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ANSIEDADE E DEPRESSÃO: sintomas, diagnóstico e prevenção

Renata Tomazini

 

Com a pandemia do Coronavírus (COVID-19), dados da publicação da Organização Pam-Americana (OPAS) sobre a saúde mostram que mais de 4 em cada 10 brasileiros tiveram problemas com ansiedade e depressão (OPAS). Por isso é bom conhecermos um pouco mais sobre essa doença, a que todos estamos expostos.

Primeiramente, o diagnóstico de ansiedade é feito por meio do Manual Estatístico dos Transtornos Mentais, DSM4, que estabelece critérios para diagnosticar cada um dos tipos de perturbações da ansiedade. Com base nos critérios, se os sintomas são frequentes ao longo de, no mínimo seis meses, o diagnóstico é, então, confirmado. No entanto, as perturbações da ansiedade, frequentemente, coexistem com outras desordens psiquiátricas, como por exemplo, os sintomas de pânico ou depressão, que acometem 60% dos pacientes ansiosos.

Para a psicanálise, a ansiedade pode ser entendida como uma tentativa de o sujeito encontrar soluções para seus conflitos psíquicos, explicando o porquê de as pessoas com esse tipo de transtorno evitarem situações temidas, ou as suportarem com muito medo e insegurança. A pessoa que sofre com transtornos de ansiedade tem sua mente surpreendida por pensamentos negativos que chegam sem aviso; elas creem, também, que algo ruim está prestes a acontecer, mesmo que não haja nenhuma evidência para isso, o que pode até levar ao uso de álcool ou abuso de drogas, inclusive, como uma tentativa de não encarar tal realidade angustiante.

Assim, para evitar a ansiedade, é muito importante estarmos atentos aos gatilhos emocionais, aqui nos referimos à resposta mental que envolve as emoções, os pensamentos e os comportamentos mais específicos, conectados principalmente às experiências passadas. Ou seja, são daqueles momentos que já aconteceram que o sujeito revive as emoções negativas, por isso, é fundamental o autoconhecimento, uma vez que, o que caracteriza a ansiedade é o medo generalizado e a apreensão constante, que provocam vários sintomas corporais desagradáveis e muitas preocupações incertas, levando, até, ao desespero e, às vezes, à paralisia pela exaustão emocional (estresse acumulado na vida pessoal e profissional, sono insatisfatório, motivação diminuída e esgotamento).

Muitas das vezes, a ansiedade tem uma origem e força muito profundas. Com isso, surge a necessidade da estruturação de conflitos e dilemas, que pode ser feita por meio de análise e/ou medicamentos, para amenizar os sintomas. Outras vezes, não! Aí vale a pena refletir sobre a situação, distanciarmo-nos, a fim de buscar novas possibilidades. E questionar a real dimensão desse acontecimento para a vida.

Já, ao que se refere à prevenção, podemos elencar que, atividades físicas, alimentação adequada, boas noites de sono, socialização, entre outras recomendações, são eficazes. No entanto, não podemos esquecer um instrumento natural e muito eficiente para controlar as nossas emoções, principalmente numa situação de estresse, ansiedade ou medo, que é a respiração. Parece óbvio, mas por muitas vezes não a valorizamos. É justamente pela inspiração e expiração que podemos alcançar consciência plena do aqui e agora.

Além dos desconfortos advindos da ansiedade, um quadro ansioso quando não tratado, pode evoluir para a depressão. Muitas vezes a tristeza é comumente associada a ela, porém a tristeza é um sentimento comum, que não afeta a produtividade, pois mesmo tristes ainda conseguimos desempenhar tarefas rotineiras. Já, a depressão, é uma situação de adoecimento semelhante a uma tristeza, mas constante, acompanhada de sintomas de apatia, atenção reduzida, angústia, desesperança, ideações suicidas, ideias de culpa, inutilidade, entre outros e está usualmente associada à ansiedade, porém pode, também, ter origens orgânicas.

