À espera de Pirassununga
Em novembro de 2002 entrei na Academia da Força Aérea em Pirassununga. Não para me transformar em piloto de caças ou em brigadeiro, mas para participar da tradicional prova de triatlo na distância de ½ Iron Man, ou seja, 1.900 metros nadando, 90 km pedalando e 21 correndo. Nesse próximo sábado, dia 19, volto lá para disputar a prova de short triatlo em distâncias mais generosas e velozes: 900 metros de natação, 22 km de ciclismo e 6 km de corrida.
Já há longos anos não me arriscava nesse esporte. O principal motivo, acredito, é o receio dos treinos de pedal, enfim, medo de ser assaltado na avenida ou na estrada, ou de levar um tombo a 50 km/k, ou ainda ser atropelado por algum carro ou caminhão maldoso ou desgovernado. Conheço gente que se deu mal pedalando, como o recente caso do triatleta Sergio, baleado num assalto no Anel Viário em Ribeirão Preto em frente ao Jardim Progresso (UPP neles!!!) e que ficou quase três meses na UTI.
Mas na semana passada, deu aquele famoso “três minutos de fraqueza” e acabei fazendo a inscrição para a prova em Pirassununga. Em seguida, levei minha bike speed Aerotech, adormecida num quarto escuro, para uma revisão. Será que ainda saberia pedalá-la? O Tuco, o nosso “Mark Alen” ribeiraopretano, leu meu último post e enviou um SMS me incentivando. E eu acabei ligando para o sempre bom amigo Rubão, companheiro de viagens e trilhas que migrou para o ciclismo há uns três anos.
Combinamos de pedalar no sábado, mas não deu certo. No domingo, deu. Fizemos, eu, ele e a médica Bianca, cerca de 65 km na estrada de Ribeirão Preto a Araraquara. Pedal agradável, acostamento em bom estado, via sem tráfego intenso, boa dosagem de retas, descidas e subidas, além de paisagens variadas, inclusive com eucaliptos. Fizemos um posto a posto, com direito a parada para hidratação quando a estrada bifurca para Araraquara e São Carlos, logo após o Rio Mogi.
Depois de tanto tempo sem subir numa magrela – minha experiência esse ano havia sido em montain bike até uma fatídica queda em agosto, o que me deixou no estaleiro por mais de um mês -, tive dificuldades no início até para mudar de marcha. Levei uns 10 minutos até lembrar como manipular o câmbio. Em seguida, tomei coragem para pedalar forte nas descidas, desviar das “tartarugas” na estrada e não me assustar com os caminhões passando tão rápidos e pesados a dois metros de distância.
Treino feito, me senti novamente confiante para pedalar sábado na prova, na qual a distância será 1/3 do que rodei domingo. Em relação à natação e à corrida, estou tranqüilo já que venho treinando ambas as modalidades em minha preparação para subir o vulcão Ojos del Salado no Chile em janeiro. Como não estava agüentando ficar somente treinando, acrescentei na semana passada a adrenalina do short triatlo de Pirassununga na programação.
A AFA – Academia da Força Aérea é um lugar, digamos, aprazível e bacana. A natação é feita num lago de água limpa, o pedal acontece em trajeto razoavelmente plano e sem tráfego de carros e a corrida também ocorre num circuito tranqüilo. Quem quiser saber mais da prova pode consultar o site www.ciadeeventos.com.br. No domingo, a AFA sedia a prova principal e mais tradicional do final de semana, o ½ Iron Man.
Então é isso, contagem regressiva, espero de fato me divertir em Pirassununga na companhia de outros triatletas de Ribeirão Preto que estarão por lá e que de alguma maneira me incentivaram a também me inscrever nesse desafio: o Tiago, a Marília, o Rodrigo e o Fabio, esse último no ½ Iron Man. Semana que vem dou noticias de como foi a empreitada.