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Concepção de amizade

Quando você muda de cidade, a geografia é apenas um detalhe da nova vida. Muita coisa muda junto com você, para o lugar aonde você for. Muda a casa, muda a rotina, mudam os hábitos e, se você passa a viver sozinho, a mudança maior não tem a ver com quem vai trocar seu galão de água ou o que você fará se o chuveiro queimar. O que muda, completamente, é a sua concepção de amizade.

Eu, particularmente, nunca fui uma pessoa de muitos amigos. Talvez os meus amigos MESMO completem uma mão, ou duas. Três, talvez. Por contraditório que isso pareça nos tempos atuais, em que a popularidade é supervalorizada, afirmo, sem medo de errar, que tenho muita sorte.

Quando você mora sozinho, numa cidade diferente, deixa de se preocupar com a quantidade de pessoas com quem se relaciona e passa a prestar a atenção na qualidade delas. É daí que vem a minha sorte. Deixa de ser suficiente sair para beber ou se divertir com alguém. Passa a ser fundamental ter do lado quem compartilhe os seus sofrimentos e que possa te atender e te ajudar a hora em que for – mesmo que seja para trocar a resistência daquele chuveiro queimado.

É o próprio tempo que faz com que todas essas relações se reorganizem. Com o passar dos meses e dos anos, você se distancia ou se aproxima de alguém, rompe ou se conecta com outra pessoa. Tudo isso é normal. Algumas separações são mais doídas, outras acontecem naturalmente. Em contrapartida, novas relações surgem e se intensificam, preenchendo o eventual vazio. A vida vai se encarregando desse realinhamento. 

Dia desses, alguém fez uma consideração sobre minha solidão aparente, pelo fato de ter poucos amigos e, teoricamente, não ter muitas pessoas a quem recorrer. É verdade que não tenho muitas e pensei sobre isso por alguns momentos. Cheguei à conclusão de que se você tem as melhores, não precisa expor exageradamente. Só precisa ter a certeza de que tem quem te ampare na hora em que for, ao mesmo tempo em que tenha com quem rir – e, muitas vezes, é a mesma pessoa que vai te ajudar nessas duas situações antagônicas.

Talvez essa dúvida sobre minha solidão, ou de qualquer outra pessoa, esteja ligada ao momento de superexposição em que vivemos. Parece ser necessário mostrar para o mundo que você tem, sim, amigos. Que você sai, sim, com várias pessoas. Que você é, sim, alguém querido ou amparado. E se tudo isso acontece na sua vida, mas você não mostra, gera dúvida. E a quem importa? 

Amigo é o termo usado pelo Facebook para definir todas as pessoas que compõem sua lista de conexões na rede social. Em meu perfil (atualmente desativado), há pouco mais de mil. Gente que adicionei porque vi uma vez, porque é conhecido de um amigo, porque trabalha na mesma área profissional. Essa definição de amigo virtual ainda não está no dicionário, mas, em breve, deve estar devidamente teorizada pela nova dinâmica das relações humanas. E, mesmo que todos os livros de português resolvam categorizar a amizade digital como algo tão concreto quanto a real, pelo menos em palavras, eu custarei a concordar. Mesmo que a tecnologia seja tão boa, em tantos momentos, nenhum amparo on-line é, ainda, tão bom quanto ter os melhores amigos por perto. 

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Marina Aranha
Por Marina Aranha Jornalista, editora do Portal Revide, e-mail:[email protected]
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