Torpedos de uma preparação
Comprei ontem a passagem para o Chile. Quando 2012 der as caras, pegaremos o avião para Santiago e depois Copiapó, de onde iniciaremos a expedição ao Ojos del Salado (6890 metros de altitude), a segunda mais alta montanha das Américas, vulcão encravado em local remoto da Cordilheira, ao sul do Atacama, próximo daquela mina onde os chilenos ficaram soterrados por 70 dias em 2010. Agora acho que não tem volta, ou vai ou sobe ...
Tenho treinado nos últimos dois meses de olho nessa viagem, recuperei-me de um acidente de montain bike em agosto, encaixei uma planilha bacana de corrida, natação e musculação, cortei a cerveja (ou quase toda ela) durante a semana. Enfim, trabalho bastante, saio do escritório para treinar, vou para casa ficar com a família, conversar com os filhos, me divirto na frente da TV e com alguma leituras interessantes, tento viver com intensidade.
No último 22 de outubro encerrei o primeiro tempo (espero) de existência comemorando em grande estilo os 45 anos. Logo cedo, depois de dormir na fazenda da família próxima a Bonfim Paulista, recebi o amigo e triatleta Fábio para uma corridinha de 20 km por estrada de terra passando por canaviais, lagos, matas e lindas paisagens, inclusive o skyline de Ribeirão Preto. Treino nota 10 em boa companhia!
Mais tarde, enquanto comemorava a aniversário com alguns convidados, pelo telefone acompanhei curioso a incrível performance do meu primo Haroldo, companheiro da empreitada rumo ao Ojos del Salado, na corrida a pé de 75 km entre Bertioga e Maresias pela praia. Ele “mandou” o percurso em 8h55min e, acima de tudo, cruzou a linha de chegada com muito sofrimento e determinação. Provou mais uma vez sua força e resistência, e que será um bravo e obstinado companheiro para chegar ao cume do Ojos
No final de semana seguinte, na companhia do sempre bem humorado e leitor voraz de livros de montanhas, o Dr Luiz Guapito, rumamos para Delfinópolis no sábado à tarde para fazer no dia seguinte cedinho, domingo, um treino puxado nas serras mineiras. O Guapito é o terceiro integrante da expedição ao Chile em janeiro, um cara também forte e focado no quase inexplicável prazer de chegar ao topo de grandes vulcões.
Antes das 6 da matina já estávamos de pé, em frente à padaria de Delfinópolis, e contávamos também com a companhia do Dib, velho camarada de viagens e um dos melhores fotógrafos de aventura do Brasil, e sua mulher Cassandra, também montanhista de primeira linha. Quem nos guiaria mais uma vez era o lendário Verri, esse sim um personagem que merece um livro pelas suas histórias, comentários e trajetória. Nós nos conhecemos e caminhamos juntos há quase 15 anos, e juntos também já esquadrinhamos as serras, grotas, cachoeiras, cerrados e chapadões de Delfinópolis e arredores.
Pois bem, nós cinco entramos pela Gurita, subimos e descemos morros, atravessamos encostas, cruzamos terrenos totalmente irregulares, desfrutamos de vistas escandalosas por cerca de sete horas, totalizando cerca de 20 km de marcha pra lá de militar. Bingo! Mais um excelente treinamento em companhia refinada, lembrando que o Dib também tem planos para subir o Ojos em janeiro junto com outro amigo, o Gera.
De volta a Ribeirão, novo ciclo de treinos, do escritório para a academia, para as ruas, para a piscina. Em plena segunda-feira, corro 12 km debaixo de chuva na hora do almoço e à noite nado 3,5 km na Recra. Sinto cansço e também um pouco de falta de emoção e de competição para fazer subir a adrenalina. Decido então participar do triatlo Short Distance de Pirassununga no próximo dia 19 de novembro, sábado. As inscrições ainda estão abertas, faço o cadastro pelo site, agora ainda tenho que quitar um boleto de R$ 280,00 – inscriçãozinha carinha, velho!
E não é só. A bike speed Aerotech estava aposentada há anos, nem me lembro da última prova de triatlo que participei. Enfim, levei-a hoje para uma revisão, fica pronta no final de semana para saber se ainda sei pedalá-la – o medo do tombo que levei na montain bike no início de agosto ainda assusta, os arranhões, a costela que doeu por dois meses, a cicatriz no queixo que ainda não fechou. Ganhei um novo desafio na próxima semana de 900 metros de natação, 22 km de bike e 6 km correndo.
Então é isso, o Ojos em janeiro, o triatlo dia 19, o trabalho no escritório também anda a 100 km/h, às vezes faltando tempo e inspiração para atualizar meu blog na Revide. Hoje consegui, já são quase 7 horas da noite, será que vai dar tempo de ainda correr uns 14 km na rua? Sei não, o joelho está doendo um pouco ...