Fim de semana
O Tiago me deseja boa sorte embaixo do pórtico de largada e eu retribuo a gentileza. O sol quente queima o cocuruto quando, segundos depois, às 15 horas de sábado, uma sonora buzina dá o sinal verde para que 300 malucos se lancem ao lago da Academia da Força Aérea de Pirassununga para vencer a primeira das três etapas do short triatlo: os 900 metros de natação. Com tanta gente disputando o mesmo pedaço de água, a pancadaria é forte nos primeiros momentos, com braçadas e pernadas distribuídas em todas as direções, em diferentes partes do corpo.
Depois de 200 agitados metros, o cansaço prematuro assusta em razão da luta para se manter à tona e fugir de indesejáveis caldos e safanões. Aciono a velocidade de cruzeiro, as braçadas se sucedem enquanto a respiração se normaliza um pouco. Logo contorno as duas bóias que demarcam o trajeto e rumo para o horizonte embaçado. Na saída do lago, depois de quase 15 minutos, meu filho Luis Paulo registra minha colocação parcial: 34º no geral da natação. Corro então pesadamente, já retirando a touca e o oclinhos, para a área de transição e, aos gritos de torcida da Sonia, perco segundos preciosos enquanto visto meio atrapalhado o capacete, os óculos escuros, a meia, a sapatilha e o número de corrida.
Empurrando desajeitadamente a bike, deixo a área de transição, trepo na magrela, clipo as sapatilhas e começo a pedalar forte. Mas quem disse que a máxima “corro e nado, logo pedalo” funciona? Logo, um a um, dezenas de ciclistas seguem me ultrapassando ao longo dos 22 km do agradável percurso que cerca a AFA. O Tiago me alcança, trocamos mais algumas palavras, mas ele se distancia e eu tento curtir aqueles momentos, olhar a paisagem ao redor, saborear a endorfina da prova. Finalmente, consigo ultrapassar um competidor, mas o azarado está empurrando sua bike de pneu furado ...
Os minutos de alongam, a volta demora para acabar, mais de 60 competidores me deixam a ver navios, ou melhor, canaviais e outras vistas mais. Chego então de novo na área de transição, hora de tirar o capacete e a sapatilha, vestir o tênis e sair para correr quase 6 km. Os primeiros dois são sofridos, o corpo demora a entender que o esporte agora é outro, assim como a biomecânica do movimento. O sol parece cada vez mais quente, mas finalmente as passadas ganham ritmo.
Agora chega minha vez de ultrapassar, 1, 2, 3, quase 20 adversários mais lentos e cansados. Viro à direita, e depois novamente à direita, a AFA e seus aviões entretêm os atletas rumo ao final da prova. Agora falta só uma reta, lá está o cronômetro oficial e a linha de chegada, faço mais um esforço, passo um último atleta e ... êba .. chego são e salvo, querendo mais, aproveitando o meu retorno ao triatlo depois de tantos anos longe dessa prova.
Tempo final: 1h25min e uns quebrados; colocação geral: 77º lugar, uma posição atrás do Tiago; colocação na categoria 45-49 anos: 7º lugar, ou 5 minutos depois do 3º colocado, posição que almejava para subir ao pódio e levar um trofelzinho para casa. Mas feliz por mais uma prova, pela companhia do Tiago, da Marilia e do Rodrigão (valeu pela carona e boa conversa), companheiros da Corpore na empreitada, contente pela torcida da Sonia e do Luis Paulo, da Giovana e do Dudu, da Luisa, da Maria Angela e do João Sergio – este último, juntamente com a Fabío e o Kina, ainda mandam o ½ Iron Man no dia seguinte (domingo), quanta gente saudável e dedicada ao esporte!
Delta
Domingo, acordo cedo, a Sonia e o Luis Paulo já foram para o Mercadão, de onde logo mais às 8 horas terá início os 5 e 10 km da série Delta. O corrida antes era promovida na City Ribeirão, onde moro, mas a associação do bairro achou por bem proibir essa atividade em suas ruas. Pode uma coisa dessa? O bairro não seria planejado para eventos públicos, enfim, só falta agora quererem murar aquelas cercanias e colocar guaritas por lá, tudo em nome do sossego e da segurança ...
Chego à praça ao lado do Mercadão um pouco antes das 8 procurando o Luis Paulo e a Sonia, mas no meio do caminho vou encontrando velhos amigos e conhecidos – o Leo, agora em nova preparação para o Iron Man; a valente Adriana, vencedora dos 75 km Bertioga-Maresias; o Machado, recuperando-se de contusão; o pessoal da Corpore; o Mac conversando com o Nogueira, a quem pergunto se sairá ou não candidato para prefeito.
Vem a largada, continuo procurando o Luis Paulo, a tropa segue, fazemos o contorno da avenida e finalmente o avisto. Aos 15 anos, corre todo serelepe, passadas grandes, ultrapassando em ziguezague. Digo:”Olá rapaz, vá com calma, é só o início”. De fato, o trajeto segue irregular, com fortes subidas, e o Luis Paulo se cansa, quer andar, e eu o incentivo, falo para não parar, apenas trotar, devagar. E assim chegamos ao fim dos 5 km, ele meio aos trancos e barrancos, com a lição de não apertar tanto o passo no começo.
Viro então as atenções para a Sonia, que em poucos minutos completa a primeira volta e sai em trote regular para mais 5 km. Me junto a ela, conversamos, falamos disso e daquilo, mas preocupada com o Luis Paulo, pede que eu volte, no km 8, para a barraca da Corpore para cuidar do caçula. E lá vou eu, enquanto ela completa os 10 km. Na barraca da Corpore nos confraternizamos todos, com direito a açaí e frutas variadas, colocamos a prosa em dia, alunos e professores. Uma bela manhã de domingo ...
De volta para casa, sessão de alongamento, banho, descanso, leitura dos jornais. Hora de um belo filé a parmegiana no City Point. E o final de semana ainda nem acabou, mas os pensamentos já começam a voltar para o Ojos del Salado, quando janeiro chegar...