JOVENS E GRANDES PARA SEMPRE! (Parte 1),

JOVENS E GRANDES PARA SEMPRE! (Parte 1)

              “Ao final de uma grande campanha, olhando para o oriente, chorou, porque não havia mais nada para ser conquistado”. Atribui-se essa passagem à vida de Alexandre, O Grande. Morto aos 32 anos de idade, caso fosse nos dias atuais, seu falecimento teria ocorrido próximo ao encerramento de sua adolescência (período que, segundo a OMS, é finalizado aos 25 anos de idade). Precisamente...O jovem adulto, se fosse hoje, não percebia mais o sentido da vida. Chorou pois, considerando o contexto de sua época, Alexandre se interpretou sem mais quaisquer horizontes. Lamentavelmente, parece convergir com o olhar de muitos dos “Grandes” dos dias contemporâneos. Quem já deveria ser Grande aos 15, 16,..., e cada vez Maior daí em diante, luta, diariamente, por seu direito de crescer em meio e contra às tantas forças que insistem na tentativa de os apequenar. É visível, é nítido, é perverso. Mas, jamais deverá ser destino, de quem desejar ser Gigante, pensar e agir como miúdas consciências. É da Lei. Causa e efeito.

                As jovens atrizes, Carol Castro e Déborah Secco, se emocionaram explicitamente. Perceptivelmente, cada nota e palavra da canção “Trem bala” atingiu plateia e convidados presentes no programa “Altas Horas”, capitaneado pelo sempre jovem Serginho Groisman. E lá, seguramente, não foi o único lugar no qual essas emoções foram extravasadas. Assim ocorre, e sempre ocorrerá, em qualquer local ou contexto nos quais mensagens e melodias, como as trazidas por esse e tantos outros semelhantes Trens, ganhem espaço externo e interno do ser humano. Nada mais natural, na medida em que o grande poder de conteúdos como esses é, ainda que por breves instantes, pôr o Homem em contato real e direto com seu íntimo essencial. Um vislumbre do que, de fato, há de mais genuíno, do raso consciente ao profundo inconsciente. Do que é busca maior na vida humana. Afinal, quem não deseja encontrar-se e viver consigo mesmo??? Todo o resto, tal como diz outra significativa canção, é poeira ao vento. Entretanto, Zygmunt Bauman, tão citado filósofo, identificou o contraponto - provocado socialmente minuto a minuto - dos “Trens” que comportam o essencial humano. A tendência de fazer liquidez de tudo. Desse modo, a poeira tem sido mais valorizada do que o apito do Trem. Assim, se torna tão necessário, mas, midiaticamente raro, o permanente resgate proporcionado por trabalhos como o de Ana Vilela e seus 19 anos de idade. Entretanto, importante repetir, apenas midiaticamente raro. Porque, no mundo de concreto, exemplos não faltam. Que não seja somente considerado o jovem que rouba, violenta e mata um casal de namorados, mas, sobretudo, jovens como Dylan Mahalingam, que aos 9 anos de idade iniciou o que hoje, aos 16 anos de idade, se tornou uma organização sem fins lucrativos, em favor da iniciativa dos jovens contra a pobreza mundial. Que não se tenha em mente apenas o menino e a menina que fazem as fileiras do narcotráfico, mas, primordialmente, vidas como a de Iqbal Masih, que aos 10 anos de idade transformou sua triste história pessoal em ativismo pelo fim da escravidão e trabalho forçado de crianças. Que não seja, excessivamente, divulgada a conduta de adolescentes que torturam e ferem – as vezes de morte – outros adolescentes e crianças, inclusive em escolas, mas, comportamentos como o de Katie Stagliano, que desde seus 5 anos de idade, através de suas hortas, contribui para minimizar a fome de tantos necessitados. Que as atenções não sejam direcionadas à jovens que desdenham ou são indiferentes para com o sofrimento alheio, em nome da cultura da ostentação, como se não houvesse consequências práticas, mas, principalmente, aos casos como o de Louis Braille - que ficou cego aos 5 anos de idade, e aos 15 anos criou o sistema de leitura para deficientes visuais – e de Ryan Hreljac que, aos 6 anos de idade, após sua intensa mobilização, proporcionou a construção do 1º. poço de água para crianças africanas e, atualmente, aos 22 anos, após 800 mil pessoas beneficiadas por mais de 800 poços de água, continua firme em seu propósito humanitário. A própria Ciência, através de uma de suas mais novas áreas, chamada de Psicologia Positiva, endossa a permanente busca das potencialidades humanas, em benefício do máximo e permanente desenvolvimento da comunidade global. A meta saudável de vida é sempre se desenvolver, criar, fortalecer e engrandecer. O oposto dessa meta consiste, precisamente, na arrogância, egoísmo, cópia, vaidade e violência. Por quê? A resposta é tão simples quanto evidente: esses quatro últimos são fatores limitantes da funcionalidade, individual e coletiva, humana.

                No mundo, que conta com uma juventude amplamente conectada, não deve haver horizonte limitado. Há, sim, todo universo de caminhos a ser explorado. A quem ousar jogar véus negros de medo sobre esses caminhos, falas – parafraseadas ou não – como a de um jovem, após desastre náutico recente ocorrido em Salvador, devem ser repetidas como um mantra: “Se não nos deixarem sonhar, não os deixaremos dormir”. Proibir sonhos é roubar de jovens, estejam eles com 10, 15, 20, 50, 90 anos de idade...E roubos, desse tipo, devem ser considerados crimes hediondos, pois têm potencial genocida. Apenas podem aparentar o contrário. Choros e suas causas, como o de Alexandre, O Grande, devem ser, somente, capítulos históricos, ficando restritos à um passado bem distante.   

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Marcelo Filipecki
Por Marcelo Filipecki Psicólogo clínico, e-mail: marcelofilipecki@yahoo.com.br
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