A angústia das previsões

A angústia das previsões

O tempo passa e os números e as previsões sobre a pandemia continuam assustadores. Novos leitos são abertos em hospitais públicos e privados, mas a taxa de ocupação continua impávida, não baixa dos 90%. Com um nível tão alto de transmissão da doença, os profissionais da saúde afirmam que a corrida para abrir novas unidades é uma tentativa de enxugar o gelo. Os insumos necessários para atendimento dos pacientes estão no limite. Diariamente, aparecem na imprensa nacional e regional relatos de familiares reclamando da demora para obter uma vaga e internar os parentes. Em alguns casos, esse atraso resulta na morte de quem esperava por uma vaga na UTI. Mesmo em São Paulo, o Estado mais rico do país, há mais de 500 relatos de pessoas que morreram na fila de espera.

Tal qual ocorre em quase tudo na vida, o tempo parece ser a chave desta crise. Por quanto tempo a pandemia vai persistir? O número de mortes permanecerá tão elevado ainda por quanto tempo? Quanto tempo ainda será necessário para que se tenha uma oferta maior de vacinas? Será possível vacinar uma parcela significativa da população a tempo de evitar uma tragédia ainda maior? Por quanto tempo, principalmente, as pequenas e médias empresas conseguirão sobreviver com a restrição das atividades econômicas?

Todas essas são perguntas difíceis de responder. Previsões sombrias e otimistas se misturam em meio a um cenário cheio de incertezas e de controvérsias. A ciência consegue uma exatidão sobre o passado para orientar o presente, mas o futuro sempre será uma incógnita, dependente de múltiplas variáveis: da velocidade da vacinação, do comportamento das pessoas, das mutações do vírus e por aí vai. Quando uma solução coletiva se apresenta como algo distante, difícil de ser alcançada pela falta de consenso e de entendimento sobre as saídas para a crise, o ser humano se sente impotente e vê a própria sobrevivência ameaçada. Diante de uma realidade cruel e implacável, percebe a fragilidade da sua existência. Mesmo que disfarçado, o medo se torna onipresente. De uma hora para outra, ficamos todos à mercê de um vírus novo, agressivo, letal, sorrateiro, silencioso e imprevisível. Apesar de tamanha adversidade, o ser humano ainda possui uma enorme capacidade de resistir até porque, no momento atual, não há outra alternativa.

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