Teriam os gêmeos a mesma inteligência?
Postado em 20 de Abril de 2014 às 14:04 na categoria inteligência humana
Teriam os genes participação na inteligência? O brilhantismo intelectual parece ser transmitido nas famílias, sendo que, quanto mais próximo o grau de parentesco, dentro de uma grande família, tanto mais próxima é a similaridade no nível de inteligência. Todavia, tal padrão de resultado nada nos diz sobre as origens da inteligência, pois, tanto ambientes, quanto genes nós compartilhamos com nossos pais. Assim sendo, como separar estes dois efeitos, considerando que as mesmas pessoas que nos fornecem nosso patrimônio genético, produzem, também, nosso ambiente? Pesquisas nessa área estudam gêmeos, criados juntos ou separados, e pessoas adotadas. Sendo dois os tipos de gêmeos conhecidos: idênticos e não-idênticos, se idênticos, têm exatamente os mesmos genes (100% dos genes em comum). Se não-idênticos, são tão geneticamente similares quanto qualquer outro irmão, ou irmã (compartilhando, em média, 50% dos genes em comum).
Assim sendo, como se comportam ambos os tipos de gêmeos quando são submetidos a vários testes de inteligência? Um membro, do par de gêmeos idênticos, obteria os mesmos escores de inteligência que o outro membro do seu par? Do mesmo modo, um membro, do par de gêmeos não-idênticos, obteria os mesmos escores de inteligência que o outro membro do seu par? E, quão similares são os pares de gêmeos idênticos, que viveram separados, um do outro, grande parte de suas vidas? A correlação entre os escores dos testes de inteligência, aplicados aos pares de gêmeos idênticos, criados à parte, é aproximadamente 0,69 (a correlação máxima é +1). Valor não muito diferente da correlação obtida entre os escores de gêmeos idênticos, que foram criados juntos, que é 0,88. Em muitos outros testes de inteligência, a correlação entre gêmeos idênticos, criados separados, foi 0,78. Enquanto, para aqueles gêmeos idênticos criados juntos foi de 0,76.
Este é um resultado surpreendente, indicando que, gêmeos idênticos, tanto criados juntos, quanto separados, têm escores de inteligência similares. Tal valor de correlação é tão alto quanto o é para uma mesma pessoa sendo avaliada em duas ocasiões diferentes. Portanto, se o ambiente familiar fosse o mais importante, os escores seriam similares aos escores de duas pessoas estranhas. Se os genes fossem o mais importante, os escores seriam iguais ao de uma pessoa testada duas vezes. A correlação é pouco mais elevada do que a obtida quando uma mesma pessoa é testada duas vezes. Em outras palavras, gêmeos idênticos, criados separados, são muito similares e inteligentes.
Em resumo, as diferenças em inteligência são provocadas, em grande parte, pela genética. Adicionalmente, inúmeros outros estudos sobre genética quantitativa, envolvendo diferentes grupos etários, têm revelado que a influência dos genes sobre a inteligência aumenta quando nós nos tornamos mais velhos, variando de 20 a 40% da infância à adolescência, e alcançando 60 a 80% quando na maturidade.