Antes do termo depressão ganhar o peso que tem hoje, a palavra melancolia era usada na Antiguidade e associava-se aos homens de exceção, como os filósofos, poetas, artistas. Ao longo do século XIX, a melancolia foi entendida como uma doença mental e associada à mania e ao transtorno bipolar (episódios de euforia e tristeza). Enquanto na melancolia acontece a perda do sujeito com o objeto perdido, na depressão, existe um abalo na forma com que o sujeito lida com suas perdas. Ele não consegue reposicionar-se e encontrar prazer e satisfação, isola-se e desiste de lidar com a vida. O deprimido sente-se angustiado e fracassado diante dos seus desejos e das cobranças. Assim, falar da depressão a partir da psicanálise é um não estar na psicanálise, mas sim, no campo da psiquiatria, pois a psicanálise trata o sujeito que a procura, o sujeito para além dos seus sintomas, quer sejam de ansiedade ou de depressão.

A OMS define a depressão a partir do modelo biopsicossocial que compõe o conceito de saúde como: “o estado de completo bem-estar biológico, psicológico e social” e não somente a ausência de doenças. O diagnóstico da depressão é clínico, feito pelo médico após anamnese, coleta da história do paciente e realização de um exame do estado mental. Apesar de toda evolução da medicina, não existem exames laboratoriais ou complementares que possam dar o diagnóstico de depressão. No entanto, sabemos que algumas doenças podem desencadear depressão, como, por exemplo, as alterações na tireoide, mas ela pode surgir, também, sem motivos aparentes, ou ser a consequência de um evento importante, como um divórcio, a falência, a perda de emprego ou a morte de uma pessoa querida. Essas situações desencadeiam sentimentos de tristeza que, se não reelaborados, podem causar a depressão. Infelizmente, já foi divulgado (OMS) que, num futuro bem próximo, será a doença mais incapacitante do mundo, se já não for.

E, como a psicanálise define a depressão? A psicanálise implica a existência de uma entidade viva, não localizada, dinâmica, que tem relação direta com a produção de sintomas e sofrimentos no que se refere à relação mente e corpo, que é o inconsciente. Então, a psicanálise não tem um tratamento para depressão, porque ela não é demarcada, circunscrita. A psicanálise trata o deprimido por meio da fala, a qual faz emergir o inconsciente, revelando informações sobre a causa de sua depressão, para que estas sejam reeditadas. Da mesma forma que, ao nos relacionarmos com nossas perdas e faltas ao longo da nossa vida, vamos construindo nossa subjetividade. Por exemplo, a construção psíquica da criança dá-se pela reelaboração das perdas que viveu desde o início da sua vida, ou seja, ela se vai percebendo, conscientizando, na medida em que tem o contato com o outro, ao passo que é amada e respeitada. É pela via do amor, que inclui afeto, cuidados, presença, ausência, que se possibilita articulações sobre perdas. De forma muito singular, cada um em sua subjetividade.

A depressão manifesta-se, ainda, de forma mista para os adolescentes, como ansiedade, irritação, isolamento, baixa autoestima, ganho de peso, apatia e prejuízo funcional, pois o adolescente possui muita energia e muitos hormônios agindo juntos. Por isso, um alerta muito importante, aos pais, é que escutem as queixas dos seus filhos e deem amparo e anteparo, a fim de amenizar eventuais prejuízos escolares, a busca por drogas, transtornos de personalidade e, até mesmo, o aparecimento de doenças associadas, como obesidade e anorexia, uma vez que na adolescência há um agravamento da sensação de rejeição, devido à supervalorização do movimento grupal, característico desta fase da vida.

Então, é a partir da forma como operamos nossas perdas ao longo da vida, que vamos construindo nosso jeito de lidar conosco e com o mundo (desejos, pessoas, coisas), estruturando, assim, nossa maneira de ser, quer seja de forma neurótica, psicótica ou perversa. Assim, a psicanálise aborda a depressão como um fenômeno psicossocial, considerando a forma como o sujeito lida com as situações, inclusive coletivamente.

No que se refere à prevenção dos transtornos do humor, acreditamos que gerenciar o estresse e sustentar o desejo podem ser possibilidades de saídas saudáveis da doença. Portanto, nos perguntamos: será a felicidade uma finalidade em nossa vida? Quanto a essa questão, felicidade, Freud, em seu livro O mal-estar na civilização 1930, fala algo bem interessante: “Nossas possibilidades de felicidade sempre são restringidas por nossa própria constituição”.

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Blog Educação escolar

Elaine Assolini
Por Elaine Assolini Pedagoga, linguista, pesquisadora, e-mail:[email protected]
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