A inteligência das nações

A inteligência das nações

Postado em 17 de Abril de 2014 às 09:04 na categoria inteligência humana

             QIs nacionais têm sido calculados de duas formas diferentes: a partir da aplicação de testes de inteligência e a da aplicação de testes de matemática, ciência e leitura nas avaliações internacionais, adotadas como medidas alternativas da inteligência. Na primeira, os QIs nacionais têm sido calculados em relação ao QI médio Britânico de 100 e desvio padrão de 15, possibilitando estimar QIs para aproximadamente todas as 200 nações e territórios no mundo, com populações maiores que 40 mil habitantes. Na segunda, os QIs nacionais têm sido calculados a partir dos testes de Matemática, Ciência e Leitura obtidos das avaliações internacionais de estudantes de 13 a 15 anos de idade, conhecidas como TIMSS e PISA.

            Estas refletem medidas de inteligência porque QI e desempenho educacional são intimamente relacionados. Ao nível individual, entre as nações, correlações entre testes de QI e testes de desempenho educacional situam-se entre 0.5 e 0.8 (lembrando que o valor máximo da correlação é 1). Isso mostra que os dois tipos de teste, inteligência e escolásticos, parecem mensurar constructos intimamente relacionados ou idênticos, identificáveis como inteligência. Sete estudos, envolvendo crianças de 5 a 15 anos, revelaram que o QI mediano dos estudantes brasileiros é 88, variando de 84 a 92. Ajustamentos posteriores consideram que o QI médio final dos brasileiros é 85,6. Por outro lado, considerando desempenhos escolares e deles derivando uma métrica de QI, o QI obtido é 83,3. Parece que QIs nacionais são bons preditores de diferentes desempenhos escolares. Por exemplo, no recente índice de proficiência em Inglês da Education First (EF) aplicado em 54 países, o Brasil ficou em 46º lugar, com nota média de 46,86, o que colocou-o no pior nível, o de “proficiência muito baixa”. Intrigados, capturamos os escores médios disponíveis para cada nação, bem como, os escores médios de cada estado brasileiro. Correlacionamos, então, estes com os correspondentes QIs médios de cada nação, encontrando correlação altamente significativa (0,65), indicando que o QI médio nacional explica grande parcela (quase 40%) da variação dos escores de proficiência em inglês. Também, escores médios de proficiência em inglês de cada um de nossos estados correlacionaram-se com escores médios do ENEM de 2009, 2010 e 2011, este último recentemente publicado, de cada estado brasileiro. As correlações foram 0,56 (2011), 0,64 (2010) e 0, 70 (2009). Assim, o ENEM explica de 30 a 50% da variância das pontuações dos exames em inglês.

            Desta forma, QI nacional, ou ENEM nacional, são positiva e originalmente correlacionados com as pontuações do exame de proficiência em inglês. Estes resultados suportam nosso argumento de que o QI, ou, simplesmente, a inteligência, é o principal fator causal de tais indicadores educacionais e, talvez, de muitos outros que no futuro apontaremos.

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