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Em nome do autor

Comprovamos o poder e o alcance da internet e das redes sociais a cada acontecimento que mobiliza a sociedade. A tendência é, inclusive, que esse comportamento cresça, ainda mais por estarmos à beira da posse de um novo presidente completamente adepto da comunicação on-line. São mais tweets do que pronunciamentos e mais vídeos ao vivo no Facebook do que entrevistas em estúdios de TV.

 Preferências à parte, é fato de que estamos, a cada dia, mais digitalizados, o que reflete uma brusca mudança na maneira como passamos a fazer jornalismo e divulgar as informações, enquanto veículos de imprensa.  Tudo o que é jogado na rede se perde e se confunde. Algo antes muito prezado, o crédito ao autor, deixou de ser, há algum tempo, fundamental. Misturam-se, em jornais, programas de TV, revistas e sites, aquilo que é produzido pela equipe responsável e o que é uma colcha de retalhos feita a partir do que se encontra na web.

Como tudo na vida, há lados bons e lados ruins em tanta diversidade e abundância de informação disponível por aí. É preciso separar o joio do trigo – e, de preferência, não optar por ficar com o primeiro.

 No caso de Ribeirão Preto, o fato mais recente que gerou uma mobilização intensa dos internautas foi a tentativa de roubo a uma transportadora de valores, no bairro Lagoinha, região Leste da cidade, na terça-feira, dia 29 de outubro. Houve troca de tiros entre policiais e assaltantes, explosões de veículos e perseguição em carros pelas estradas da região (muitas matérias foram feitas durante o dia por este Portal).

 Os confrontos que acordaram moradores de diversas regiões de Ribeirão começaram por volta das 3h e duraram cerca de duas horas. Eu fui uma das acordadas com o barulho, logo no início. Outro repórter do Portal Revide, o Pedro Gomes, também levantou a essa hora e, como tudo acontecia perto da casa dele, filmou a explosão de um veículo com o celular. Postamos no Facebook da Revide antes das 4h e começamos a trabalhar por volta das 5h30, quando o Pedro foi para a rua checar o estrago.
 


Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer.
Franz Kafka, em Carta a Pollak


 Ainda na madrugada, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo e quais seriam os motivos dos estouros. Com o passar das horas, foi identificado o motivo (a tentativa de roubo) e no início da manhã, antes mesmo de sabermos ao certo o que acontecia, já havia milhares de vídeos e fotos postadas nas redes sociais. Às 7h20, conforme noticiamos no Portal, Ribeirão Preto era o segundo assunto mais comentado no Twitter (estava na vice-liderança dos chamados “trending topics”, que ranqueiam os principais temas citados na rede). 

 No meio de tanta coisa postada, tanta imagem que roda por aí e a pressa de ter o melhor ângulo e o melhor conteúdo para “dar antes” da concorrência, como dizemos no jornalismo, alguns créditos passam em branco. Passamos a usar “vídeo de celular”, “imagens de internet”, ou “redes sociais” como identificação de autoria das fotos ou vídeos. Essas expressões se tornaram coringas, como se o fato de algo estar em alguma página da internet, automaticamente, legitimasse o uso sem consentimento daquilo que é reproduzido.

 Reclamamos tanto do fato de o ambiente on-line ser uma terra sem Lei, mas quantos de nós estamos, realmente, pensando em levar para o mundo virtual as boas maneiras que temos de (ou deveríamos) praticar na vida humana fora dele? E será que estamos, enquanto jornalistas, fazendo-nos indispensáveis na reprodução dos fatos? É a postura de cada um de nós, especialmente os formadores de opinião, que pode fazer a diferença na maneira como o mundo irá caminhar. 

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Marina Aranha
Por Marina Aranha Jornalista, editora do Portal Revide, e-mail:[email protected]
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