Escola, Educação e Inteligência (7)

Escola, Educação e Inteligência (7)

Uma das questões amplamente discutidas no âmbito da reação entre inteligência e desempenho acadêmico se refere à associação causal entre ambas, ou seja, inteligência causa educação ou educação causa inteligência ou ambos ocorrem. Um método para responder a esta questão é empregar análises estatísticas envolvendo correlações cruzadas entre escores de inteligência e escores escolásticos em vários momentos ao longo da educação formal. Nesse método, aos participantes são dados tanto um teste de inteligência quanto outro, de desempenho acadêmico, num momento 1 e, algum tempo depois, repetidos num momento 2.

Por quê? Pelo fato de os efeitos poderem atuar apenas num tempo posterior, é possível concluir como as variáveis mensuradas no momento 1 afeta  desempenho no momento 2. Por exemplo, se o teste de inteligência mensurado no momento 1correlacina-se, significativamente, com o desempenho escolástico no momento 2, mas o teste de desempenho, dado no momento 1, não se correlaciona com o teste de inteligência dado no momento 2, então, pode-se concluir que inteligência afeta o desempenho acadêmico, mas que desempenho acadêmico não tem efeito significativo sobre a inteligência. Vários estudos que empregaram essa metodologia revelaram que inteligência tem efeitos a posteriori sobre o desempenho escolar, mas que o desempenho escolástico não tem ação posterior significativa em afetar a inteligência.

Também, é bem conhecido que inteligência e desempenho escolástico são ambos herdáveis. De fato, o desempenho acadêmico parece, ainda, mais herdável do que inteligência. Estudos recentes, que revisaram inteligência e desempenho acadêmico, têm indicado que tanto o ambiente quanto a genética são importantes para o desempenho acadêmico, com a variável ambiental sendo mais importante para as crianças mais jovens que para as mais velhas, mas com os genes se tornando progressivamente mais importantes quando as crianças adentram à adolescência.

 Outros estudos exploraram as causas do desempenho acadêmico usando uma bateria de testes cognitivos em adição a um teste de inteligência. Os dados revelaram que as diferenças individuais na velocidade de processamento mental constituíam o principal fator causal subjacente à correlação observada entre inteligência geral e desempenho escolástico entre crianças nas idades de 6 a 13 anos.

Uma das mais amplas pesquisas que investigaram as características estudantis examinou a reação entre variadas características dos estudantes num teste de certificação geral da educação secundária numa mostra de mais de treze mil gêmeos que se submeteram ao teste quando tinham aproximadamente 16 anos de idade. As características examinadas foram inteligência, autoeficácia, ambiente escolar, ambiente doméstico, personalidade, bem-estar subjetivo, problemas comportamentais relacionados aos pais, problemas comportamentais relacionados às crianças e saúde. Um dos dados mais significativos foi que inteligência mostrou a correlação mais elevada com os testes de certificação geral da escola secundária e que outras características estudantis mostraram menores correlações com o exame de certificação geral e, frequentemente, uma correlação substancial com inteligência.

Em termos da variância fenotípica, inteligência explicou aproximadamente 34% da variância predita no exame de certificação geral enquanto as outras oito variáveis das características estudantis explicaram apenas 28% da variância. Quando inteligência e as outras oito características estudantis são combinadas para predizer os resultados da prova de certificação geral, a combinação é hábil em prever 45% da variância fenotípica. Isto é apenas um ganho de 11% sobre os 34% que a inteligência é capaz de prever sozinha. Em outras palavras, inteligência sozinha explica uma parte substancial da variância fenotípica e genética, mas outras características explicam em o mesmo em menor grau. Todas as características estudantis, incluindo inteligência, são hábeis em explicar 75% da herdabilidade dos escores do exame de certificação geral. Verdadeiramente, um resultado excepcional.

Uma implicação dos estudos genéticos da relação inteligência e desempenho acadêmico é a importância das interações do gene versus o ambiente e o papel que estas interações representam no desempenho acadêmico. O que parece ser importante para o desenvolvimento otimizado é que indivíduos encontrem ambientes que sejam muito bem emparelhados ao seu patrimônio genético. Lembrando que o ambiente, mesmo acadêmico, é geneticamente construído.

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