Sempre travei longas discussões comigo mesma por conta do tempo, perdi a noção da quantidade de vezes em que pensava sobre esse assunto. Temos uma sensação estranha de que parece que nos últimos anos, ele tem passado mais rápido, trazemos em nós, um sentimento vago de que não temos mais tempo para nada. São tantos os apelos que o mundo contemporâneo nos apresenta, tantas opções, que escolher uma, será abdicar de muitas outras e tudo isso nos coloca diante de uma frustração enorme de não poder vivenciar todas as oportunidades que são apresentadas cotidianamente para nós.

Tem uma poesia do Mário Quintana que nos passa essa dimensão do tempo. Ele escreveu quando já estava com 74 anos, esta poesia foi publicada no livro “Esconderijos do Tempo”, de 1980.

Seiscentos e sessenta e seis

“A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”
Mario Quintana

Eu acredito cada vez mais que ter essa dimensão de que valorar o que estamos vivendo e apreciar o que a vida nos oferece no momento presente é uma grande sabedoria. Essa preocupação exacerbada com o que já foi e com o que virá nos tira dessa grande aventura que é o dia de hoje. E para viver essa vida fugaz, sem adiar nada, vai uma dica para quem gosta de pensar sobre o tempo: o documentário “Quanto tempo o tempo tem” que está na Netflix. Vale a pena ver e refletir sobre o que dizem alguns estudiosos do tema. 

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Isabel de Farias
Por Isabel de Farias Jornalista e empresária, e-mail:[email protected]
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