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Há 45 anos, Jimi Hendrix deixava a vida para entrar pra história

Há 45 anos o mundo perdia um dos músicos contemporâneos mais importantes do rock ‘n’ roll mundial: Jimi Hendrix. Quatro anos após se mudar para Londres com poucas ambições, exceto a de conhecer Eric Clapton – que até aquele momento era tido o “Deus” da guitarra – teve fim a carreira meteórica de Jimi Hendrix, no dia 18 de setembro de 1970.

Em 1966 o jovem guitarrista chegou ao Reino Unido e logo foi apresentado ao líder da emergente Cream, pelo baixista do The Animals.

Na noite em que foi levado ao show do Cream para conhecer Eric Clapton (na foto),  as intenções de Jimi iam além de um simples aperto de mãos e o jovem guitarrista pediu para tocar com o Cream. Conta-se (esta passagem pode ser vista no filme ‘All is by my side’, 2013) que Jimi Hendrix, até então conhecido como Jimmy James, subiu no palco, plugou sua guitarra no amplificador do contra-baixo e a habilidade do novato chegou a assustar o líder do Cream, que abandonou o palco.

Em outra passagem, Pete Townshend, guitarrista do The Who, convidou Eric Clapton para ir ao cinema e que, ao sentar na poltrona, antes mesmo do filme começar, Townshed teria comentado com Clapton: Você já viu o novo guitarrista que chgou na cidade? Estamos desempregados.

É esse tipo de gênio que o mundo perdeu no dia 18 de setembro de 1970, afogado em vinho, em um quarto de hotel no Reino Unido. James Marshall Hendrix tinha 27 anos.

Leia mais: Hendrix Eterno

Confira trecho da entrevista retirada do livro "Jimi Hendrix por ele mesmo" (2014)

Você é de sagitário?
Constantemente. Do dia 27.

Traços pessoais?
1,80 metro; 68 quilos; olhos castanho-escuro – às vezes negros; cabelo castanho-escuro.

Origem do nome artístico?
88% da minha certidão de nascimento, 12% de erros de grafia.

Algum animal de estimação?
Minhas duas guitarras com espírito de bicho.

Comida ou bebida favoritas?
Espaguete, torta de morango com chantilly e torta cremosa de banana. Gosto também dos pratos típicos dos negros do Sul – verduras e arroz.

E a culinária inglesa?
Meu Deus! Cara. Olha, a comida inglesa é difícil de explicar. Os ingleses servem quase tudo com purê de batata, e eu não tenho nada de bom a dizer sobre isso!

O que você pensa de Londres?
A atmosfera é de outro tipo. As pessoas são mais educadas. Gosto de todas as ruazinhas e butiques. Parece uma terra encantada. Mas sabe o que mais me atrai em Londres? Ficar só olhando as garotas passarem. É uma cidade fantástica para os observadores de garotas. Elas são todas tão bonitas e de tantas nacionalidades diferentes.

Você fuma?
Se não fumasse, seria gordo como um porco. Meus nervos são muito ruins. Normalmente, prefiro cigarros com filtro, que vou alternando com mentolados – um maço dura mais ou menos um dia e meio.

Você tem algum hobby?
Gosto de observar raios. Especialmente os que caem no campo e sobre as flores, quando estou sozinho. Leio muita ficção científica. E adoro ler contos de fadas, como Hans Christian Andersen e O ursinho Pooh.

Do que você não gosta?
Não gosto de coisas banais nem de gente arrumadinha demais, com sobrancelhas muito bem-feitas.

Que tipo de pessoa você é?
Sou meio quieto, meio fechado. Na maior parte do tempo, não falo muito. O que tenho a dizer, digo com a guitarra.

Planos imediatos?
Quero ficar na Inglaterra. Nos Estados Unidos eu sempre tocava atrás dos outros, e tenho dificuldade para me conter. É muito melhor agora que tenho meu próprio grupo. Acho que não vai ser difícil conseguir um visto de trabalho e tudo o mais desde que eu seja um bom menino.

Qual a importância da sua música para você?
Para nós é muito importante. Se pararmos de tocar não vamos ter dinheiro para comprar comida.

Ambição profissional?
Quero ser o primeiro homem a escrever a cena blues de Vênus.

Ambição pessoal?
Ver minha mãe e minha família de novo.

Há quanto tempo está fora de casa?
Uns sete anos. Eu nem conheci minha irmã de seis anos. Só liguei para meu pai uma vez, quando cheguei à Inglaterra, para que ele soubesse que conquistei alguma coisa.

Por que você usa esse cabelo?
Acho que é porque quando eu era pequeno meu pai estava sempre cortando meu cabelo e eu ia para a escola parecendo uma galinha depenada. Talvez isso tenha criado um complexo em mim.

Você usa pente?
Não, uso uma escova. Um pente ficaria preso. Uma garota perguntou se podia pentear meu cabelo. NINGUÉM penteia meu cabelo. Nem eu posso pentear meu cabelo. Mas acho esse cabelo incrível. Uma Shirley Temple estilo mod. Um permanente crespo. De qualquer maneira é melhor do que ter um cabelo liso e sem graça. Veja, os cachos são vibrações. Se o seu cabelo for liso e apontado para o chão, você não tem muitas vibrações. Mas desse jeito, tenho vibrações se projetando para todos os lados.



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Bruno Silva
PorBruno SilvaJornalista, e-mail:bruno@revide.com.br
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