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Vida que segue

Desde 20 de março de 2020, toda a nossa equipe está em casa. Fomos obrigados, assim como a maioria das empresas, a trabalhar no sistema home office. Como a pandemia começou a se mostrar mais duradoura do que se previa, tivemos que tomar decisões e fazer algumas demissões. Para mim, sempre foi difícil ver uma pessoa saindo da revista, até pelo modelo da empresa que criamos. A relação era, e continua sendo, de muita proximidade com todos que trabalham conosco.

O meu sentimento com a saída de qualquer colaborador sempre foi de perda. Claro que, em 35 anos de história, já passaram pela empresa centenas de pessoas que seguiram outros caminhos. Faz parte da vida que as pessoas busquem novas experiências, é legítimo por parte de todo profissional. Se em outros tempos permanecer em um único lugar por muito tempo já foi um ponto positivo, hoje conhecer outros universos conta muito para um currículo. Eu tinha orgulho em ter profissionais, uma grande maioria, que estavam na revista, no mínimo, há dez anos. Sempre me pareceu que partilhávamos o mesmo sonho de fazer dar certo um veículo que era um “case” no país: uma revista que oferecia gratuitamente conteúdo jornalístico de relevância para quem quisesse se manter bem informado sobre as notícias da cidade.

O processo de saída de alguns bons profissionais da revista nestes últimos anos foi inevitável por conta da crise, por conta dos interesses de uma nova geração que tem outros sonhos e que busca novos caminhos no mundo digital. Claro que aceitar isso é uma questão de saúde mental e continuar com algumas pessoas por algum tempo também tem sua importância e relevância. Aprendi com a saída de algumas dessas pessoas que não é só tempo que conta, mas o envolvimento que cada um desses profissionais teve com o trabalho desenvolvido no período em que esteve por aqui.

Lendo as últimas notícias das demissões na Globo de jornalistas como José Hamilton Ribeiro, Francisco José e Renato Machado depois de 40 anos de serviços prestados na maior emissora do país me dá bem uma dimensão das mudanças que estamos vivendo nestes tempos de pandemia e de mais uma crise econômica que se arrasta desde 2015.

Como dizia o Ricardo Boechat, as crises são contemporâneas. Precisamos buscar algum distanciamento delas para entender que tudo é fruto de uma época. Tentar compreender o espírito do tempo em que vivemos pode minimizar as nossas dores e perdas. E para fechar essa minha reflexão, talvez o mais apropriado seja um texto do Livro dos Eclesiastes:

“Tudo tem o seu tempo determinado e
há tempo para todo propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de abraçar e tempo de afastar-se;
tempo de amar e tempo de aborrecer;
tempo de guerra e tempo de paz.” 

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Isabel de Farias
Por Isabel de Farias Jornalista e empresária, e-mail:[email protected]
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