BRUMADINHO,Brumadinho, Minas, poesia

BRUMADINHO

Prof. Me.  Rogério Dutra Bandos

 

Não bastou Mariana e o mundo chorar,

Nem o imenso mar de lama, rumo ao mar;

Sem punição, não aprenderam a lição,

E outra tragédia, nas Gerais e em nosso coração;

Desprezaram a terra, represaram a vida,

Desdenharam da Terra, já tão sofrida;

A ganância corrompeu as boas maneiras,

E o barro rompeu as frágeis barreiras;

Destruiu matas, leitos e nascentes,

Agora, beiras sem eiras de rios morrentes;

Fauna defaunada, flora deflorada,

Paisagem antes bela, doravante paragem desnaturada;

Como se já não bastasse, na história brasileira,

Tantas páginas tristes e cheias de sujeira;

Destruídos sonhos, alegrias, sem direito ao adeus,

Para o desespero e a angústia dos seus;

Entes enterrados em qualquer lugar nessa lambança,

Para nunca mais se achar, além da lembrança;

O que nasceu para ser livre, não se detém,

Que não seja a liberdade, do dinheiro, refém;

Não se domina a natureza, essa donzela com furor,

Só com a força, sem nenhum pudor, sem amor;

Ela se revolta contra quem a prendeu, e não aprendeu,

A natureza quer viver à sua natureza, livre, como você e eu;

Liberta, quae sera tamen – tal qual na bandeira,

Da terra das montanhas, vales e do menino da porteira;

Ó Minas Gerais, que não se esquecerá, jamais,

Lembrar Brumadinho, nunca será demais;

                               E, para que não aconteça de novo, o novo tem que acontecer,

Nas Gerais, e, em geral, onde for, por favor, há de ser:

I$$O, nunca mais!                                 

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Elaine Assolini
Por Elaine Assolini Pedagoga, linguista, pesquisadora, e-mail:[email protected]
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