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Psicólogo não pode falar de política ou religião?

Dia desses fiz uma postagem na rede social questionando sobre os órgão reguladores e fiscalizadores que atuam para o bom funcionamento da democracia no Brasil. Dentre eles citei: CGU, TCU, CADE, Ministério Público, Policia Federal e etc. 

Perguntei aonde estavam estes órgãos antes do governo PT. Pois ficou evidente nos últimos tempos que a corrupção no Brasil não vem de hoje ou dos últimos anos de governo PT. Consiste em um processo longo e complexo. Estabeleceu-se como uma cultura organizacional que atinge quase todas as instituições, desde a família até o senado. Ora, se sempre houve corrupção no Brasil e se sempre existiram órgãos reguladores e fiscalizadores, nada mais lógico que questionar sobre a competência histórica destes.  

O post causou alguns comentários, mas destaco um deles em que o leitor questionou que eu, como psicólogo ou psicanalista, não poderia fazer aquele post, ele diz assim:

"Pelo codigo de Etica esta errado. ( É proibido Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais). E isso vc sabe muito bem caso vc realmente seja formado na area."  

Afinal, um psicólogo não pode usar uma correntinha com crucifixo? Um psicólogo não pode dizer que é evangélico ou cristão? Um psicólogo não pode se filiar a partidos políticos? Um psicólogo não pode frequentar uma igreja? Um psicólogo não pode escrever um texto sobre um questionamento moral ou filosófico?

Sim, pode.

Vamos lá. Segundo o Artigo 2, item b, do Código de Ética do Psicólogo 

"É vedado ao psicólogo INDUZIR A CONVICÇÕES políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, QUANDO DO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES PROFISSIONAIS" (grifo meu)

Com especial atenção as palavras em caixa alta considero que, primeiro, o leitor se esqueceu de considerar em seu comentário que, quando postei em rede social, eu não estava em pleno exercício de minha profissão, mas sim em ambiente público realizando uma reflexão. Não estava exercendo a clinica psicanalítica em meu consultório. Segundo, eu não estava "induzindo a convicção ou preconceito", mas pelo contrário, eu estava manifestando um questionamento, uma análise sobre a realidade política atual.  

Além disso, no mesmo Código temos o Item III dos Princípios Fundamentais, que diz: 

"O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural." 

Penso que o Art 2, item b, existe no sentido de garantir que o profissional psicólogo consiga separar sua vida pessoal, moral, religiosa e política do seu fazer profissional e posicionar-se como um profissional que atua segundo princípios científicos. Um psicólogo que em sua atividade clínica ou institucional tente convencer alguém que PSDB é melhor que PT ou que tente convencer alguém que ser gay é falta de Deus no coração, está incorrendo em falta ética. 

Um psicólogo (psicanalista no meu caso) que proponha uma reflexão ou uma análise em torno de uma questão política atual está longe de induzir convicção, está na verdade lutando contra elas.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf

 

 

   

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Blog Ciência e Saúde

Luís Fernando S. Pinto
Por Luís Fernando S. Pinto Psicanalista mestre em psicobiologia, e-mail: luisfernandossp@gmail.com
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