5/11 - DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA NACIONAL,

5/11 - DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA NACIONAL

Essa discussão vai longe. Tão longe que, lá pelo da contenda, a LÍNGUA PORTUGUESA NACIONAL, já virou definitivamente, a LÍNGUA BRASILEIRA.

"TUPY OR NOT TUPY THAT'S THE QUESTION" - Oswald de Andrade. Essa também é a minha questão. 

Hoje comemoramos o dia da língua nacional? Mas, de que língua estamos falando? 

Aquela que herdamos de Portugal, com suas variações no falar e no escrever? Aquela que reagiu contra a língua de Caminha, ao ganhar novas cores, novos ritmos, novos sabores?

Minha Pátria é a Língua Portuguesa - Fernando Pessoa. A língua de Garret, de Sá Carneiro, de Eça de Queirós, de Florbela, de Camões, de Saramago? Ou a  que engolimos, deglutimos e expelimos como coisa de brasileiro?

O Português de Drummond, de Clarice, de Guimarães, de Graciliano, de Jorge Amado? A língua de Mano Brown, de Caetano, de Chico, de Leminsk, de Veríssimo, de Cora Coralina, de Cecília Meireles, de Patativa do Assaré, de Manoel de Barros, de Ariano Suassuna, de João Cabral...?
Essas línguas, dialetos, regionalismos, universalismos de mil sons, mil grafias, mil gramáticas. Brasil ou Portugal? Brasil e Portugal?

Se comemoramos a língua de hoje, comemoramos o quê? A defendida por Oswald de Andrade? Mário de Andrade? Pagu?

Disse Oswald:

"Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade". O Brasil é feliz.

"Quando o português chegou / Debaixo de uma bruta chuva / Vestiu o índio / Que pena! Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido o português".

"Quando o Português adentrou essas plagas / parecia mascar fumo de rolo / fosse nos dias de hoje / teria de dançar funk / cantando descolado a língua do morro" - parodiei burramente o velho Oswald.

Agora, continua o debochado Oswald: 

"Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará".

"Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós. Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia". (Trecho do MANIFESTO ANTROPOFÁGICO - Oswald de Andrade).

A LÍNGUA FAZ PENSAR, ESCREVER, TRADUZIR, INDUZIR, SONHAR, ANALISAR, REVERTER, VIAJAR, COMO, DEGLUTIR, ENGOLIR, CUSPIR, VOMITAR, TRANSFORMAR...

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Luiz Cláudio Jubilato
Por Luiz Cláudio Jubilato Professor de Língua Portuguesa, Redação e empresário , e-mail:[email protected]
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