8500
Foi a quarta-feira mais mágica de todas. Além da tradicional peregrinação pela rua Clélia, devidamente realizada depois de descer do ônibus 8500 Terminal Pirituba-Metrô Barra Funda, houve o encontro do meu pai com um velho amigo em uma pastelaria na rua mais sagrada de todas, a Turiassu, onde todos são amigos, mesmo não se conhecendo.
Em 2008, foi um dos caminhos que mais repeti. Todas as semanas, depois das aulas, meu pai me pegava na escola, parávamos para tomar algo, ele tirava da bolsa a camisa cinza, de goleiro, o mais santo de todos, e ali mesmo, em frente ao Gomide partíamos rumo ao Parque Antártica, pois nunca consegui dizer Palestra Itália, um nome lindo, mas que a meu ver remete aos velhos que se tornaram o câncer da coisa que mais amo até hoje.
O Palmeiras pegava o Cruzeiro aquele dia. O porco acabava de ser campeão paulista. Tinha o Marcos em ótima fase, Alex Mineiro também, mas Valdívia e Diego Souza não estavam se dando bem juntos em campo, tanto que Diego começou na reserva.
Mas, naquele jogo Marcos tomou um frangaço. Chute de Charles, que alguns anos depois iria jogar muito bem no verdão, mesmo sendo, infelizmente, apenas na Série B. Então, Diego entrou ainda no primeiro tempo.
O Palmeiras virou, Diego Souza jogou muito, como em vários jogos no ano seguinte, o time fez cinco gols, depois ainda tomou mais um, mas ainda foi a maior vitória que vi no campo.
Talvez, isso não tenha sido a coisa mais especial daquela noite. No fim da partida, em êxtase por ver o time ganhando jogando muito bem, saia pelas alamedas, novamente em direção da Turiassu. Em frente as cabines de imprensa o tradicional “Ei, Chico Lang, vai tomar no cu”, mesmo sabendo que o comentarista do Mesa Redonda nunca iria pisar naquele lugar, mas era legal.
Enquanto isso, um senhor, amparado por uma bengala, descia pelas escadas das cadeiras cativas, era César Maluco, o jogador mais Rock and Roll de todos os tempos. Logo o xingamento a Chico Lang parou, e começou uma saudação, comum nos anos 1960 e 70, e mais popular ainda uns dois mil anos atrás: Ave César! César! César!