Saber envelhecer,Envelhecimento, Compreensão, Reflexão

Saber envelhecer

Eu me vi no corpo e na mente Ney Matogrosso. Coisa boa é termos como ídolo alguém que nos recoloque na imagem deles. Liberdade e lucidez. Impossível não entender que isso seja vida. Numa entrevista para o Fantástico, ele fala sobre seus segredos para estar tão bem, o cantor revela: "Para estar magrinho, eu como pouco e faço ginástica diariamente, já desde os 50 anos. Gosto de pegar peso, mas não para ficar forte. Para cuidar da alma, eu sou uma pessoa que trata todo mundo bem, porque eu gosto de ser bem tratado. Então isso me deixa num lugar de paz interior".

Ao completar os seus bem vividos 80 anos, ele nos presenteia e lança um EP que é pura poesia e um verdadeiro hino a vida e confirma que essa vida tem algum sentido. Quatro músicas dedicadas àqueles que acreditam que estar aqui neste planeta tem uma significância mínima.  São músicas que gritam o talento desse artista: desde a escolha do repertório até a voz impecável do intérprete que ele é. Ele é o intérprete.

Quem ouviu lá nos meados dos anos 90 Mercedes Sosa cantar “Mi unicórnio azul”, música de Silvio Rodríguez, não imaginava que alguém pudesse tirar mais beleza dessa canção que dignifica o sentimento, a saudade e a perda. Tudo que a vida nos reserva nas nossas jornadas.

E envelhecer assim é uma resposta a tantas histórias de tristeza que a velhice escancara. O que temos visto é uma tentativa de minimizar a dor do envelhecimento, quando se fala em melhor idade, em sabedoria, termos que não dizem sobre a realidade dura que é perceber que o tempo passou. A grande verdade é que ele pode ter passado sem sequer termos nos dado conta ou pode ter sido até uma boa passagem, bem aproveitada, bem vivida.
 
Na ilha japonesa Okinawa, que tem a maior população centenária no mundo inteiro, o segredo para uma vida longa e feliz, são os bons hábitos e as rotinas que mantenham em dia a saúde do corpo e da mente. Estas são as principais ferramentas para uma vida boa. Para Ney Matogrosso parece que foi assim, uma vida bem vivida, 80 anos que não estão pesando, mas que mostra leveza e alegria. 

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Isabel de Farias
Por Isabel de Farias Jornalista e empresária, e-mail:[email protected]
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