A luz de Bolsonaro

A luz de Bolsonaro

Vamos reconhecer.

Bolsonaro já é um "mito vivo", uma figura histórica.

Conseguiu votação expressiva em todos os cantos do Brasil, sem tempo de TV, sem gastar dinheiro como se gastava antigamente (será?), sem plano de governo, sem discurso e passando boa parte do seu tempo no Twitter.

O que explica isso?

Frases de efeito, clichês que simplificam a vida sempre deram certo. Basta vermos como os livros de autoajuda vendem muito mais que quaisquer outros. Bolsonaro tem capacidade comunicativa, é simplório e convicto. Parece não pensar. Ele simplesmente fala e assim demonstra segurança. Quando erra, mostra sua face humana.

Mais que isso.

Bolsonaro deu vazão a violência e agressividade que quase todo Brasileiro tem dentro de si. De um lado, seus críticos viram nele um ditador contra democracia e de outro, seus fãs encontraram um “Amado Pai”, que livrará a nação do inimigo.

E mais! Esse inimigo tem nome e endereço. Bolsonaro e seu clã, fizeram questão de se posicionarem como porta vozes desse movimento de escolha do inimigo. Agora é hora de caçar!  

Bolsonaro é encantador.   

Um país como o Brasil, que nunca entendeu muito bem o que significa democracia, mas tem que conviver com ela - de uma hora para a outra encontrou uma luz. A “luz bolsonarista” explicou que o mundo é simples: mulher é mulher, homem é homem, bandido é bandido, homem de bem é homem de bem e Deus está acima de todos, sem relativizar. Colocando de lado toda complexidade humana... que aliás é uma palavra fora de moda.

A luz em qualquer objeto produz sombra.

E Bolsonaro resolveu também este problema. Nas áreas de sombra, ou seja, aonde a luz bolsonarista não alcança e não explica, ele lança mão de um recurso muito simples: a negação, um mecanismo de defesa primitivo e bastante funcional.

É admirável como Bolsonaro fez tudo isso e nem sabe. Vive ainda como se fosse um homem comum, mas não é. É um Mito vivo que produziu um sistema de pensamento e crenças. Suas falas têm o poder de encantar e comandar parte de uma nação (e produzir o feito inverso em outra).

Vai governar para maiorias, mas não sabe muito bem o que isso significa (para ele, simplesmente seus amigos, simpatizantes e familiares, chamados “homens de bem”)

Serão mais de 200 milhões de pessoas governadas por um Mito, um encantador de multidões.

Haja encantamento.

 

 

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