Prova-treino

Prova-treino

O sol já esquentava a manhã ainda fria de domingo, dia 19 de agosto, quando por volta das 8h20 deram a largada para a prova dos bombeiros, com saída na Av. Paschoal Innechi, em frente ao quartel. Cerca de 2 mil corredores  e caminhantes se espremiam na via para começar a percorrer as diferentes distâncias, com destaque para os percursos de 5 e 10 km. O primeiro quilômetro, em direção ao balão da Av. Mogiana e depois retornando, foi tumultuado e denso, difícil de desenvolver um ritmo em meio a tantos atletas em velocidade distintas.

Mas depois cada um encontrou o seu espaço e a sua toada, terreno plano até a Quito Junqueira, quando viramos à direita rumo Av. Paris, descemos e embalamos no arborizado e simpático trajeto. De olho no relógio, no asfalto e na paisagem ao redor, me encaixei no ritmo de 1 km percorrido a cada 4min30seg, objetivando cruzar a linha dos 10 km na casa dos 45 minutos. Poderia acelerar e forçar, tentando baixar o tempo para algo entre 42 e 43 minutos, mas meus planos iam mais longe.

Terminada a primeira volta de 5 km em frente ao quartel, o grupo inscrito nos 10 km prosseguiu para o derradeiro giro. O calor já aumentara, mas os pontos de distribuição de água espalhados pelo circuito davam conta de saciar a sede e hidratar o corpo. Na segunda-volta, o caminho já havia se tornado mais conhecido e amigável, mas o cansaço, em compensação, já mostrava um pouco de suas garras. Mais um retorno aqui, uma curva ali, uma sombra acolá, a última e respeitável subida em direção à Pascoal Innechi e já estava na reta final, trotando garboso e ainda cheio de gás.

Cheguei ao final com o cronômetro acusando 45min33seg, bastante dentro do que esperava. Me dirigi à tenda da Corpore, montada dentro do quartel e ao lado de outras 40 pequenas estruturas de academias e de grupos de treinamento para apoio a seus corredores. Me hidratei, alonguei um pouco, comi alguns pedaços de frutas, conversei com alguns conhecidos e parti para a segunda parte do “treinamento”: voltar correndo para casa, na City Ribeirão, distante cerca de 9 km dali.

Em companhia do amigo Machado, que também havia corrido os 10 km, mas em 42 minutos, partimos juntos em sentido contrário aos que chegavam. Logo atingimos a longa subida que separa o vale de cá do vale de lá, onde se encontra o centro da cidade. Aliviados, alcançamos a Av. Treze de Maio e despencamos em direção à Francisco Junqueira pelo Jardim Paulista, com suas ruas tranqüilas ao domingos pela manhã. Na altura da concessionária Atri, pegamos a Francisco Junqueira, estabelecemos uma velocidade de cruzeiro rumo à Anhanguera.

O cansaço e o calor aumentaram, a batata da perna enviou sinais de fadiga e endurecimento, um pouco em conseqüência das horas passadas em pé, na madrugada, no Espaço Kaiser, assistindo ao Festival de Música da Alta Mogiana com show do Funk Como Le Gusta. Tentei esquecer as parcas horas de sono e descanso entre o Festival e a prova, e seguimos  no canteiro central da avenida, correndo na grama enquanto observávamos centenas de ciclistas pedalando tranquilamente na ciclofaixa. 

Mais alguns quilômetros, já estávamos em frente ao COC e logo tínhamos o bairro da City Ribeirão ao nosso lado direito, restando apenas uma subidinha final e encardida para quem já se movimentava intensamente desde a noite anterior. O Machado prosseguiu mais 1 km até sua morada enquanto eu, passando pela padaria do bairro, administrei um último trote trôpego até a porta de casa. Tínhamos feito um consistente e interessante treino de resistência, um longão diferecnciado, composto por uma parte inicial mais puxada e veloz seguida de outra mais ritmada e lenta, muito usada por atletas que preferem empreender, por falta de tempo ou paciência, um grande esforço percorrendo distâncias menores. 

O resto do domingão, após o alongamento, e por merecimento, foi dedicado ao descanso, à leitura, à hidratação e a uma boa alimentação junto à família, mas não dispensei uma cervejinha e uma relaxante dose de whisky em boa companhia quando a noite chegou.

 

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