O topo é mais embaixo
Sempre busquei compreender, desde criancinha, algo que os gregos estudaram bastante há 25 séculos: o sentido da vida. Desnecessário dizer que essa equação existencial não foi sequer minimamente resolvida. Para encontrar alguma resposta, ao menos superficial, comecei a nadar, e depois passei a correr, e em seguida, a viajar para locais onde a natureza se faz exuberante e, por último, a subir montanhas.
Novamente as respostas não vieram, mas todas essas atividades ajudaram a aliviar angústias, fomentar sonhos e a gerar novas dúvidas. Permitiram ao cotidiano ficar mais interessante e ao futuro mais promissor. Isto, de alguma forma, já representava algo construtivo, um conjunto de desejos e ações que geravam mais ações e desejos. Quem sabe, um estilo de vida, importante para valorizar a carreira profissional, as relações familiares e as amizades.
Descobri que não precisamos chegar ao topo para nos realizarmos. Cruzar a linha de chegada numa corrida em primeiro lugar ou atingir o cume da montanha mais alta das Américas é muito gratificante, mas podemos ter sentimentos campeões ocupando posições intermediárias. Enfim, o topo é mais embaixo, e tão mais vitorioso ou empolgante quanto for o aprendizado da experiência vivida.
Nesse espaço, pretendo contar histórias e episódios nos quais fui protagonista, não importando se em primeiro ou em último lugar, ou se no ponto mais alto ou mais baixo, e ainda registros do que aprendi em inúmeras leituras, corridas, provas, expedições, aventuras ou montanhas. Não são ensinamentos, mas vivências e reflexões que espero poderem ajudar a perceber que a vida, mesmo instigantemente incompreensível, é estimulantemente desafiadora.