Governar: uma atividade impossível?

Governar: uma atividade impossível?

Em 1937, Sigmund Freud, já um experiente psicanalista e bastante perto da morte, diz que há três profissões impossíveis: A educação, a própria psicanálise e o o ato de governar.

São profissões impossíveis porque, por mais que o profissional se esforce e aplique toda excelência em seu trabalho, algo desliza, algo escapa e os objetivos iniciais não são alcançados por completo. 

Educar é impossível porque a educação não se dá por uma única via, portanto, é passível de interferências múltiplas. A Psicanalise é impossível porque lida com aspectos inconscientes e arcaicos da mente humana. E Governar?

Estas três atividades fundamentais para a civilização como a conhecemos, não são possíveis no sentido de que são empre uma “tentativa”, um passo no escuro, por mais que tenhamos cuidados técnicos e elaborações teóricas ao nosso dispor.

Um amigo na semana passada me pediu para que eu desenvolvesse um texto sobre uma questão que o persegue: por quê alguém deseja ser prefeito de uma cidade, se, por mais que se faça, as pessoas reclamam e criticam?

Penso que isso acontece justamente porque governar é uma tarefa impossível. Há que se saber, ao iniciar o trabalho que, fatalmente, algo dará errado. Não errado no sentido técnico, mas errado no sentido de que haverá sempre alguma insatisfação, algum ponto sem nó. A perfeição é impossível nas atividades humanas. Obviamente isso não justifica um trabalho mal feito.

Para ser mais direto: na cidade onde nasci, Santa Rita do Passa Quatro – SP algo acontece finalmente. Eu que passei toda minha infância e parte da adolescência nesta cidade posso afirmar que pela primeira vez tenho percebido algumas mudanças evidentes e tenho ouvido pessoas comentando sobre isso. A cidade me parece mais vibrante. Como um exemplo, vejo o poder público apoiando uma passeata “Zombie Walk” (isso é coisa de cidade de país europeu...), iniciando atividades culturais permanentes, instalando câmeras de segurança, corrigindo falhas no crescente trânsito de veículos e pedestres e ampliando o sistema de saúde público. Uma tentativa de tirar uma espécie de crosta criada por governos anteriores que paralisaram a cidade no tempo.

Neste sentido, até uma CEI (comissão especial de inquérito) foi aberta para apurar possíveis irregularidades na contratação emergencial de um empresa de limpeza pública. Vejo isso como sinal de avanço. O poder executivos está fazendo coisas, e os vereadores estão fiscalizando. Isso é bom.

Quem lê meus textos já pôde ver que não tenho partido algum, não almejo cargos públicos e não confio na iniciativa pública como meio de mudança, mas vejo claramente em Santa Rita algo nocivo acontecendo. Me refiro à possível cassação do atual prefeito, que em menos de 1 ano, foi no mínimo, arrojado. Eu não tenho cacife para analisar a situação política da cidade, mas pelo que pude ler e conversar, essa cassação parece ser resultante de um luta entre grupos políticos pelo poder, e não uma busca genuína pela moralidade e bem estar dos cidadãos.

Conheci o Sr. Prefeito e ele não é um político. Talvez este seja seu maior erro e sua maior qualidade.   

Em épocas em que manifestações de rua expressam a total insatisfação das pessoas com a velha politica e os velhos políticos, é isso que se deve buscar: homens que “tentam governar” e não políticos que “tem certeza de que governam”. 

 

 

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