A aventura no Ojos e no Tres Cruces

A aventura no Ojos e no Tres Cruces

Quando temos grandes sonhos e uma insistente vontade de realizá-los, esse dia finalmente chega. No meu caso, esse “brinquedo imaginário cada vez mais real” do momento atende pelo nome de Ojos del Salado (6.893m), a mais alta montanha chilena e o mais alto vulcão do planeta, e também seu irmão um pouco mais baixo, o Nevado Tres Cruces (6.749m). Ambos ficam no Chile, distantes cerca de 30 km um do outro, na região sul do Atacama, na fronteira com a Argentina. A principal cidade na região dessas montanhas andinas é Copiapó, a cerca de 200 km. Para quem não se lembra, Copiapó, localizada a 800 km ao norte de Santiago, foi a cidade base no amplamente divulgado episódio de salvamento dos mineiros soterrados por mais de 70 dias em 2010.

Pois bem, o sonho virou projeto no início de 2011, depois transformou-se em preparação. Agora, como diz o maior explorador brasileiro da atualidade, Amir Klink, chegou a hora de partir. Estaremos eu, meu primo Haroldo, diretor da J&J, e o médico oftamologista Luiz Guapito, na primeira quinzena de janeiro de 2012, empenhados em subir essas duas montanhas com o auxílio de um guia da Aventurismo Chile, agência de expedições baseada em Copiapó. Na bagagem, além dos equipamentos para enfrentar temperaturas de até -30º C e o ar rarefeito que castiga o corpo e a mente acima dos 6 mi metros de altitude, muita vontade, disposição, preparação física e a nossa experiência de longos anos de travessias, caminhadas e alta montanha.

Saindo de Copiapó em veículo 4x4, seguiremos para Laguna Rosa, a 3.600 metros de altitude, onde teremos a companhia de flamingos e guanacos. Acamparemos por lá e no dia seguinte faremos nossa primeira caminhada de aclimatação rumo ao Cerro Siete Hermanos, cujo cume já atinge a marca de 4 mil metros de altitude. Nessa etapa da expedição, o importante é subir e descer no mesmo dia, “ensinando” nosso organismo a realizar o metabolismo com menores quantidades de oxigênio. Ter dores de cabeça é mais do que normal nessa fase, afinal o sangue “engrossa” para levar o oxigênio suficiente ao cérebro e pressiona as paredes dos vasos e artérias.

Depois dessa caminhada matinal, mudaremos, com o auxílio do 4x4, para Laguna Verde, a 4.200 metros de altitude, local onde acamparemos por dois dias. Teremos ä disposição um invejável “conforto”: uma piscina de águas quentes naturalmente, o que permitirá algo raro na alta montanha: banhos. No da seguinte, outra caminhada de aclimatação, dessa vez para “Mulas Muertas”, a 5.897 metros de altura, com duração de ao menos seis horas. Passado mais um dia, recuperaremos as forças fazendo um trekking ao redor da Laguna e à tarde prosseguiremos, de início, no 4x4, e no final, a pé, para o Refúgio Atacama, a 5.100 metros de altitude.

Nesse ponto, já começaremos os preparativos para  investida final ao cume do Ojos del Salado. A primeira missão, depois de dormir uma noite, é levar parte do equipamento, água e comida para o último acampamento, o Refúgio Tejos, a 5.750 metros de altitude com previsão de três horas de marcha. Retornaremos então ao Refúgio Atacama, sem carga, para passar mais uma noite. Depois do almoço no dia seguinte, voltaremos ao Refúgio Tejos com o restante do equipamento para descansar e preparar o ataque ao cume na madrugada que seguirá. Tudo isso é um planejamento, pois a sua exata execução dependerá de nossa aclimatação e de fatores climáticos que poderão impedir ou retardar os planos. Pelo cronograma, disporemos de dois dias extras para eventuais ajustes.

Nossa expectativa é chegar ao cume do Ojos, a 6.893 metros de altitude, ainda na parte da manhã. Deixaremos o Refúgio Tejos de madrugada e o tempo de subida dos mais de 1.100 metros verticais é de aproximadamente 8 horas. A temperatura que pode chegar a -30º, os ventos e o ar rarefeito serão os principais obstáculos nesse dia para atingirmos o topo. Dizem que, na cratera do vulcão, há ainda uma parede de 30 metros a ser escalada com o auxílio de cordas. Bem, se chegarmos à cratera, avaliaremos nossas condições para vencer essa barreira final …

Nevado Tres Cruces

Claro que depois de subir o Ojos, desceremos diretamente para a civilização em busca de calor, conforto e férias de verdade, certo? Errado! A ideia é baixarmos e, no mesmo dia, já aclimatados, rumarmos para o acampamento base do Tres Cruces, a 4.600 metros de altitude. No dia seguinte, o plano seria atingir o acampamento alto, a 5.600 metros para, na madrugada seguinte, atacar seu cume a 6.749 metros e desfrutar da incrível vista que há lá de cima.

Planos são bons, não? Se vamos conseguir executá-los à risca é outra história, mas já representam uma pequena materialização dos sonhos. Terei acesso a internet em Santiago e em Copiapó, na ida e na volta, ou seja, se tiver um tempinho, vou atualizá-los com o andamento e o resultado da expedição, mas o relato mais completo farei até o final da terceira semana de janeiro, com fotos e algum vídeo, OK?

Na parte de cima desse texto postei um vídeo que encontramos na internet e que mostra belas imagens de uma outra expedição que esteve no Ojos. E abaixo, o endereço da rede da agéncia Aventurismo Chile com outras informações a respeito da aventura e do lugar mágico da Terra que passaremos as duas primeiras semanas de 2012: www.aventurismo.cl

Espero retornar firme, forte e inteiro e, claro, com boas noticias! Feliz ano novo a vocês todos e até breve!

 

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