DEMONIZAÇÃO DO PROFESSOR

DEMONIZAÇÃO DO PROFESSOR

Prof.: Luiz Cláudio Jubilato

                Caro leitor, este texto é para os pacientes e provocar os impacientes.

                Preste atenção a essas questões:

"A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.” Sociólogo Darcy Ribeiro.

“Se os governantes não construírem escolas, em vinte anos faltará dinheiro para construir presídios”. Darcy Ribeiro criador dos CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública): Escolas em tempo integral, focada na educação pública, cidadania e direitos humanos.

“Educação não é gasto, mas investimento! A ignorância custa caro ao Brasil!”.

"Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente."

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância”. Brizola, governador R.J.

 

A crônica do desastre anunciado: o ENEM foi criado para diagnosticar os problemas do ensino médio, contudo se tornou porta de entrada para as universidades. A prova “balizou” o já caótico sistema educacional: criou a padronização da escrita, dos tipos de questão. Uma prova nacional aplicada em um país de desgraças regionais.

Investimento em ignorância: o ENEM 2026 deveria anulado: a prova vazou; o INEP mudou os critérios de correção, depois da prova já aplicada. Indignação e reclamação não bastam: ignorância gera silêncio; silêncio, alienação; alienação, acomodação; acomodação, dominação. A elite se refestela. Amargamos as últimas colocações no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

Crime perfeito:  A classe política investe em ignorância, afinal pode abusar das “fake News”, promessas estapafúrdias, intimidação, dominação e do fanatismo.

Nenhum bom aluno quer ser professor. Em vinte anos, haverá defasagem de, no mínimo, cem mil profissionais: Ficaremos reféns de quem programa as I.A.? Nenhuma nacional.

Moedor de conhecimento: o demônio escondido atrás do giz “faz a cabeça do aluno”, como especialista em lobotomia. Rotular é a fórmula surrada de humilhar. Os regimes totalitários investem em deseducação, alçam o político à condição de Deus. É a morte do argumento.

  Antro de comunistas e maconheiros: Não basta demonizar o professor, é necessário demonizar também as universidades públicas. Os detratores deveriam se perguntar: Por que, entre as cem maiores empresas, a maior parte foi criada por comunistas e maconheiros, discípulos de mestres e doutores comunistas e maconheiros? O subdesenvolvimento do país é intelectual, não há como diminuir nem o analfabetismo funcional, nem o analfabetismo político.

Caro leitor, vou recorrer à literatura, para escancarar a realidade de séculos de destruição da reputação de professores: Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o “inútil” Brás Cubas e o “filósofo bissexto” Quincas Borba, em conluio, destroem a reputação do pontualíssimo professor Ludgero Barata (um dos mais antigos e nojentos insetos que aterrorizam a humanidade): alunos lhe presenteavam com baratas mortas. Cada sociedade pune com as armas que tem.

Em O Ateneu, o pai, às portas da escola, diz ao filho Sérgio/Raul Pompeia: “Vais encontrar o mundo. Coragem para a luta”. Só entendeu quando trombou com o professor Aristarco, caricatura da elite, a “babá” dos filhos ricos. Sérgio/Pompeia descobre sua homossexualidade. Não foi a escola que “fez a cabeça dele”, foi a autodescoberta. É assim que funciona, seres humanos se autodescobrem. Apoiou do ditador militar Floriano Peixoto. Tornou-se professor, não suportou as críticas da “intelectualidade” a suas posturas controversas e se matou.

Em meados do século XX, em “Amar, verbo intransitivo, conhecemos Fraulein Elza, alemã versada no ensino de piano, indignada de estar em um país em que ninguém gosta de estudar. Com medo de que os herdeiros dilapidassem suas fortunas, os pais “zelosos” a contratavam para ensinar os filhos a “amar” e se “desiludirem”. Na verdade, como professora, prostituiu-se.

Em "Os desastres de Sofia", Clarice Lispector narra a relação entre Sofia, menina, nove anos, e o professor gordo, silencioso e de "controlada impaciência". Para provocá-lo, comporta-se mal. Vermelho de raiva, ele a repreende e, ao fazer isso, lhe dá atenção. Era do precisva.

Em “Dois irmãos” de Milton Hatoum narra a história do professor de literatura e poeta Antenor Laval. Era um intelectual de esquerda (visto como comunista) busca transmitir ideias de liberdade e sensibilidade artística. Ídolo do rebelde Omar, leciona na escola conhecida como “Galinheiro de Vândalos”. Acaba perseguido e morto em praça pública, professores idealistas não têm lugar ante a repressão, já o padre Bolislau, conservador, lecionava matemática, era o conselheiro da escola da elite e melhor amigo do introspectivo Yakub. O professor conservador tem lugar em uma sociedade reacionária que quer impor a sua ordem. Imposição é a solução.

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